Desafio Livros pelo Mundo | Escócia: O Médico e o Monstro, de Robert Luis Stevenson

O Desafio Livros pelo Mundo consiste em falar sobre a literatura de países fora do eixo EUA-Inglaterra e mostrar que existem coisas boas...


O Desafio Livros pelo Mundo consiste em falar sobre a literatura de países fora do eixo EUA-Inglaterra e mostrar que existem coisas boas sendo produzidas no mundo todo. Já falei sobre Portugal, Suécia e Colômbia, e agora é a vez da Escócia. O livro escolhido foi "O Médico e o Monstro" de Robert Luis Stevenson.


Meu contato com "O Médico e o Monstro" veio através de uma coletânea de livros de terror, que contém também Drácula e Frankenstein (foto ao lado). De longe, a estória de Stevenson foi a minha preferida, mesmo reconhecendo o valor dos outros clássicos do terror.
Robert Luis Stevenson nasceu em Edimburgo e também era poeta. Costumava também manter diários bastante detalhados sobre suas viagens. Morreu aos 44 anos enquanto tomava uma taça de vinho, e ninguém na época soube explicar a causa da morte repentina.
O título original deste livro é "O Estranho Caso de Dr. Jekyll e Mr. Hyde". Conta a estória de um advogado londrino chamado Gabriel John Utterson, que começa a investigar estranhos acontecimentos e comportamentos de um amigo seu de longa data, o Dr. Henry Jekyll. Gabriel, então, começa a perceber que tais acontecimentos estão relacionados a uma figura misteriosa e um tanto "maléfica" de Edward Hyde. 
Hyde começa a espalhar medo e pânico pela cidade, pois comete assassinatos a sangue frio, sem medo, inclusive, das testemunhas que assistem aos crimes. Em um determinado momento, Hyde mata um dos clientes de Gabriel e ele se sente obrigado a aprofundar ainda mais as investigações. Logo, a cada crime que Hyde comete, a polícia aciona Gabriel, pois sabem da determinação dele de ir até o fim neste caso. Neste meio tempo, Gabriel percebe que Jekyll começa a evitar suas visitas e sua companhia, culminando com a morte de um amigo em comum deles, o que deixa Gabriel ainda mais cismado.
Como o livro é de 1886, me darei o direito de falar abertamente sobre ele, sem medo de spoilers. Portanto, se você não quer saber mais detalhes sobre o livro, sugiro pular este parágrafo. Com o desenrolar da investigação, Gabriel descobre que Jekyll e Hyde são, na verdade, a mesma pessoa, e que seu amigo de longa data está passando por problemas de distúrbio de personalidade. Em uma carta deixada posteriormente, Jekyll/Hyde explica que, a partir de uma experiência química mal sucedida, ele é capaz de transitar entre as duas personalidades, e confessa que, em breve, a parte má - Hyde - acabaria vencendo a parte boa - Jekyll. O final da estória não vou contar, mas foi surpreendente, na minha opinião.
Stevenson sempre foi fascinado por escrever e refletir sobre o fato de que, em uma mesma pessoa, possam existir forças contrárias e opostas, como o bem e o mal, a saúde e a loucura. Antes de escrever "O Médico e o Monstro", ele ensaiou abordar este tema em peças de teatro e romances menores, sem ficar satisfeito com o resultado final de ambos. Até que um dia, em um sonho, ele teve a inspiração de três cenas centrais deste livro, e foi quando soube que tinha encontrado a estória certa.
Embora seja categorizado como terror, acho que este livro é mais um terror psicológico do que qualquer outra coisa. No começo, o clima de suspense e violência é marcante e as investigações de Gabriel deixam a narrativa com jeitão de Sherlock Holmes, o que diminuiu o efeito assustador, na minha opinião. Posteriormente, quando as pistas começam a levar a Jekyll, começa uma atmosfera mais sombria, onde o leitor sente que está muito próximo de encontrar as respostas - assim como Gabriel - mas ainda não consegue alcançar exatamente o que está acontecendo. Perto do fim, quando as transições de Jekyll e Hyde ficam mais claras, aí sim se estabelece o clima de terror psicológico.
Gosto muito do tema de dualidade que é abordado no livro. Também gosto do tom mais pessimista da obra, sugerindo que o lado "mal" é mais forte do que o lado "do bem". A questão da dualidade no ser humano é abordada até hoje, de diversas formas e em vários níveis, e acho que Stevenson é um dos autores que soube tratar deste tema de um jeito muito interessante e crítico. Recomendo muito a leitura deste clássico.

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