Antes de começar este post, já confirmo o seguinte: não tenho absolutamente nada de ruim para falar sobre a adaptação cinematográfica de um dos meus livros preferidos. Esta resenha é uma celebração ao Rocky - finalmente as pessoas sabem quem ele é! - e, também, um resumo das principais diferenças entre ambas as obras.
Se você gosta de análises livros versus filme, aqui no Perplexidade e Silêncio temos uma tonelada de conteúdos, e você pode acessá-los aqui.
E se você quer ler minha resenha sobre o livro de Weir, leia aqui: Sugestão de Leitura | Devoradores de Estrelas, de Andy Weir - neste post, também tem links para as outras obras de Weir que eu já resenhei.
Que alegria sentimos quando um livro que amamos é devidamente honrado pelo cinema. E que alegria senti quando presenciei as pessoas na sessão amando o Rocky como ele merece. Chorei da metade do filme até o fim - exatamente como eu esperava que fosse acontecer - e achei incrível ver as demais pessoas da sessão chorando também. Sigo insistindo que Rocky é um dos melhores personagens já escritos na Literatura.
A adaptação foi extremamente fiel ao livro, e os poucos ajustes feitos não prejudicaram a obra original em nenhum momento. Listo, aqui, os ajustes que mais chamaram minha atenção:
O filme tira o "hard" do gênero "hard sci-fi" que o livro se classifica. Para quem não sabe, existem diversos subtipos de ficção-científica que eu expliquei neste post, e o hard sci-fi é justamente quando os elementos científicos e tecnológicos são predominantes no enredo. No livro, o leitor encara até fórmulas matemáticas mas, no filme, essa parte foi simplificada de um jeito elegante, justo e que não prejudica a experiência geral da trama. Exemplo: no livro, Grace possui um gene específico, que permite que ele sobreviva ao coma, e justifica Stratt forçando-o a participar da missão, o que foi removido completamente no filme - e, na minha opinião, não fez falta. Também simplificou-se e resumiu-se a dificuldade de produzir combustível a partir do Astrophage, e toda batalha política e geográfica para que Stratt pudesse "alugar" o deserto do Saara inteiro para sua missão.
O fechamento do enredo no final. No livro, nós não sabemos se o Grace realmente conseguiu salvar a Terra ou não, e também não sabemos se Stratt recebeu as sondas, até porquê o livro não é sobre isso. No filme, eles optam por amarrar melhor este final, entendendo que talvez a audiência não fosse gostar de um final aberto, e acho que eles acertaram - as pessoas não iam gostar mesmo! Esse tom mais otimista do final do filme também não me incomodou nem um pouco.
Quando Grace entra na nave de Rocky, achei legal e muito bem construído, pois não temos essa cena no livro, e gostei de conhecer a "casa" de Rocky por dentro. Também gostei da cena onde eles escolhem a voz de Rocky, algo que não é necessário no livro já que lemos o Rocky quer dizer, e achei muito legal que escolheram o criador da marionete de Rocky para fazê-lo. Adicionaram um tom de "romance" entre Grace e Stratt, completamente ausente no livro, mesmo porque Stratt é mais fria e mais calculista no livro - por exemplo, ela manda explodir geleiras na Antártida para liberar metano e esquentar a Terra.
Agora, sobre o Rocky. Antes de mais nada, ele não é um pet, mas vejo que muitas pessoas se conectaram a ele por terem essa sensação. Isso, em si, não me incomoda, mas quero pontuar neste post que o Rocky é um dos seres mais inteligentes de seu povo e, no livro, ele vê Grace como inferior a ele em termos de inteligência, pelo menos no início da história. Rocky só vê Grace como um igual depois de bastante tempo de convívio. O filme, infelizmente, não deixa claro quanto tempo passa, mas eles interagem por muito tempo até que o relacionamento se estabeleça.
O filme também não deixa claro que Rocky ficou sozinho por 46 anos até que Grace chega para ajudá-lo. Quando percebemos isso no livro, começa o festival do choro, porque é de partir o coração imaginar ele lá sozinho no meio do nada do Universo.
Outra passagem de tempo omitida é que, quando vemos Grace vivendo em Erid já se passaram 16 anos, e Grace já está mais envelhecido.
Isto posto, nada disso machucou a essência da obra. A mensagem de que necessitamos de conexão para sobrevivermos segue mais forte do que nunca, e o tom de otimismo do filme está reverberando muito em todos nós, sobretudo nestes tempos tão obscuros que vivemos. Leia o livro, assista o filme, e me comprem um Rocky de pelúcia, por favor.
Se você gosta de análises livros versus filme, aqui no Perplexidade e Silêncio temos uma tonelada de conteúdos, e você pode acessá-los aqui.
E se você quer ler minha resenha sobre o livro de Weir, leia aqui: Sugestão de Leitura | Devoradores de Estrelas, de Andy Weir - neste post, também tem links para as outras obras de Weir que eu já resenhei.
Que alegria sentimos quando um livro que amamos é devidamente honrado pelo cinema. E que alegria senti quando presenciei as pessoas na sessão amando o Rocky como ele merece. Chorei da metade do filme até o fim - exatamente como eu esperava que fosse acontecer - e achei incrível ver as demais pessoas da sessão chorando também. Sigo insistindo que Rocky é um dos melhores personagens já escritos na Literatura.
A adaptação foi extremamente fiel ao livro, e os poucos ajustes feitos não prejudicaram a obra original em nenhum momento. Listo, aqui, os ajustes que mais chamaram minha atenção:
O filme tira o "hard" do gênero "hard sci-fi" que o livro se classifica. Para quem não sabe, existem diversos subtipos de ficção-científica que eu expliquei neste post, e o hard sci-fi é justamente quando os elementos científicos e tecnológicos são predominantes no enredo. No livro, o leitor encara até fórmulas matemáticas mas, no filme, essa parte foi simplificada de um jeito elegante, justo e que não prejudica a experiência geral da trama. Exemplo: no livro, Grace possui um gene específico, que permite que ele sobreviva ao coma, e justifica Stratt forçando-o a participar da missão, o que foi removido completamente no filme - e, na minha opinião, não fez falta. Também simplificou-se e resumiu-se a dificuldade de produzir combustível a partir do Astrophage, e toda batalha política e geográfica para que Stratt pudesse "alugar" o deserto do Saara inteiro para sua missão.
O fechamento do enredo no final. No livro, nós não sabemos se o Grace realmente conseguiu salvar a Terra ou não, e também não sabemos se Stratt recebeu as sondas, até porquê o livro não é sobre isso. No filme, eles optam por amarrar melhor este final, entendendo que talvez a audiência não fosse gostar de um final aberto, e acho que eles acertaram - as pessoas não iam gostar mesmo! Esse tom mais otimista do final do filme também não me incomodou nem um pouco.
Quando Grace entra na nave de Rocky, achei legal e muito bem construído, pois não temos essa cena no livro, e gostei de conhecer a "casa" de Rocky por dentro. Também gostei da cena onde eles escolhem a voz de Rocky, algo que não é necessário no livro já que lemos o Rocky quer dizer, e achei muito legal que escolheram o criador da marionete de Rocky para fazê-lo. Adicionaram um tom de "romance" entre Grace e Stratt, completamente ausente no livro, mesmo porque Stratt é mais fria e mais calculista no livro - por exemplo, ela manda explodir geleiras na Antártida para liberar metano e esquentar a Terra.
Agora, sobre o Rocky. Antes de mais nada, ele não é um pet, mas vejo que muitas pessoas se conectaram a ele por terem essa sensação. Isso, em si, não me incomoda, mas quero pontuar neste post que o Rocky é um dos seres mais inteligentes de seu povo e, no livro, ele vê Grace como inferior a ele em termos de inteligência, pelo menos no início da história. Rocky só vê Grace como um igual depois de bastante tempo de convívio. O filme, infelizmente, não deixa claro quanto tempo passa, mas eles interagem por muito tempo até que o relacionamento se estabeleça.
O filme também não deixa claro que Rocky ficou sozinho por 46 anos até que Grace chega para ajudá-lo. Quando percebemos isso no livro, começa o festival do choro, porque é de partir o coração imaginar ele lá sozinho no meio do nada do Universo.
Outra passagem de tempo omitida é que, quando vemos Grace vivendo em Erid já se passaram 16 anos, e Grace já está mais envelhecido.
Isto posto, nada disso machucou a essência da obra. A mensagem de que necessitamos de conexão para sobrevivermos segue mais forte do que nunca, e o tom de otimismo do filme está reverberando muito em todos nós, sobretudo nestes tempos tão obscuros que vivemos. Leia o livro, assista o filme, e me comprem um Rocky de pelúcia, por favor.





0 Comments