Já Li #231 - A Paciente Silenciosa, de Alex Michaelides

 


A resenha de hoje é sobre um thriller psicológico de Alex Michaelides, intitulado "A Paciente Silenciosa", que eu li em dois dias.

Publicado em 2019, "A Paciente Silenciosa" é narrado em primeira pessoa pelo psicoterapeuta Theo Faber. Theo está obcecado por Alicia Berenson que, depois de assassinar o marido (Gabriel), nunca mais falou - e já se passaram quase sete anos desde então. Ela foi condenada e cumpre pena no presídio psiquiátrico Grove, onde Theo arruma um emprego com a intenção de se aproximar de Alicia.
Em paralelo, lemos também trechos dos diários de Alicia, que nos dá pistas do que realmente aconteceu nos dias que antecederam o crime.

Alicia era uma pintora em ascensão, e Gabriel um fotógrafo de moda. O relacionamento deles passa por uma crise, pois Gabriel insiste que ela está vendo alucinações quando relata que um homem a tem perseguido. No passado, o pai de Alicia cometeu suicídio e, por um tempo, ela ficou mental e emocionalmente instável, e seu marido insiste que ela está passando por outra crise nervosa, embora todos os fatos apontem que Alicia está realmente sendo observada e perseguida.
No paralelo, sabemos que a vida pessoal de Theo também está desmoronando, pois ele descobre que sua esposa, Kathy, o está traindo.

Obcecado por fazer Alicia falar, Theo começa a abordar os membros da família de Alicia (o primo, a tia, o cunhado, o gerente da galeria dela) e cada um deles é apresentado como estranho, pouco confiável e, em alguns casos, assustador. No entanto, nada realmente relevante acontece com nenhum deles como, por exemplo, a trama sobre o cunhado tê-la assediado ou o primo que pegou dinheiro emprestado. Nenhuma dessas coisas é resolvida, e parece apenas uma maneira preguiçosa de Michaelides direcionar as suspeitas do leitor para o lado errado, mas sem realmente se preocupar em transformar essas subplots em alguma coisa realmente relevante. Fiquei o livro todo esperando que algo fosse se desenvolver de algum destes personagens, mas nada chega em lugar nenhum.

É um livro ruim. Quando começamos a ler, ele parece ser algo mais inteligente do que de fato é mas, conforme a leitura avança, vamos percebendo os inúmeros buracos da história. Exemplos:
- Theo é revistado no início da história, ao chegar em Grove, pois não pode entrar com isqueiro nas dependências do hospital psiquiátrico. Alguns (poucos) capítulos adiante, ele, os outros médicos e pacientes estão fumando e acendendo seus cigarros com isqueiros. Por que colocar a cena da revista, então? Não faz sentido.
- (spoiler adiante) Theo injeta morfina o suficiente em Alicia para deixá-la em coma, mas ainda assim ela consegue atualizar o diário dela com entradas extensas e detalhadas antes de desmaiar? E consegue raciocinar a ponto de esconder o diário agora atualizado em um lugar super estratégico que Theo não encontraria? Também não faz sentido.
- O primo de Alicia bate na cabeça de Theo com um taco de baseball e ele se recupera em menos de dois minutos, como se nada tivesse acontecido. 
Além disso, a escrita de Michaelides é pobre, sem refinamento nenhum. Toda a narrativa de Theo soa forçada, quase como se estivéssemos lendo um artigo de Psicologia, e ele lança de teorias psicológicas, autores e conceitos de uma forma aleatória, acadêmica e muito chata de ler - e olha que eu sou psicóloga! Não existe sofisticação nenhuma nos diálogos e na condução da história, adotando um estilo de escrita genérico e sem sal.

Os eventos se desenrolam de forma muita rápida e simples - os obstáculos que ele encontraria em Grove e que Michaelides faz um grande alarde no início, são resolvidos em poucas linhas de um parágrafo. A resistência do primeiro e do galerista de arte em falar com ele são superadas em duas-três linhas. O relacionamento tumultuado com o psiquiatra de Alicia é desenrolado em um capítulo. A subplot de corrupção de medicamentos é exposta e resolvida - juro - em um parágrafo.
E quando finalmente sabemos o que realmente aconteceu no dia da morte de Gabriel, o plot twist - que é mediano, na melhor das hipóteses - se desenvolve inteiro em um capítulo, e aí fim da história.

E sequer me aprofundarei na problematização de que literalmente todas as personagens femininas deste livro são ou "malucas" ou submissas. (O autor é um homem). 
Não recomendo a leitura deste livro, tem obras muito melhores por aí.

 Avaliação do Perplexidade e Silêncio: 2/5

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