No post de hoje, vamos falar sobre a experiência de leitura do volume 4 de “Os Relatos da Guerra das Tempestades”, intitulado de “Ritmo da Guerra”, de Brandon Sanderson.
Para saber mais sobre os volumes anteriores desta saga, veja também:
Os Relatos da Guerra das Tempestades, Vol. 1 – O Caminho dos Reis, de Brandon Sanderson
Os Relatos da Guerra das Tempestades, Vol. 2 – Palavras de Radiância, de Brandon Sanderson
Os Relatos da Guerra das Tempestades, Vol. 2,5 – Edgedancer, de Brandon Sanderson
Os Relatos da Guerra das Tempestades, Vol. 3 – Sacramentadora, de Brandon Sanderson
Os Relatos da Guerra das Tempestades, Vol. 3,5 – Dawnshard, de Brandon Sanderson
A torre de Urithiru é capturada por forças inimigas lideradas pela Moldada Raboniel. Navani é forçada a trabalhar com ela em experimentos, o que leva a grandes descobertas sobre fabriais, a natureza da Luz dos Deuses e a própria conexão com a torre. Em paralelo, Kaladin está sofrendo de forte estresse pós-
Lendo “Ritmo da Guerra” foi a primeira vez na série em que eu senti que o livro poderia ser mais curto. Achei várias cenas cansativas – algumas partes de Shallan e Adolin em Shadesmar, as descrições longas e técnicas do funcionamento dos fabriais entre Raboniel e Navani, o processo de descoberta da Luz do Anti-Vazio pelas duas, entre outros momentos. Muitas cenas se repetiam, assim como alguns diálogos, sem fazer realmente a história avançar.
Além disso, os capítulos de flashback de Venli e Eshonai, que começaram na Parte III e duraram por todo o livro, foram muito inferiores aos capítulos de flashback dos três livros anteriores. Por outro lado, o nível absurdamente alto de trama — especialmente se você acompanhou todos os romances do Cosmere, mas falaremos mais sobre isso depois — só pode ser plenamente alcançado pelos maiores autores, que realmente sabem o que estão fazendo com sua história, personagens e mundos, com absoluta confiança. A explosão de revelações alucinantes que Sanderson apresentou aos seus leitores nas Partes IV e V, e a sensação gratificante proporcionada pelo nosso investimento em tudo relacionado aos seus livros, são simplesmente inesquecíveis. Fiquei impressionada de ver como as pontas se conectam, como as narrativas de outros livros se encaixam nessa enorme história e, sobretudo, o ir-e-vir de personagens e a construção dos seus arcos. Se eu não era fã de Sanderson, agora seria com toda a certeza – fico abismada de ver o escritor incrível que ele é, do ponto-de-vista técnico.
Sei que pode ser um fardo ter que ler tantos livros se você estiver com pressa para ler esta série, mas a visão de Sanderson para o Cosmere provavelmente fará com que esses crossovers se tornem mais proeminentes à medida que cada série avança. Sanderson não é apenas um criador de mundos; ele é um criador de universos, e o Cosmere é o seu playground. Sério, alguns dos eventos mais chocantes deste livro foram extremamente empolgantes para mim justamente porque já li tudo do universo Cosmere até agora, e espero que você também tenha essa experiência.
As minhas partes favoritas são relacionadas a Kaladin, nesse volume. Kaladin se tornou um dos meus protagonistas favoritos de todos os tempos e, aqui em “Ritmo da Guerra”, de alguma forma, reforçou ainda mais isso. Sabemos que Kaladin sofria de depressão profunda e TEPT (Transtorno de Estresse Pós-Traumático), e apesar disso, ele lutou incansavelmente. Mas a quantidade e a intensidade da tortura mental que ele teve que suportar neste livro foram insanas. Mesmo assim, ele continua lutando e ajudando as pessoas da melhor maneira possível, apesar de suas fraquezas. Seus sentimentos e sua dor me pareceram genuínos e reais, e eu adorava as partes que ele aparecia.
Do outro lado, Shallan e Adolin continuam sendo meus personagens menos preferidos. Tem alguma coisa em Shallan que simplesmente não me agrada, e mesmo o importante arco que ela teve neste volume não me aproximou dela. E, Adolin, que a meu ver teria a chance de se redimir com Dalinar (e com os leitores), não me parece que tenha conseguido, apesar de eu gostar muito da relação que ele estabelece com Maya, seu espreno morto. Ainda assim, não gosto muito deles, e fico levemente entediada nos capítulos que lhes competem.
Mas eu quero mesmo é falar de Navani. Que diva. Que musa. Uma verdadeira rainha. Lamento só que os capítulos dela tenham sido tão tomados pelas descrições chatíssimas de fabriais e experimentos, gostaria que o foco tivesse sido muito mais nela, em seus pensamentos e sentimentos. E adorei a relação estranha que ela estabelece com Raboniel, Branderson fugiu de todos os clichês e construiu algo cheio de camadas e nuances, eu adorei!
Este volume não é o meu preferido da série até agora, mas, como eu sempre digo, um livro mediano de Sanderson é melhor que a grande maioria das obras. Tem vários pontos da história que eu não entendi, e precisei consultar a internet para digerir – por exemplo, como Taravangian tornou-se Odium, ou como a Luz do Anti-Vazio foi criada e para quê ela serve. Também não entendi muito bem a relação dos esprenos com os seres humanos, mas estou confiando que Sanderson vai trazer esse tema de volta nos próximos.
Mas, mesmo assim, é óbvio que estou pronta para “Vento e Verdade”! Que venham mais 1500 páginas!
























