Já Li #235 - Os Relatos da Guerra das Tempestades, Vol 3.5 - Dawnshard, de Brandon Sanderson

 

Continuando as leituras da saga "Os Relatos da Guerra das Tempestades" de Brandon Sanderson, neste post teremos a resenha do volume intermediário entre "Sacramentadora" e "Ritmo da Guerra", que é "Dawnshard", ainda não publicado em português.

Caso você queira ler as resenhas dos outros volumes da série, veja abaixo:
Os Relatos da Guerra das Tempestades, Vol 1 - O Caminho dos Reis
Os Relatos da Guerra das Tempestades, Vol 2 - Palavras de Radiância
Os Relatos da Guerra das Tempestades, Vol 2.5 - Edgedancer
Os Relatos da Guerra das Tempestades, Vol 3 - Sacramentadora
Um guia sobre o universo Cosmere de Brandon Sanderson

"Dawnshard", publicado em 2020, é uma história curta (para os padrões de Sanderson) que funciona como uma ponte entre os volumes 3 e 4 de "Os Relatos da Guerra das Tempestades" e permite que o leitor fã da série aprofunde mais em personagens e enredos que não são tão explorados nos livros regulares. Este livro, em especial, cairá no gosto dos leitores que adoram "O" Lopen (como ele gosta de ser chamado), sem dúvida um dos personagens mais carismáticos da Ponte Quatro - e que fez por merecer ganhar um livro para chamar de seu.

Quando um navio fantasma é descoberto, com sua tripulação presumivelmente morta após tentar alcançar a ilha de Akina, envolta em tempestades, Navani Kholin precisa enviar uma expedição para garantir que a ilha não tenha caído em mãos inimigas, pois ela acredita que ali existe um Portal que precisa ser protegido. Cavaleiros Radiantes que voam muito perto têm sua Luz Tempestuosa drenada repentinamente, então a viagem precisa ser feita por mar. Navani, então, contrata Rysn Ftori (que aparece em Interlúdios de "Sacramentadora").

Rysn ganhou a companhia de Chiri-Chiri, uma larva alada que se alimenta de Luz Tempestuosa, uma espécie antes considerada extinta. Agora, o animal de estimação de Rysn está doente, e qualquer esperança de recuperação para Chiri-Chiri reside apenas no lar ancestral das larvas: Akina. Com a ajuda de Lopen, o Corredor do Vento que antes tinha apenas um braço, Rysn precisa aceitar a missão de Navani e navegar pela perigosa tempestade da qual ninguém jamais retornou com vida. 

Aproximadamente metade do livro se passa com a viagem marítima, onde Sanderson desenvolve Rysn, Lopen, Cord (a filha de Rocha - ótima personagem!) e Huio (um dos muitos primos de Lopen).  Além disso, temos algumas revelações sobre o Cosmere como, por exemplo, a real identidade dos cremlings - sim, aqueles caranguejinhos que ficam perambulando pelas Planícies Quebradas. E também posso dizer que, em aproximadamente 300 páginas, já gostei mais de Rysn do que de Shallan. 

Acho que os livros do Sanderson, todos eles, tem uma característica de positividade nos momentos mais sombrios, e é algo que passei a apreciar muito em suas obras. É por isso que o ponto de vista de Lopen funciona muito neste livro em particular. Adorei a atitude otimista que ele carrega, afinal, ele genuinamente só quer que as pessoas ao seu redor sejam felizes - o que pode ser comicamente enervante em vários momentos da leitura, mas funcionam como  um excelente contraste à personalidade mais melancólica de Rysn.

Minha única ressalva é em relação à resolução do problema ao final do enredo, quando Rysn usa de suas habilidades de negociação para salvar a vida da sua tripulação em um acordo com os Sleepless (li em inglês, e não sei como/se eles serão traduzidos ao português). Achei um pouco mal construído, e também achei que Sanderson tira a inteligência dos Sleepless que ele mesmo colocou na história, se contradizendo. 

Comparando com o outro volume intermediário, "Edgedancer", este aqui foi uma leitura muito mais agradável, principalmente pela ausência de Lift, uma das personagens mais chatinhas do Cosmere até agora. Além disso, "Dawnshard" fornece informações mais valiosas sobre Roshar tornando-o uma leitura mais necessária que seu antecessor.
Uma das maiores dicas é a implicação de que materiais de outros mundos do Cosmere podem ser comercializados e aparecer em outros mundos. O alumínio, por exemplo, aparece nesta história (sim, o alumínio tal qual usado em "Mistborn"). Além disso, uma das questões centrais de discussão em "Os Relatos da Guerra das Tempestades" é de que os personagens e seus poderes de cura se tornaram muito poderosos. Este livro mostra como esse problema será resolvido, com vários mecanismos e consequências, e dando a entender que nossos queridos personagens provavelmente sofrerão ainda mais nos livros que estão por vir.

Apesar de ser um livro que funciona muitíssimo bem para os fãs da série, ele também é uma leitura interessante para quem ainda não teve nenhum contato com Sanderson. Nele, temos todos os elementos da escrita presentes, além de ser uma leitura que flui simples e divertida. É uma leitura que eu recomendo.
Avaliação de Perplexidade e Silêncio: 4/5

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