Mais um livro de Mona Awad que termino sem saber o que pensar. Entendi a obra? Provavelmente não. Mas gostei mesmo assim e, por isso, hoje vou falar um pouquinho sobre "Bunny".
Também veja esta resenha: Já Li #218 - Rouge, de Mona Awad
A protagonista da história é Samantha, uma estudante bolsista em uma renomada universidade chamada Warren, que tem como característica sua abordagem experimental para formar novos escritores. Samantha é obrigada a conviver com um grupo de amigas que são o oposto dela - coloridas, extrovertidas, excessivamente carinhosas umas com as outras, barulhentas e criativas. Essas amigas se autodenominam Bunnies, daí o título da obra.
Até aqui, parece somente mais uma história coming-of-age ao estilo "Pessoas Normais" de Sally Rooney, mas não poderíamos estar mais enganados. A loucura começa quando as Bunnies convidam Samantha para um "seminário", ao que ela aceita a contragosto. Chegando lá, as Bunnies performam um ritual onde elas explodem coelhinhos para criar personagens masculinos perfeitos, os Híbridos. Os Híbridos aparecem pela porta vestindo seus ternos azul-escuro e suas luvas de couro preto, para esconder que não são completamente formados como seres humanos. Eles também tem interações limitadas com as meninas, que consistem, basicamente, em elogios e fazer as suas vontades. Alguns dos Híbridos explodem sozinhos, enquanto outros são largados nos limites da cidade e por lá ficam vagando - e ninguém sabe exatamente o que acontece com eles.
As cenas de explosão, tanto dos coelhinhos quanto dos Híbridos, são narradas por Awad ao estilo gore. Esteje avisado.
Samantha vai perdendo a noção da realidade e da própria identidade ao conviver com as Bunnies, e quem parece resgatá-la desse poço sem fundo é Ava, sua melhor amiga, que se sente traída por ter sido trocada pelo grupo de amigas. Sem entender o que está acontecendo com Samantha, Ava, aos poucos, traz Samantha de volta à vida que elas mantinham antes dos coelhinhos começarem a explodir.
E se você acha que o enredo já estava maluco o suficiente, te adianto que tudo isso é somente a metade do livro. Deste ponto em diante, a história fica ainda mais sem pé nem cabeça, e começamos a duvidar de tudo, pois não sabemos mais o que real - as Bunnies realmente existem? Quem é o namorado de Ava, é uma criação de Samantha a partir de algum coelhinho? A professora Fosco é real? E o professor Leão? Seu amigo Jonah existe no mundo real ou é outra criação de Samantha? A própria Samantha é esquizofrênica, imaginou tudo isso ou as coisas, de fato, aconteceram em um sistema mágico deste universo?
Nenhuma destas perguntas terá resposta. Se você é um leitor que precisa que as coisas façam sentido, este livro não é para você. Não recebemos nenhum tipo de explicação ou fechamento para o enredo, e só nos resta assumir, inferir e deduzir o que Awad tentou nos comunicar. Tudo fica em aberto para que o leitor interprete da forma como quiser. Eu, pessoalmente, acredito que a mensagem é sobre como a solidão tem o poder de desestruturar completamente a mente de uma pessoa, e como adotamos os mais bizarros mecanismos de defesa para nos defendermos de uma grande dor.
Também veja esta resenha: Já Li #218 - Rouge, de Mona Awad
A protagonista da história é Samantha, uma estudante bolsista em uma renomada universidade chamada Warren, que tem como característica sua abordagem experimental para formar novos escritores. Samantha é obrigada a conviver com um grupo de amigas que são o oposto dela - coloridas, extrovertidas, excessivamente carinhosas umas com as outras, barulhentas e criativas. Essas amigas se autodenominam Bunnies, daí o título da obra.
Até aqui, parece somente mais uma história coming-of-age ao estilo "Pessoas Normais" de Sally Rooney, mas não poderíamos estar mais enganados. A loucura começa quando as Bunnies convidam Samantha para um "seminário", ao que ela aceita a contragosto. Chegando lá, as Bunnies performam um ritual onde elas explodem coelhinhos para criar personagens masculinos perfeitos, os Híbridos. Os Híbridos aparecem pela porta vestindo seus ternos azul-escuro e suas luvas de couro preto, para esconder que não são completamente formados como seres humanos. Eles também tem interações limitadas com as meninas, que consistem, basicamente, em elogios e fazer as suas vontades. Alguns dos Híbridos explodem sozinhos, enquanto outros são largados nos limites da cidade e por lá ficam vagando - e ninguém sabe exatamente o que acontece com eles.
As cenas de explosão, tanto dos coelhinhos quanto dos Híbridos, são narradas por Awad ao estilo gore. Esteje avisado.
Samantha vai perdendo a noção da realidade e da própria identidade ao conviver com as Bunnies, e quem parece resgatá-la desse poço sem fundo é Ava, sua melhor amiga, que se sente traída por ter sido trocada pelo grupo de amigas. Sem entender o que está acontecendo com Samantha, Ava, aos poucos, traz Samantha de volta à vida que elas mantinham antes dos coelhinhos começarem a explodir.
E se você acha que o enredo já estava maluco o suficiente, te adianto que tudo isso é somente a metade do livro. Deste ponto em diante, a história fica ainda mais sem pé nem cabeça, e começamos a duvidar de tudo, pois não sabemos mais o que real - as Bunnies realmente existem? Quem é o namorado de Ava, é uma criação de Samantha a partir de algum coelhinho? A professora Fosco é real? E o professor Leão? Seu amigo Jonah existe no mundo real ou é outra criação de Samantha? A própria Samantha é esquizofrênica, imaginou tudo isso ou as coisas, de fato, aconteceram em um sistema mágico deste universo?
Nenhuma destas perguntas terá resposta. Se você é um leitor que precisa que as coisas façam sentido, este livro não é para você. Não recebemos nenhum tipo de explicação ou fechamento para o enredo, e só nos resta assumir, inferir e deduzir o que Awad tentou nos comunicar. Tudo fica em aberto para que o leitor interprete da forma como quiser. Eu, pessoalmente, acredito que a mensagem é sobre como a solidão tem o poder de desestruturar completamente a mente de uma pessoa, e como adotamos os mais bizarros mecanismos de defesa para nos defendermos de uma grande dor.
Mas, de um jeito ou de outro, já posso dizer que Awad me fascina. Em "Rouge", e agora aqui em "Bunny", Awad mostra um estilo de escrita muito original - é moderno, ao mesmo tempo que referencia os grandes clássicos da literatura; é gótico e com toques de terror, mas tem um fundo mágico e de conto-de-fadas; suas protagonistas não são muito elaboradas, mas, mesmo assim, sabemos exatamente quem elas são. Sua capacidade de criar cenas e cenários muito criativos é impressionante, quase cinematográfico, e me prende a atenção.
Mal posso esperar para ler a continuação deste livro, que já foi publicado em inglês mas ainda não tem a tradução em português publicada. É uma leitura que recomendo, com ressalvas.
Avaliação do Perplexidade e Silêncio: 3/5
Mal posso esperar para ler a continuação deste livro, que já foi publicado em inglês mas ainda não tem a tradução em português publicada. É uma leitura que recomendo, com ressalvas.
Avaliação do Perplexidade e Silêncio: 3/5























