#WeNeedDiverseBooks - Conheça esta linda iniciativa!


Hoje quero divulgar uma linda iniciativa chamada We Need Diverse Books (WNDB). Se você também acredita que a literatura é uma poderosa ferramenta de inclusão, você vai adorar o propósito desta organização não-governamental.

Antes de falar mais sobre a WNDB, quero provocar em você uma reflexão: quantos livros você leu que tinham como protagonistas alguém com deficiência física ou mental? Quantos romances você leu que as personagens principais eram negras? E, indo além, quando você era criança, quantos livros infantis realmente representavam a sua realidade?
Falando sobre minha própria experiência, quando eu era criança, não tive acesso a nenhuma protagonista feminina que me representasse. Tenho muitas histórias de bullying dessa época e a literatura rapidamente se transformou em meu refúgio mas, ainda assim, nunca encontrei uma personagem com a qual eu me identificasse realmente até ler Eleanor Oliphant Está Muito Bem, de Gail Honeyman (que encontrei apenas no auge dos meus 34 anos de idade).

Pensando em questões como essas é que a WNDB foi criada. Um grupo de amantes da literatura infantil se reuniu para defender e promover mudanças mais profundas e estruturais no mundo editorial, onde livros mais abrangentes e inclusivos sejam publicados, de forma que todas as crianças se sintam retratadas e reconhecidas. O lema da WNDB é que toda realidade deve ser contada.

São mais de oito programas diferentes, dentre eles: awards anuais para escritores inclusivos, parcerias com editoras para promover a diversidade, projetos em escolas (públicas e particulares) para divulgação das obras, programas de estágio em faculdades de escrita criativa, dentre outros. Há também um blog que divulga novidades e resenhas de livros. 

Separei alguns livros de literatura inclusiva (não necessariamente infantil) para inspirar sua próxima leitura:

Kindred: Laços de Sangue, de Octavia E. Butler

A protagonista desta estória é Dana, uma mulher negra de 26 anos que, subitamente, começa a desmaiar. Nos períodos de desmaio, ela é transportada para o século 18, onde vê a si mesma ser escravizada e afastada de seu filho. Embora misture umas pitadas de ficção-científica, Octavia E. Butler não poupa violência e angústia quando retrata os horrores que os negros sofreram e tampouco romantiza a vida moderna, onde negros e negras pelo mundo todo continuam sofrendo com o preconceito.
É uma leitura que prende a atenção do leitor e o faz refletir.


Tartarugas Até Lá Embaixo, de John Green

Neste livro, Aza Holmes é uma menina de dezesseis anos que tem TOC - Transtorno Obsessivo Compulsivo. Este transtorno a leva numa busca insana por um bilionário desaparecido. O grande trunfo deste livro é a forma como John Green fala sobre os pensamentos obsessivos de quem sofre desta doença, e o quanto estes pensamentos levam a pessoa a uma espiral de deduções e decisões que, pouco a pouco, foge do controle. Além disso, o enredo mostra a necessidade de ajuda para estas pessoas, que acabam se isolando dos relacionamentos e da sociedade.
John Green também é um dos principais porta-vozes da WNDB, como você pode ver nesta campanha.

Dumplin', de Julie Murphy

Este livro recentemente virou uma adaptação cinematográfica no Netflix e eu fiquei completamente apaixonada pela estória.
Willowdean Dickson, a Dumplin', é uma heroína diferente dos clichês. Para começo de conversa, ela se aceita sendo gorda e é uma fã inveterada de Dolly Parton, uma cantora de country music. Sua tia era seu modelo e referência na vida e, quando esta morre, Dumplin' se vê diante do abismo que há entre ela e sua mãe.
Sua mãe é ex-miss no Texas e vive em função da beleza, e Dumplin' se ressente pelo fato da mãe não aceitá-la como ela é.

 E outra coisa que enche meu coração de orgulho é que a WNDB é comandada por três mulheres super empoderadas: Ellen Oh, Dhonielle Clayton e Judy Schriker. Elas ficaram indignadas quando participaram de um painel sobre literatura em 2014 composto apenas por homens na faixa dos 30 anos. Ali elas decidiram que tentariam mudar o mundo. 

Para fazer parte desta iniciativa, é possível se inscrever como voluntário(a) ou fazer doações. É só acessar o site oficial.

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