O livro ou filme? | O Jogo do Exterminador, de Orson Scott Card (Ender's Game)

Quando assisti o filme "Ender's Game - O Jogo do Exterminador" , lançado em 2013, fiquei muito empolgada em saber que a e...



Quando assisti o filme "Ender's Game - O Jogo do Exterminador", lançado em 2013, fiquei muito empolgada em saber que a estória tinha sido adaptada de um livro de ficção-científica escrito por Orson Scott Card em 1985. Finalmente consegui ler o livro e este post falará das suas obras.

Orson Scott Card costumava escrever contos e "O Jogo do Exterminador"foi seu primeiro livro, escrito com a ajuda de sua mãe, sua leitora-beta por excelência. Ele defende que "O Jogo do Exterminador não funciona por ser uma ficção científica nem por ser uma história de guerra. Também não funciona apesar dessas coisas. O Jogo do Exterminador funciona por ser a história de um indivíduo dentro de uma comunidade."

A estória se passa em um futuro onde a Terra está em guerra com seres alienígenas, os insecta. Pela falta de seres humanos adultos neste futuro pós-apocalíptico, as crianças são treinadas para a guerra desde os seis anos de idade, mas elas precisam ser aprovadas em alguns testes militares. Além disso, a família precisa ter uma autorização para ter mais de um filho. O controle de natalidade é necessário para controlar a vida na Terra, já que o planeta não tem suprimentos para todos. 

Neste contexto, a família Wiggin tem três filhos: Peter, Valentine e Ender. Peter não foi aprovado nos testes militares por ser muito violento e desumano (eu diria que ele é um psicopata, na realidade) e Valentina não foi aprovada por ser pacífica e pouco combativa. Ender, no entanto, passa nos testes e é escolhido para ser treinado para a Guerra contra os insecta. Em paralelo, Peter e Valentine deixam de lado das diferenças (que são muitas) e fingem ser adultos na rede/internet, com o objetivo de interferir em uma guerra entre os humanos que está por vir.

Confesso que comecei a leitura com o pé esquerdo, ao me deparar com esta passagem:

"— Só há meninos? (na Escola de Guerra)
— Umas poucas meninas. Elas não costumam passar nos exames de admissão. Há muitos séculos de evolução trabalhando contra elas. Nenhuma delas será como Valentine, porém. Mas você vai encontrar muitos irmãos lá." (O Jogo do Exterminador, Orson Scott Card)

Poderíamos ficar horas aqui debatendo o absurdo de desconsiderar as meninas como potenciais excelentes soldados só pelo fato delas serem do sexo feminino. Mas, como o foco do post é a comparação das obras, respirarei fundo e deixarei para voltar com minha revolta em outro momento. Fato é que este trecho está logo no início do livro e já foi uma antecipação de que muitas outras frustrações viriam ao longo da leitura.
Depois, vim a saber que Orson Scott Card é contra os Direitos Civis dos Homossexuais. Ou seja, se você procura um escritor inspirador, tolerante, aberto às mudanças do mundo e respeitoso, não leia este cara. Eu, inclusive, pretendo não ler mais nada dele.

No filme, Ender Wiggins é interpretado pelo incrível Asa Butterfield. A estória se mantém fiel ao livro, nas premissas e, principalmente, nas batalhas de treinamento que Ender vai disputando ao longo de sua formação como comandante da esquadra. 

O livro ou o filme? O filme.

Ender, no livro, não é uma personagem cativante. O leitor já sabe, de antemão, que ele irá vencer toda e qualquer batalha que disputar, assim como o leitor também sabe que ele sofrerá bulling, represálias e manipulações. Depois de alguns capítulos, a narrativa entra num looping vitória-bulling-isolamento-vitória que se torna extremamente cansativo. Por isso, Ender acaba tornando-se um protagonista linear e chato. No filme, no entanto, Asa Butterfield lhe conferiu mais vida e mais carisma, tornando-o mais agradável e com uma certa evolução ao longo da trama.

Além disso, outro ponto a favor do filme são as cenas dos treinamentos e das batalhas. No livro, Orson preocupa-se demais em descrever táticas de guerra e estratégias, bem como as mudanças de movimento provocadas pela ausência de gravidade dos ambientes de simulação. Este é outro ponto que torna a leitura cansativa, pois as batalhas repetem-se em todos os capítulos, sempre com as mesmas descrições. No filme, no entanto, tais cenas são dinâmicas, interessantes e bem feitas em Computação Gráfica, prendendo a atenção do expectador.

Por fim, no livro há uma subplot desnecessária protagonizada por Valentine e Peter, os irmãos de Ender. É impossível acreditar que duas crianças na faixa dos dez anos de idade possa controlar governos do mundo inteiro apenas por mensagens na  internet. Ainda bem que, no filme, eles tiraram esta parte, pois não faz nenhum sentido. O leitor já é obrigado a engolir que Ender, com oito anos de idade, pôde liderar uma Guerra alienígena e, depois, ainda digerir que duas crianças controlam governos é inviável.

Por isso, embora eu recomende o filme, não recomendo a leitura do livro - e muito menos este escritor bitolado. 


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