Já Li #120 - Trono de Vidro, Vol.2: Coroa da Meia-Noite, de Sarah J. Maas

Resolvi dar mais uma chance para Celaena Sardothien e, por isso, a resenha de hoje é o segundo volume da série "Trono de Vidro"...


Resolvi dar mais uma chance para Celaena Sardothien e, por isso, a resenha de hoje é o segundo volume da série "Trono de Vidro", chamado "Coroa da Meia-Noite" e escrito por Sarah J. Maas

Se você quiser ler a resenha do primeiro volume, o post é este: 

Agora que Celaena Sardothien é oficialmente a Assassina do Rei, ela precisa encontrar formas de não ceder sua lealdade a um reino tirano. Por isso, ela finge matar as pessoas que o Rei determina mas, na realidade, os ajuda a escapar, inventando mentiras elaboradas que disfarçam suas reais intenções.
Em paralelo, ela mergulha ainda mais nos mistérios de Wyrd e das catacumbas do Castelo de Vidro, onde vai descobrindo pedaços da história da Magia que formam um quebra-cabeça muito mais complexo do que ela esperava. 

A leitura deste volume fluiu bem mais do que o primeiro e isso deve-se ao enorme potencial de Sarah J. Maas de receber feedbacks. Sinto como se ela tivesse levado em consideração todas as críticas e resenhas de seu livro anterior, que já era bom, e cresceu como escritora no processo. 
Um exemplo desta evolução é a própria protagonista, Celaena. Na resenha do outro livro, comentei que eu não tinha conseguido comprar que ela era a "melhor assassina do mundo", uma vez que Sarah não tinha entregado nenhuma sequência que justificasse a fama de sua própria personagem. Em "Coroa da Meia-Noite", Sarah deixou de lado seu medo (ou constrangimento) de escrever violência para adolescentes e, aí sim, acertou em cheio. Temos uma Celaena cruel, fria, violenta e sanguinária, exatamente o que o público estava esperando de sua história. Só então fui capaz de começar a gostar de Celaena e de me importar com seu futuro.

Outra mudança que gostei bastante foi a distinção entre Chaol e Dorian. No livro anterior, comentei que, para mim, eles pareciam o mesmo personagem e eu não tinha gostado de nenhum deles. Neste segundo volume, Sarah construiu melhor suas personalidades e finalmente lhes deu arcos de desenvolvimento interessantes. Gostei, sobretudo, da história de Dorian e estou curiosa para saber como ele vai lidar com seus recém-descobertos poderes mágicos. 

Há também mais cenas de ação e, para minha alegria, Sarah trouxe seu sistema mágico para o primeiro plano da trama. Fiquei dividida entre me sentir perdida e curiosa ao longo da leitura, já que Sarah não explica tudo de uma vez só. Ela vai deixando pistas pela história e Celaena as desvenda junto com o leitor. Ou seja, aqui o leitor não tem o privilégio de saber mais do que a protagonista, nós sabemos tanto quanto ela e, por isso, nos simpatizamos com suas dúvidas e dificuldades. É verdade que tive dificuldades de me conectar com alguns eventos, exatamente por causa destes "buracos" de conhecimento, mas depois superei isso e segui interessada na leitura.

Tenho, contudo, algumas ressalvas em relação ao enredo.
Uma delas é o amor incondicional de Chaol pela assassina. O final do livro, onde ele inventa uma justificativa para tirá-la de Adarlan e mantê-la segura, não me convenceu. Eu teria esperado mais um pouco para fazer Chaol se apaixonar por Celaena, mas talvez Sarah tenha algo maior em mente para os próximos volumes. Também achei que ele se tornou um pouco possessivo em relação à assassina, sempre com a justificativa de querer "protegê-la e defendê-la". Fiquei com a sensação de que ele vai querer interferir na identidade de Celaena e isso me fez gostar menos dele.
Outra ressalva é a (falta de) reação do Rei. Ele é esperto demais para não perceber que tem alguma coisa acontecendo entre Chaol e Celaena e, por ser portador de uma das chaves de Wyrd, eu acho que ele já teria sentido que Dorian e Celaena estão usando magia dentro do seu próprio castelo. Embora descrito como um rei tirano e muitíssimo cruel, acho ele super apagado na história, desde o primeiro volume, e isso me incomoda um pouco.
E, por fim, achei meio ridículo Celaena se lembrar de sua origem élfica de repente. Não houve nada remetendo a isso em nenhum ponto dos dois volumes e, do nada, plim!, Celaena recorda que é a princesa perdida de Terrissan, assim como eu me lembro que preciso colocar a roupa para lavar. Só não desisti de ler o restante da saga porque senti um enorme potencial em Sarah para entregar o final dessa história e resolvi perdoá-la por este deslize.

Por isso, no geral, é uma leitura que recomendo, e já estou planejando partir para a leitura do próximo volume. 

Avaliação do Perplexidade e Silêncio: 

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