Já Li #113 - Esqueça o Amanhã, de Pintip Dunn


Há distopias que são tão incríveis que nos deixam reflexivos por vários dias (às vezes, por anos). Contudo, há algumas distopias que são uma decepção do começo ao fim. Neste post, explico porque "Esqueça o Amanhã" de Pintip Dunn pertence à segunda categoria.

A premissa de "Esqueça o Amanhã" de Pintip Dunn é interessante e foi o que chamou minha atenção para a leitura. Em uma sociedade futurística sem data definida, as crianças, fora das famílias, são nomeadas com o dia de seu aniversário até completarem dezessete anos. Por exemplo, na escola, as crianças são distribuídas pela ordem de seus aniversários e chamadas pela data: 14 de Janeiro, 27 de Março, e assim por diante. No décimo sétimo aniversário, elas são chamadas para receber suas memórias do futuro, ou seja, um fragmento de seus próprios futuros que vão determinar todas as suas escolhas dali em diante, pois elas são obrigadas a cumprirem o que a visão mostrou.
O ambiente distópico vem da estrutura social, tecnológica e governamental que sustenta esta premissa e, no decorrer da leitura, de alguns eventos que demonstram a "maldade" do governo que permeia estas memórias do futuro.

Callie completa dezessete anos e, como todas as outras crianças, recebe sua memória do futuro. Nela, Callie vê a si mesma matando sua irmã mais nova, Jessa. O governo rapidamente intervém para prendê-la no Limbo. Toda essa narrativa lembra muito Minority Report, de Philip K. Dick e foi daí em diante que a leitura foi tornando-se desinteressante para mim. Listo, abaixo, os principais pontos fracos da obra:

A protagonista chata: Infelizmente, tenho lido diversos livros cuja protagonista é chata e insossa. A exemplo do que acontece em "O Trono de Vidro" de Sarah J. Maas, "Enraizados" de Naomi Novik e "Mentes Sombrias" de Alexandra Bracken, a personagem principal não cativa e não convence. Quando a trama começa e Callie se vê diante da angústia do assassinato da irmã, pensei que encontraria uma protagonista digna de atenção. Mas logo nos primeiros capítulos, Dunn perde o foco do desenvolvimento de Callie dando a ela um relacionamento amoroso mal resolvido. Mesmo quando Callie foge e encontra Harmony, o campo de refugiados de quem não quer cumprir sua memória do futuro, ela é apagada e não agrega quase nada ao enredo.

O relacionamento amoroso: Não entendo porque os escritores acham que, para entregar maior conflito e drama ao enredo, é necessário que exista um relacionamento amoroso entre a protagonista e um rapaz. Mais uma vez, lembrei do mesmo erro cometido em "Enraizados" de Naomi Novik. Callie retoma seu amor de infância por Logan, um menino que ficou cinco anos sem falar com ela e, depois, quando ela completa dezessete anos, retorna à sua vida sem maiores explicações. Talvez, se a estória tivesse sido contada do ponto-de-vista de Logan as coisas seriam muito mais interessantes mas, do jeito que Dunn escreveu, é um romance chatíssimo, piegas, meloso e totalmente fora de contexto.  

O ritmo e o desenrolar dos eventos: Sinceramente, não entendi o que aconteceu com a escrita de Dunn neste livro. Ele começa bem (nos três-quatro primeiros capítulos), depois fica muito tedioso e parado (focado no ridículo relacionamento com Logan) e, de repente, fica apressado e cheio de eventos sem pé nem cabeça, culminando em um final péssimo. Quando Callie descobre que sua mãe lhe contou muitas mentiras e que tais mentiras são essenciais para a solução do assassinato da irmã, Callie não reage. Ela lida com todas as mentiras como se fossem algo sem relevância e segue o jogo. 

Vilão fraco: Dunn criou várias entidades governamentais que tinham o objetivo de serem opressoras e exploradoras, como uma boa distopia merece ter, mas não entrega nada disso. As entidades são meramente uma confusão de siglas e pessoas que não convencem. O vilão não é bem definido e nem tem uma personalização convincente, deixando todo o enredo sem graça.

Demorei muito tempo para finalizar a leitura e quase desisti diversas vezes. Nada no livro prende a atenção e desperta curiosidade do que virá a seguir e, do meio para o final, parece que Dunn selecionou acontecimentos ao acaso e foi adicionando na escrita, sem amarrá-los da forma adequada.
Por estes motivos, não é uma leitura que eu recomendo.

Avaliação do Perplexidade e Silêncio: 

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