Como uma boa leitora de histórias sobre viagem no tempo, me deparei com a autora gaúcha Taiasmin Ohnmacht e sua obra "Uma Chance de Continuarmos Assim".
Publicado em 2023, "Uma Chance de Continuarmos Assim" é uma leitura rápida e dinâmica, algo entre um conto grande e uma noveleta, inspirada em "Kindred - Laços de Sangue" de Octavia E. Butler. A título de curiosidade, em Kindred, Dana viaja no tempo para o século 19, uma época bastante perigosa para uma mulher negra como ela.
Na obra de Ohnmacht, Paula e sua amiga Marcela desenvolvem em segredo a Sankofa, uma máquina do tempo, com ajuda dos recursos de uma universidade pública do Rio Grande do Sul. Paula, negra, sabe que viajar ao passado pode não ser uma boa ideia, então ambas decidem que é melhor programar a Sankofa para que viaje ao futuro. Desta forma, temos um livro sobre afroturismo, além de uma ficção-especulativa brasileira sobre os rumos que a Humanidade vai tomar. Paula viaja ao futuro mas, quando retorna ao passado, não encontra Marcela, o que lhe causa muito sofrimento e angústica.
Publicado em 2023, "Uma Chance de Continuarmos Assim" é uma leitura rápida e dinâmica, algo entre um conto grande e uma noveleta, inspirada em "Kindred - Laços de Sangue" de Octavia E. Butler. A título de curiosidade, em Kindred, Dana viaja no tempo para o século 19, uma época bastante perigosa para uma mulher negra como ela.
Na obra de Ohnmacht, Paula e sua amiga Marcela desenvolvem em segredo a Sankofa, uma máquina do tempo, com ajuda dos recursos de uma universidade pública do Rio Grande do Sul. Paula, negra, sabe que viajar ao passado pode não ser uma boa ideia, então ambas decidem que é melhor programar a Sankofa para que viaje ao futuro. Desta forma, temos um livro sobre afroturismo, além de uma ficção-especulativa brasileira sobre os rumos que a Humanidade vai tomar. Paula viaja ao futuro mas, quando retorna ao passado, não encontra Marcela, o que lhe causa muito sofrimento e angústica.
A narrativa não é escrita de forma linear, o que me deixou bastante confusa no início. Aliás, essa confusão parece ser uma experiência comum entre os leitores, pois vi menções a isso em diversas resenhas. Paula fica indo-e-vindo entre futuro, presente e passado, e não há nenhuma marcação editorial que oriente o leitor - por exemplo, não há um registro dos anos, ou um mudança de capítulo, nem mesmo uma separação entre os trechos. Fiquei pensando que talvez tenha sido escrito assim de propósito, para mostrar a confusão da própria Paula.
Um ponto que lamentei é que Ohnmacht poderia ter explorado mais o porquê da máquina do tempo chamar "Sankofa". Eu pesquisei no Google de pura curiosidade, pois pensei que talvez tivesse conexão com a obra de Butler, mas aprendi que trata-se de um conceito africano sobre "olhar para o passado para construir o futuro". E este é um dos aspectos que não me fizeram amar a obra como eu gostaria, pois senti que Ohnmacht não aproveitou diversos momentos para aprofundar a trama.
Por exemplo, além do conceito acima, senti falta de uma maior construção de Marcela, que viria a se tornar uma personagem central do enredo, ou até mesmo dos motivos que levaram ela e Paula à construção da Sankofa. Um maior aprofundamento no início da história teria me enganchado mais, e talvez me deixasse menos confusa no que viria depois.
Também achei raso o processo de construção da máquina do tempo. Entendo que a obra não se propôs a ser uma ficção-científica, e por isso não deve explicações científicas/tecnológicas a ninguém, mas, por outro lado, essa parte da história ficou muito leviana, como se fazer uma máquina do tempo fosse fácil. Isso me incomodou.
Por exemplo, além do conceito acima, senti falta de uma maior construção de Marcela, que viria a se tornar uma personagem central do enredo, ou até mesmo dos motivos que levaram ela e Paula à construção da Sankofa. Um maior aprofundamento no início da história teria me enganchado mais, e talvez me deixasse menos confusa no que viria depois.
Também achei raso o processo de construção da máquina do tempo. Entendo que a obra não se propôs a ser uma ficção-científica, e por isso não deve explicações científicas/tecnológicas a ninguém, mas, por outro lado, essa parte da história ficou muito leviana, como se fazer uma máquina do tempo fosse fácil. Isso me incomodou.
Narrado em primeira pessoa por Paula, de repente, temos uma mudança de narrador, ao final do livro. Novamente sem nenhuma marcação editorial, essa guinada da narração foi outro momento de confusão que, a meu ver, poderia ter sido evitado ao leitor. O novo narrador é interessante, apesar disso, e achei esta mudança uma boa ideia.
Infelizmente, o livro não fixou minha atenção. As idas e vindas entre os tempos não foi bem estruturada, na minha opinião, e o ritmo não funcionou para mim. Em vários momentos me vi dispersa pois, a combinação destas idas e vindas com a falta de aprofundamento que mencionei, não cativaram minha atenção. Os eventos finais (e importantes) me soaram apressados, e também não consegui formar na minha cabeça uma imagem clara de Rafa/moço do futuro que esqueci o nome, Ricardo e Laira. Estes personagens secundários poderiam ter trazido mais camadas ao enredo e deveriam ser mais exploradas - por exemplo: como o Rafa/moço do futuro se adaptou ao passado? não poderíamos ter capítulos com seu ponto-de-vista, depois que Paula descobre quem ele é? E se tivéssemos capítulos narrados por Marcela, sobretudo os relacionados ao passado com Paula, para que a conhecêssemos melhor? E por que Laira se importa tanto com Paula, em que momento elas se apaixonaram?
De forma geral, eu gosto que temas brasileiros estão representados, e gosto deste encontro com a nossa própria cultura. Também vejo o potencial de Ohnmacht na sua escrita e, mesmo com os pontos que destaquei, é uma leitura que recomendo.
Avaliação do Perplexidade e Silêncio: 3/5