Finalmente li a coletânea de histórias do Brandon Sanderson, intitulada “Arcanum Unbounded”.Neste post, vou destacar o que, na minha opinião, é a principal obra desta coletânea, que é “Mistborn: História Secreta”.
Algumas histórias desta coletânea eu li fora dela, então você também pode conferir as resenhas de:
Este livro só deve ser lido depois do primeiro volume da Primeira Era de Mistborn, pois ele continua a história de Kelsier, após os eventos que finalizam o livro. Ele também contém spoilers menores de outros livros da série Mistborn, então, caso você ainda não tenha lido a saga, pule essa resenha. E também não comece a conhecer Brandon Sanderson por aqui, porque não vai funcionar.
Sem dúvida, este é um dos melhores livros que Brandon Sanderson já escreveu. Os mecanismos por trás dos acontecimentos da trilogia original de Mistborn são complexos e difíceis de compreender mesmo nas melhores circunstâncias, mas este livro complica ainda mais as coisas – e é óbvio que adorei! Há muita magia secreta por trás dos eventos, e este livro ajuda a explicar a origem de parte dela. As respostas sobre o paradeiro de Kelsier estão aqui. Eu, que estou lendo “Os Relatos da Guerra das Tempestades”, e já sabia que ele aparecia por lá (com o nome de Thaidakar), passei esse tempo todo me perguntando onde que o Kelsier estava depois de morrer, e agora finalmente eu entendi. Vermos a morte do ponto-de-vista dele, e o que acontece logo depois quando ele vai “para o outro lado”, foi um momento magnífico. Fiquei imediatamente presa na leitura, e eu adorei o tom meio religioso, meio místico dessa história, que é tão contrastante com o restante da série “Mistborn”.
As interações de Kelsier com Preservação e Ruína são, também, excelentes. É nessa história que entendemos que Kelsier foi, o tempo todo, manipulado por Ruína. Embora Kelsier tenha acreditado que ele fazia o certo ao derrotar o Senhor Soberano, ele estava, na realidade, fazendo exatamente o que Ruína queria. Acompanhar Kelsier descobrindo essa grande verdade, ao mesmo tempo em que tenta se conectar com Preservação, que definha, é de cortar o coração. Além disso, entender mais sobre a relação entre Preservação e Ruína dá ainda mais sentido ao que acontece posteriormente com Sazed (que segue sendo meu personagem preferido de toda a Cosmere).
“Mistborn: História Secreta” também ajudou a explicar a cena em que Elend foi esfaqueado no Poço da Ascensão – lembro de ler essa cena na série original de “Mistborn” (Livro 2? Livro 3? Já não me recordo muito bem) e não entender direito o que aconteceu. E quando descobrimos que os terremotos foram causados pela luta entre Kelsier e Ruína? Impressionante. Não me canso de surpreender com a habilidade técnica de Sanderson, mesmo depois de já ter lido mais de vinte livros dele. Mas acho que o ápice emocional do livro é quando Vin encontra Kelsier “no outro lado” e, ao contrário dele, decide partir para o Além, de mãos dadas com Elend. Ela não conforta nem acolhe Kelsier como se espera – ela está cansada, dolorida, amarga e adulta, depois de ter passado por toda a manipulação e dominação de Ruína. Ela já não vê Kelsier como via antes e o diálogo entre eles é, no mínimo, fenomenal.
Por fim, temos o epílogo de Fantasma, um dos personagens mais cativantes de “Mistborn”, e sabemos seu destino, que se conecta ao ainda não publicado livro dos Sanguespectros. Ele, finalmente, teve o encaminhando que merecia no enredo, e fiquei muito contente com a aparição dele no final.
Se você já leu a série “Mistborn”, a leitura de “Mistborn: História Secreta” é obrigatória. Apesar de ser relativamente curto (principalmente para os padrões de Sanderson), a história resolve muitas questões e fecha muitos buracos. Super recomendo a leitura e sigo sendo uma fã apaixonada de Sanderson.
Avaliação do Perplexidade e Silêncio: 4/5
























