Antes de enfrentar a tarefa hercúlea de ler as 1.531 páginas de "Sacramentadora", fiz uma pausa para ler o volume intermediário da saga "Os Relatos da Guerra das Tempestades", que é "Edgedancer" de Brandon Sanderson.
Outras resenhas relacionadas:
Os Relatos da Guerra das Tempestades, Vol. 1 - O Caminho dos Reis
Os Relatos da Guerra das Tempestades, Vol. 2 - Palavras de Radiância
Um guia sobre o universo Cosmere de Brandon Sanderson
"Edgedancer", ainda não publicado em português, foi lançado em 2017 e é considerado por Sanderson um volume intermediário entre "Palavras de Radiância" e "Sacramentadora". É completamente possível partir para o terceiro volume da saga sem ler este livro, mas, definitivamente, sua leitura enriquece bastante o pano de fundo que será desvelado mais adiante. Como li em inglês, alguns termos do livro não irei traduzir.
Anteriormente, nos capítulos de Interlúdio de "Palavras de Radiância", nós fomos brevemente apresentados à personagem de Lift, uma ladra de treze anos de idade - embora ela não queira assumir a idade que tem - que vive no reino de Azish. Azish é um reino extremamente burocrático, e eles estão sofrendo para encontrar um novo Imperador desde que os últimos foram mortos pelo Assassino de Branco. Lift se aproveita deste caos, enquanto tenta entender o seu próprio poder, que ela chama de Incrível (Awesomeness, no original).
Lift é uma personagem que traz uma energia completamente diferente a estas obras de Sanderson. Sendo uma pré-adolescente, Lift é confusa, ingênua, equivocada de uma série de formas diferentes e teimosa. Sanderson a escreve com um tom distinto dos demais personagens, passando não apenas por diversos erros gramaticais para expressar a forma como ela se comunica, como, também, adicionando mais humor e mais leveza aos diálogos. Lift é muito irritante, e eu tenho certeza que Sanderson queria exatamente isso para ela. Há momentos da leitura que ela se torna um pouco repetitiva, mas precisamos nos lembrar que inclusive isso faz parte da construção de sua personagem.
Sempre esfomeada, Lift primordialmente busca por panquecas e, depois, quem sabe, tentar salvar o mundo, se ela tiver vontade.
Ela é perseguida por Darkness, cujo nome é Nale, um Arauto da Justiça que está caçando Radiantes pelo mundo de Roshar. O poder de Lift chama sua atenção e ela precisa, então, fugir dele. Mas é claro que Lift faz exatamente o contrário, e decide ir atrás de Nale, para entender seus motivos e tentar proteger outros iguais a ela de serem mortos. Além disso, um dos amigos de Lift é condecorado o Imperador de Azish - um pré-adolescente despreparado e perdido, completamente inadequado ao posto - e ela se vê presa numa vida burguesa dentro do palácio, o que a entedia profundamente. Wyndle, seu espreno, totalmente contrariado e evidentemente desgostoso com Lift, a segue nessa busca por Nale/Darkness.
O enredo, em si, não é o mais inspirado de Sanderson. O livro é pequeno e narra, em essência, Lift usando seus poderes sem entendê-los completamente, e descobrindo que a dona do orfanato onde vivia é uma Radiante com poderes de cura. Quando ela mesma se dá conta que é uma Radiante, recebe essa informação com indiferença, sem ter nenhuma noção do que isso realmente significa. Lift é alheia à ameaça dos Esvaziadores e da Desolação, e só se interessa pelo próximo prato de panquecas. Porém, já é possível perceber as sementes da personalidade de Lift - sua preocupação com os órfãos, sua obstinação pelo que é certo, seu relacionamento com Wyndle - e acredito que Sanderson irá trazê-la de volta em algum volume futuro.
Por fim, já comecei a ler "Sacramentadora" e saber os bastidores do Imperador nomeado de Azish fazem muito mais sentido, e sinto até pena de Dalinar quando ele tenta estabelecer qualquer tipo de comunicação com o pré-adolescente cheio de espinhas do outro lado da telepena. Não acredito que seja uma leitura fundamental para o leitor médio de Sanderson - ele tem milhões de outras obras muito mais interessantes - mas é um fan service dele para conosco, fãs maníacos pelo Cosmere.
Avaliação do Perplexidade e Silêncio: 3/5
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"Edgedancer", ainda não publicado em português, foi lançado em 2017 e é considerado por Sanderson um volume intermediário entre "Palavras de Radiância" e "Sacramentadora". É completamente possível partir para o terceiro volume da saga sem ler este livro, mas, definitivamente, sua leitura enriquece bastante o pano de fundo que será desvelado mais adiante. Como li em inglês, alguns termos do livro não irei traduzir.
Anteriormente, nos capítulos de Interlúdio de "Palavras de Radiância", nós fomos brevemente apresentados à personagem de Lift, uma ladra de treze anos de idade - embora ela não queira assumir a idade que tem - que vive no reino de Azish. Azish é um reino extremamente burocrático, e eles estão sofrendo para encontrar um novo Imperador desde que os últimos foram mortos pelo Assassino de Branco. Lift se aproveita deste caos, enquanto tenta entender o seu próprio poder, que ela chama de Incrível (Awesomeness, no original).
Lift é uma personagem que traz uma energia completamente diferente a estas obras de Sanderson. Sendo uma pré-adolescente, Lift é confusa, ingênua, equivocada de uma série de formas diferentes e teimosa. Sanderson a escreve com um tom distinto dos demais personagens, passando não apenas por diversos erros gramaticais para expressar a forma como ela se comunica, como, também, adicionando mais humor e mais leveza aos diálogos. Lift é muito irritante, e eu tenho certeza que Sanderson queria exatamente isso para ela. Há momentos da leitura que ela se torna um pouco repetitiva, mas precisamos nos lembrar que inclusive isso faz parte da construção de sua personagem.
Sempre esfomeada, Lift primordialmente busca por panquecas e, depois, quem sabe, tentar salvar o mundo, se ela tiver vontade.
Ela é perseguida por Darkness, cujo nome é Nale, um Arauto da Justiça que está caçando Radiantes pelo mundo de Roshar. O poder de Lift chama sua atenção e ela precisa, então, fugir dele. Mas é claro que Lift faz exatamente o contrário, e decide ir atrás de Nale, para entender seus motivos e tentar proteger outros iguais a ela de serem mortos. Além disso, um dos amigos de Lift é condecorado o Imperador de Azish - um pré-adolescente despreparado e perdido, completamente inadequado ao posto - e ela se vê presa numa vida burguesa dentro do palácio, o que a entedia profundamente. Wyndle, seu espreno, totalmente contrariado e evidentemente desgostoso com Lift, a segue nessa busca por Nale/Darkness.
O enredo, em si, não é o mais inspirado de Sanderson. O livro é pequeno e narra, em essência, Lift usando seus poderes sem entendê-los completamente, e descobrindo que a dona do orfanato onde vivia é uma Radiante com poderes de cura. Quando ela mesma se dá conta que é uma Radiante, recebe essa informação com indiferença, sem ter nenhuma noção do que isso realmente significa. Lift é alheia à ameaça dos Esvaziadores e da Desolação, e só se interessa pelo próximo prato de panquecas. Porém, já é possível perceber as sementes da personalidade de Lift - sua preocupação com os órfãos, sua obstinação pelo que é certo, seu relacionamento com Wyndle - e acredito que Sanderson irá trazê-la de volta em algum volume futuro.
Por fim, já comecei a ler "Sacramentadora" e saber os bastidores do Imperador nomeado de Azish fazem muito mais sentido, e sinto até pena de Dalinar quando ele tenta estabelecer qualquer tipo de comunicação com o pré-adolescente cheio de espinhas do outro lado da telepena. Não acredito que seja uma leitura fundamental para o leitor médio de Sanderson - ele tem milhões de outras obras muito mais interessantes - mas é um fan service dele para conosco, fãs maníacos pelo Cosmere.
Avaliação do Perplexidade e Silêncio: 3/5























