Rory Gilmore Book Challenge | As Aventuras de Huckleberry Finn, de Mark Twain

Uma das melhores coisas da série Gilmore Girls era a Lorelai Gilmore, também conhecida como Rory. Inteligente, estudiosa, sem paciência ...


Uma das melhores coisas da série Gilmore Girls era a Lorelai Gilmore, também conhecida como Rory. Inteligente, estudiosa, sem paciência para relacionamentos amorosos adolescentes e criada pela mãe solteira, Rory é uma daquelas personagens femininas que nos inspiram até os dias atuais. Ao longo da série, ela menciona 340 livros e este desafio é sobre ler todos eles. Para saber quais livros do desafio o Perplexidade e Silêncio já leu, clique aqui (alguns posts são feitos para outras sessões do blog, mas fazem parte da lista de livros da Rory).

No desafio da Rory Gilmore, há vários clássicos. Por aqui, já falei sobre "O Retrato de Dorian Gray", "O Médico e o Monstro", "Macbeth", "Em Busca do Tempo Perdido", "O Conde de Monte Cristo", "O Grande Gatsby", "Frankestein" e "Grandes Esperanças". E hoje chegou a ver de As Aventuras de Huckleberry Finn, de Mark Twain.

Este livro começa onde o livro anterior de Mark Twain, "As Aventuras de Tom Sawyer", termina, e acompanha a vida de Huckleberry Finn, amigo de Tom Sawyer. Foi publicado originalmente em 1884, criando diversas polêmicas nos Estados Unidos desde então.

Huck (diminutivo de Huckleberry Finn) começa a estória contando que, depois de cometer os crimes juvenis com Tom Sawyer, resolveu "tomar jeito": agora vive na casa de uma viúva, Widow Douglas, tentando ajudá-la e ser amável tanto quanto possível, e está levando a sério os estudos e a escola. Logo nos primeiros parágrafos, Huck mostra-se uma personagem muito carismática: é um garoto pobre, acostumado a viver nas ruas, que está tentando ficar longe de problemas. Ao mesmo tempo que é esperto e um pouco sacana, também é doce e ingênuo. Me vinculei a ele logo no primeiro capítulo.

Quando Huck finalmente consegue estabelecer uma nova rotina para si, ainda que entediante para ele, seu pai, "Pap" Finn, reaparece. Ele é uma figura abusiva, autoritária e é alcoolatra e o tira da custódia de Widow Douglas. Huck, então, volta para a sua realidade anterior, da qual tentara fugir, que envolve violência doméstica, crimes e pobreza. O garoto é uma figura tão simplória e sensível que, ainda assim, tenta compreender e ajudar o seu pai.

Na tentativa de tornar-se "mais homem e mais durão", como seu pai exige aos gritos e socos, ele volta a estreitar sua amizade com Tom Sawyer, que é o seu oposto. Tom é o líder de uma quadrilha de jovens ladrões, é corajoso, destemido e inconsequente, além de mostrar-se insensível e frio na maior parte do tempo. Huck o admira e o inveja e quer fazer de tudo para agradá-lo. Além de Tom, Huck também é amigo do escravo da filha de Widow Douglas, Jim. Jim é retratado como uma pessoa ignorante, limitada e selvagem, o que trouxe a Mark Twain uma chuva de críticas, como direi mais adiante neste post.

Huck decide, então, juntar Tom e Jim e fugir da cidade, na tentativa de livrar-se de seu pai, e os três embarcam para uma aventura em direção ao Arkansas. Nesta viagem, eles conhecem o Duque e o Rei, dois falsários que se passam por nobres para enganar os garotos, acreditando que eles são honestos. Porém, como Huck e Tom são das ruas, logo o conflito do enredo aparece.

Até hoje, "As Aventuras de Huckleberry Finn" é objeto de estudos e debates. Mark Twain faz uma narrativa estereotipada dos negros e brancos norte-americanos, incluindo gírias e palavras pejorativas e, por isso, ele foi acusado, diversas vezes, de ser racista. No entanto, Mark Twain tinha como objetivo descrever o cenário real das pessoas de sua época, sem fantasiar uma realidade nua e crua que muitos norte-americanos se recusavam a ver. Por isso, sua obra é muito importante para compreender a cultura daquela época.

Além disso, este livro de Mark Twain fala sobre encontrar a própria identidade. Huck, aos poucos, descobre quem é realmente, sem querer agradar Widow Douglas, Tom Sawyer ou seu pai. Ao longo do enredo, Huck se liberta de algumas crenças e necessidades de agradar que possuía e começa a encontrar sua própria voz. E isso o torna ainda mais encantador.

É uma leitura que recomendo, pois é um clássico cheio de contextualização social e histórica, sem ser chato ou entediante. E Huck merece ser conhecido e lido!

Avaliação do Perplexidade e Silêncio: 

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