Já Li #226 - Os Relatos da Guerra das Tempestades, vol.2: Palavras de Radiância

 

Ah, que delícia ler mais 1200 páginas da incrível escrita de Brandon Sanderson. Nesta resenha, vamos falar do segundo volume da série "Os Relatos da Guerra das Tempestades", chamado "Palavras de Radiância"

Para saber mais sobre o primeiro volume "O Caminho dos Reis" veja este post.

"Palavras de Radiância" começa de onde o livro anterior parou, e acompanha a jornada de Kaladin agora como capitão da Guarda Real de Dalinar. Kaladin luta contra seu ódio pelos olhos-claros, sobretudo quando Amaram retorna ao seu convívio através da amizade que tem com Dalinar. Em pararelo, Kaladin precisa entender e dominar seus poderes de "Corredor do Vento", além de restaurar o vínculo com a espreno Syl. 

Shallan Davar precisa viajar sozinha pelas Planícies Quebradas, agora que sua mentora Jasnah Kollin morreu. Ela precisa lidar com caravanas de bandidos e conquistar a confiança de Adolin e Dalinar, ao mesmo tempo que, tal qual Kaladin, tenta entender seus poderes de "Tecelã da Luz", com a ajuda de seu espreno Padrão. 

Dalinar Kholin segue tentando unificar os grão-príncipes de Alethi, apesar de todos considerarem que ele está louco, devido às suas visões cada vez mais intensas. Ele decide refundar os Cavaleiros Radiantes, pois é a única chance de derrotarem a Tempestade Eterna e os Esvaziadores, que definitivamente estão a caminho. O problema central de Dalinar é descobrir quem seriam os Cavaleiros Radiantes a tempo.

Para mim, a parte mais interessante deste livro foram os parshendianos. Durante todo o primeiro e o segundo volume, sabemos que eles tem a capacidade de se transformar e que, segundo a lenda, em algum momento, eles irão se virar contra os alethianos, que os escravizam há muito tempo. Quando Eshonai, uma das líderes dos parshendianos, decide liderar a transformação de seu povo, é um momento muito bom do livro. Por um lado, senti medo de que eles realmente destruam a todos. Por outro lado, torci que eles conseguissem a vingança depois de anos de escravidão e exploração. Eles adotam a forma da Tempestade e, com ela, através de seus cânticos, invocam a Tempestade Eterna, que irá desolar toda Roshar.

Shallan, assim, se torna a personagem mais importante deste enredo, pois só ela detém o conhecimento de Jasnah sobre como abrir os portais para Urithiru, um lugar mítico que seria a única forma de todos se salvaram da Tempestade. A forma como o personagem de Shallan cresce neste volume é incrível - ela começa o livro tímida e com medo de bandidos da estrada, e termina liderando todos os povos a se salvarem dos parshendianos e tornando-se uma Cavaleira Radiante. Parabéns por este arco, Sanderson! Jasnah estaria muito orgulhosa de sua pupila, com certeza.
Outro mérito de Shallan é que ela torna Adolin mais palatável. Ele, que no fundo é um príncipe mimado e entediante, ao lado dela se torna algo mais, algo maior, e a dinâmica entre os dois - que agora tem um casamento arranjado - é legal de ler. Ele me ganhou na cena final com Sadeas, e espero que continue crescendo como personagem nos próximos volumes.

Outro grande momento do livro é quando Dalinar se torna, ele mesmo, um Cavaleiro Radiante, ao se vincular ao Pai das Tempestades. A forma como ele não sucumbe à chacota e ao distanciamento político dos grão-príncipes foi ótima, e fiquei muito feliz por ele. 
Também celebrei a jornada de Kaladin, que parece ter sido eleito por Sanderson para ser o personagem que mais sofre nessa história. Ele tem vários altos e baixos ao longo do enredo, que refletem como sua relação com Dalinar é conflituosa, e como sua noção de Bem e Mal se torna bem ambígua às vezes. Kaladin recebe o final que merece, aceitando o fato de ser um Cavaleiro Radiante, embora ainda muito hesitante de ver a si mesmo como um olhos-claros. A luta dele com Szeth foi sensacional, cinco estrelas!

Mas o final foi impressionante. É de se esperar que, depois de ler mais de mil páginas, o leitor já esteja meio cansado, certo? Mas não com Sanderson. O trecho final do livro é maravilhoso, com duas plot twists que agregaram demais à intensidade do enredo - e aqui menciono o futuro de Jasnah e a descoberta de Renarin. Os últimos capítulos foram emocionantes e os dois últimos, em particular, já me deixaram motivada a encarar as 1.500 páginas do próximo volume. Em frente para "Sacramentadora"!

Avaliação do Perplexidade e Silêncio: 4/5

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