Desafio Livros pelo Mundo | Colômbia: Cem Anos de Solidão, de Gabriel García Marquez

O objetivo do Desafio Livros pelo Mundo é disseminar a literatura produzida em países fora do eixo EUA-Inglaterra e mostrar que existe li...

O objetivo do Desafio Livros pelo Mundo é disseminar a literatura produzida em países fora do eixo EUA-Inglaterra e mostrar que existe literatura boa em todos os lugares. Por aqui, já passaram Portugal e Suécia, e agora é a vez da Colômbia e seu incrível Gabriel García Marquez.


Gabriel García Marquez, além de escritor, também foi político e ativista na Colômbia. Sua formação em Ciências Políticas, abandonada pouco antes do fim, o levou a ser jornalista e a escrita veio depois, em segundo plano, e demorou um pouco até tornar-se sua ocupação principal. Com isso, não é uma surpresa perceber vários assuntos sociais e políticos em seus livros, que conferiram a ele projeção internacional, principalmente nos anos 70. Ele morreu recentemente, em 2014, com 87 anos.

"Cem Anos de Solidão" já ganhou diversos prêmios pelo mundo afora por causa da junção de romance com realismo mágico. A estória se passa na aldeia fictícia de Macondo, onde moram apenas 300 habitantes e é bastante pacata. A aldeia foi construída por José Arcadio Buendía quando ele tentou chegar ao mar e, não conseguindo, ficou por ali mesmo e fundou o lugar. Esta cidade aparece em outros dois livros de Marquez e pequenas referências são feitas a estas obras ("A Revoada" e "A Má Hora") e dizem que Marquez se inspirou na cidade onde morou na infância.
A narrativa começa com os filhos e netos de José Arcadio Buendía e é acompanhada pela presença de Ursula, uma senhora que vive para ver todas estas gerações e tem cerca de 120 anos de idade. Por ter acompanhado toda a família Buendía, Ursula aponta que as características de todas as personagens são herança de José Arcadio: são impulsivos, trabalhadores e extrovertidos.
José Arcadio tinha um irmão que o ajudou a construir Macondo, chamado Aureliano. Tanto ele quanto suas gerações futuras são mais filosóficos, pensadores e introspectivos, ao que Ursula também observa ao longo da narrativa.
 O livro é repleto de personagens, pois conta-se as estórias entrelaçadas de sete gerações da família Buendía, além de personagens externos que aparecem ao longo do enredo. Por isso, às vezes é um pouco difícil acompanhar os relatos de Ursula, já que ela divaga bastante, mas depois de um tempo nos familiarizamos com cada um e a leitura flui melhor. Alguém teve a paciência de desenhar a árvore genealógica da família, e só de bater o olho percebe-se como as relações entre as personagens são complexas. 



Além dos traços de personalidade, outra coisa passa de geração para geração: a sensação de solidão - daí o nome do livro. Todos os membros da família Buendía são acompanhados de uma sensação de isolamento que não cede a nada, não importa o que aconteça ao longo da estória, e o fato deles morarem em Macondo acentua ainda mais este sentimento. Assim, além de corrupção, traições, relacionamentos amorosos, brigas e revoluções, o que permanece mesmo na família Buendía é a solidão.
O mérito da obra é ter conseguido retratar a América Latina como poucos escritores foram - e são - capazes, ainda mais quando levamos em consideração que ele foi publicado no final dos anos 70. Naquela época, havia um grande e forte estereótipo dos latinos, imposto pela cultura americana, e Marquez conseguiu desmontar um pouco este cenário. Além disso, conseguiu abrir portas para que outros países e pessoas enxergassem a América Latina sob um ponto-de-vista mais humano e cultural e menos exploratório.
Não é uma leitura fácil, mas vale a pena, tanto pelo conteúdo do próprio enredo quanto pela importância que tem para nós. Afinal, também somos latinos e é possível se identificar com muitos aspectos da família Buendía.

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