Em 2019 (no momento que escrevo este post, há seis anos), eu li o primeiro volume de Stormlight Archives, "O Caminho dos Reis" de Brandon Sanderson, e não gostei. Na época, a obra ainda não havia sido publicada em português, e a li em inglês e no Kindle - uma tarefa que não foi prazerosa, sobretudo quando falamos de um livro de mais de 1200 páginas. Desde então, eu tinha decidido que não continuaria a ler a saga, até que a Editora Trama trouxe a obra para o Brasil e meu coração fanático por Sanderson me pediu para lhe dar uma segunda chance.
Para quem não sabe, eu auto-proclamei o Perplexidade e Silêncio como o blog oficial de resenhas dele, pois sou muito fã de seu trabalho, e você pode navegar pelos quase 30 posts sobre ele.
Antes de comparar minha opinião atual com a primeira resenha deste livro, um breve contexto sobre a história de "O Caminho dos Reis". A história por trás do romance gira em torno de desastres recorrentes conhecidos como Desolações, onde monstruosos Esvaziadores devastam o mundo e a sobrevivência humana está em jogo. Para combater a ameaça, os Cavaleiros Radiantes (assim chamados por sua aura e olhos brilhantes) lutam contra os Esvazadores usando armaduras e espadas mágicas conhecidas como Fractais. A Desolação mais recente, que ocorreu milhares de anos antes dos eventos principais do romance, era considerada a última e se tornou tema de mitos e lendas. As armaduras e espadas descartadas pelos Cavaleiros Radiantes permanecem como algumas das relíquias de família mais inestimáveis, e todo o mundo de Roshan vive ao redor de guerras pela conquista das Fractais.
Recomendo que você leia o post anterior (a primeira resenha), pois ali explico mais sobre os personagens e sobre o enredo, e não pretendo repetir todas as informações aqui.
Da primeira vez que li, minha personagem favorita foi Shallan, e torci bastante por ela ao longo da leitura. Porém, agora na segunda leitura, embora eu continue gostando dela, já não a considero minha personagem favorita. As interações com Jasnah, sua mentora, são interessantes, mas me peguei pensando que acho que elas não criaram uma relação tão profunda assim para que Shallan sentisse peso na consciência por trair a mentora. Acredito que a ligação entre elas poderia ter sido mais trabalhada, até mesmo para justificar a reação de Jasnah quando descobre que Shallan a roubou. Contudo, os capítulos dedicados às duas são um respiro na trama, e também permitem que os leitores entendam mais sobre a história de Roshan, através das descobertas de Shallan em seus estudos.
Desta vez, meu personagem preferido é Dalinar - quem diria! Na primeira leitura, eu mal registrei ele como um personagem interessante, e achei super maçante os momentos em que ele aparecia com seus "delírios" - cheguei até a cogitar pular os capítulos dele. Porém, agora, eu adorei o arco de Dalinar, um dos poucos homens honrados que restaram em um mundo devastado pela guerra, tido por todos como maluco e senil mas, que no fundo, tinha todas as respostas para os mistérios dos Radiantes, assim como uma alma de pacifista. Quando seu filho, Adolin, o confronta, senti raiva e vontade de proteger Dalinar, tamanha minha conexão com o personagem.
Também me conectei mais a Kaladin. Da mesma forma que na primeira leitura, lá pela página 900/1000, fiquei um pouco cansada de ler sobre as incursões de ponte, mas nem de perto senti o tédio da primeira leitura. A construção não apenas de Kaladin, mas de toda a equipe da Ponte Quatro, é incrível, e Sanderson mais uma vez se prova como um excelente escritor de personagens e grupos. Passei a me importar mais sobre a Ponte Quatro nesta leitura, e também prestei mais atenção em Syl, que a mim passou quase desapercebida da outra vez.
Antes de comparar minha opinião atual com a primeira resenha deste livro, um breve contexto sobre a história de "O Caminho dos Reis". A história por trás do romance gira em torno de desastres recorrentes conhecidos como Desolações, onde monstruosos Esvaziadores devastam o mundo e a sobrevivência humana está em jogo. Para combater a ameaça, os Cavaleiros Radiantes (assim chamados por sua aura e olhos brilhantes) lutam contra os Esvazadores usando armaduras e espadas mágicas conhecidas como Fractais. A Desolação mais recente, que ocorreu milhares de anos antes dos eventos principais do romance, era considerada a última e se tornou tema de mitos e lendas. As armaduras e espadas descartadas pelos Cavaleiros Radiantes permanecem como algumas das relíquias de família mais inestimáveis, e todo o mundo de Roshan vive ao redor de guerras pela conquista das Fractais.
Recomendo que você leia o post anterior (a primeira resenha), pois ali explico mais sobre os personagens e sobre o enredo, e não pretendo repetir todas as informações aqui.
Da primeira vez que li, minha personagem favorita foi Shallan, e torci bastante por ela ao longo da leitura. Porém, agora na segunda leitura, embora eu continue gostando dela, já não a considero minha personagem favorita. As interações com Jasnah, sua mentora, são interessantes, mas me peguei pensando que acho que elas não criaram uma relação tão profunda assim para que Shallan sentisse peso na consciência por trair a mentora. Acredito que a ligação entre elas poderia ter sido mais trabalhada, até mesmo para justificar a reação de Jasnah quando descobre que Shallan a roubou. Contudo, os capítulos dedicados às duas são um respiro na trama, e também permitem que os leitores entendam mais sobre a história de Roshan, através das descobertas de Shallan em seus estudos.
Desta vez, meu personagem preferido é Dalinar - quem diria! Na primeira leitura, eu mal registrei ele como um personagem interessante, e achei super maçante os momentos em que ele aparecia com seus "delírios" - cheguei até a cogitar pular os capítulos dele. Porém, agora, eu adorei o arco de Dalinar, um dos poucos homens honrados que restaram em um mundo devastado pela guerra, tido por todos como maluco e senil mas, que no fundo, tinha todas as respostas para os mistérios dos Radiantes, assim como uma alma de pacifista. Quando seu filho, Adolin, o confronta, senti raiva e vontade de proteger Dalinar, tamanha minha conexão com o personagem.
Também me conectei mais a Kaladin. Da mesma forma que na primeira leitura, lá pela página 900/1000, fiquei um pouco cansada de ler sobre as incursões de ponte, mas nem de perto senti o tédio da primeira leitura. A construção não apenas de Kaladin, mas de toda a equipe da Ponte Quatro, é incrível, e Sanderson mais uma vez se prova como um excelente escritor de personagens e grupos. Passei a me importar mais sobre a Ponte Quatro nesta leitura, e também prestei mais atenção em Syl, que a mim passou quase desapercebida da outra vez.
Os interlúdios funcionaram muito mais para mim, desta vez. Na primeira leitura, eles só serviram para me deixar ainda mais confusa, pois eu não tinha conseguido entender a cronologia dos eventos ali apresentados. Nesta segunda leitura, achei os interlúdios um artificio muito inteligente de Sanderson, pois eles permitem ao leitor um espaço para digerir e refletir sobre todos os eventos anteriores, assim como expande o universo mágico que ele criou. Gostei, sobretudo, dos capítulos dedicados a Szeth, e espero que ele apareça mais nos próximos livros.
Alguns pontos seguem misteriosos e confusos para mim, mesmo após uma segunda leitura: ainda não entendo muito bem como funcionam os abismos e as pontes (tive e tenho dificuldade de imaginar essa parte do enredo, mesmo com o auxílio das excelentes ilustrações que foram adicionadas ao longo do livro), também não captei ainda a diferença entre os parshemanos e os parshemandianos, a configuração geográfica de Roshan e seus outros povos. Mas imagino que tudo isso ficará claro ao redor dos próximos volumes - porque sim! agora pretendo dar andamento na leitura dos próximos volumes, e estou animadíssima que muitos livros com mais de 1000 páginas me esperam, já que sigo orfã do nono volume de "A Roda do Tempo".
Brandon Sanderson, o problema nunca foi você.
Avaliação do Perplexidade e Silêncio: 4/5