Top 5 | Cinco estórias de amor que não são clichê

Sempre comento aqui no blog que não gosto de estórias de amor e muito deste desgosto se deve ao fato de o amor ser descrito, quase semp...



Sempre comento aqui no blog que não gosto de estórias de amor e muito deste desgosto se deve ao fato de o amor ser descrito, quase sempre, com as mesmas fórmulas. Existem muitos clichês que pairam sobre a Literatura e os romances, infelizmente, muitas vezes se tornam mais um deles. Por isso, resolvi fazer um Top 5 com as estórias de amor que realmente despertaram meu interesse e que acredito que tenham relevância na Literatura.

1. Oryx e Crake, no livro de mesmo nome de Margaret Atwood

Este livro foi Sugestão de Leitura aqui. É uma excelente obra de distopia para os adoradores do gênero, onde Atwood brinca com a idéia de que o ser humano não apenas domina e manipula o planeta e os animais, como também agora controla geneticamente os seres humanos. O homem se apropria de uma tal forma da Biologia e da Natureza que passa a criar um novo tipo de Humanidade para povoar o planeta (e o Universo).
Dentro deste contexto, Crake - o protagonista da estória - se apaixona por Oryx. Oryx é uma grande personagem feminina e a escolhi como uma das minhas anti-heroínas preferidas neste post. O leitor não consegue descobrir se Oryx corresponde ao amor de Crake ou não, mas fato é que Crake não se importa - nem com a falta de reciprocidade, nem com os mistérios e crimes de Oryx. É um amor incondicional, por parte dele, sem ser piegas nem cego aos defeitos dela. E o final do relacionamento deles é completamente inesperado e original.

2. Lili e Gerda, em "A Garota Dinamarquesa" de David Ebershoff

Tempos atrás, fiz um post para a sessão O livro ou o filme? com esta obra. Retomando um pouco a sinopse do livro, ele conta a estória real de Einar, o primeiro homem a fazer cirurgia de mudança de sexo, tornando-se Lili, na década de 30. Sua esposa, Gerda, acompanha todo o processo de transição de Einar em Lili, desde os aspectos físicos até os emocionais e psicológicos. É um livro extremamente tocante, que me emocionou muito - assim como o filme. Por isso, é uma obra que recomendo a todos.
O que mais me cativou nesta estória foi o amor forte e incondicional de Gerda por Einar/Lili. Gerda compreende a essência da personalidade do (ex) marido e o incentiva a continuar com a mudança de sexo, mesmo quando esta mudança lhe provoca confusão, angústia e medos. O amor delas passa de marido-e-mulher para uma relação acima de qualquer definição, nomenclatura ou limites. Ao mesmo tempo, Gerda tenta se abrir a um novo amor, pois percebe que Einar se foi para sempre e não voltará mais, afinal, agora ele é Lili. Sem dúvida, é uma das estórias de amor mais lindas que já li, e sempre me emociono quando penso em Gerda.

3. Edmond Dantés e Mercedes, em "O Conde de Monte Cristo" de Alexandre Dumas

Os livros clássicos produzem estórias de amor que, com o passar dos anos, foram "requentadas" ou revisadas à exaustão, fazendo com que a interessância dos relacionamentos se perdesse. No caso de "O Conde de Monte Cristo", no entanto, acho que isso não foi perdido, pois continua sendo uma excelente leitura mesmo depois de mais de 170 anos de sua publicação. Para quem quiser saber mais sobre este livro, escrevi um post aqui.
Na estória, Edmond Dantés é um marinheiro ingênuo, noivo de Mercedes, que foi acusado, injustamente, de cometer um crime por Fernand, que também era apaixonado por Mercedes. Edmond é preso, Fernand fica com Mercedes e, depois de dez anos planejando uma vingança, Edmond sai da prisão com o codinome de Conde de Monte Cristo.
Claro que não foi apenas o amor que motivou a vingança de Edmond, ele também foi motivado pelo seu orgulho ferido, seu sentimento de justiça e sua raiva por Fernand. Mas, independente disso, é uma ótima estória de amor, cheia de segredos, reviravoltas, dramas e intrigas.

4. David, Catherine e Marita, em "O Jardim do Éden" de Ernest Hemingway

Este livro apareceu aqui no blog, muito rapidamente, em um post sobre homo/bi/heterossexualidade. Escrito em 1946, a obra fala de homossexualidade e amor polígamo e, por isso, percebemos como ele foi polêmico e revolucionário para a época.
Na estória, David e Catherine, recém-casados, resolvem passar a lua-de-mel na Riviera Francesa (aliás, já estive lá, em 2011, e o lugar realmente inspira romance). Depois de quase dois meses por lá, Catherine começa a ficar entediada e resolve cortar o cabelo bem curtinho, ao estilo dos rapazes. Quando retorna ao hotel, ela quer trocar de lugares com David na cama, ele sendo a mulher e ela sendo o homem. A princípio, ele aceita, mas depois começa a sentir-se desconfortável. Então, eles conhecem uma linda hóspede do hotel, chamada Marita, e ambos se apaixonam por ela. Marita, por sua vez, também se apaixona pelos dois, e eles passam a viver um relacionamento a três.
De todas as personagens, Catherine é a mais intensa e a que mais representa o amor. Ela não vê distinção entre homem e mulher, amando David e Marita muito intensamente e verdadeiramente. Tanto sentimento acaba por estremecer a relação, pois Catherine não consegue lidar com a complexidade do próprio amor que sente. 

5. Kathy e Tommy, em "Não me Abandone Jamais" de Kazuo Ishiguro

Sei que soarei bastante amarga com este meu comentário, mas não gosto de romances com final feliz. Prefiro finais reais, mesmo que tristes, do que uma resolução preguiçosa e simples para um determinado relacionamento. E acho que é por isso que "Não me Abandone Jamais" me conquistou - ele foi post na sessão O livro ou o filme?
Também com um pano de fundo distópico, a estória de Ishiguro tem como protagonista Kathy, que relembra os anos que passou na escola Hailsham com Ruth - sua melhor amiga da época - e Tommy. Kathy começa a recordar-se de uma série de pequenos incidentes envolvendo os três ao longo dos anos e, ao recordar-se, ela começa a entender melhor o que aconteceu com sua amizade com Ruth e com seu amor por Tommy. É uma estória, predominantemente, melancólica e sensível, que me fez chorar como poucos livros foram capazes.
Gosto da estória de amor deste livro pois ela não é linear nem permanente. Os amores mudam, flutuam, se revezam, somem e reaparecem, mostrando como o ser humano é instável e frágil.

E você, conhece alguma estória de amor fora dos padrões para me recomendar? Deixe aí nos comentários que vou adorar saber!

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