Sugestão de Leitura | O Trílio Negro, de Marion Zimmer Bradley, Julian May e Andre Norton

Se você faz parte daquela parcela da sociedade que não aguenta mais obras sobre princesas desprotegidas e românticas, recheadas de clich...


Se você faz parte daquela parcela da sociedade que não aguenta mais obras sobre princesas desprotegidas e românticas, recheadas de clichês e estereótipos, esta leitura lhe cairá bem. Três grandes escritoras do universo fantástico juntaram-se para criar três princesas incríveis, em um livro revigorante e inspirador.

Antes de falar sobre o livro, farei uma breve introdução a cada uma das escritoras, pois elas merecem.
Marion Zimmer Bradley é a mais conhecida do trio e tenho falado bastante dela aqui no Perplexidade e Silêncio pois estou lendo as onze partes do Ciclo de Avalon
Julian May é escritora de fantasia, ficção-científica e horror e sua obra mais conhecida é "Saga of Pliocene Exile", que envolve um apocalipse, viagens no tempo e expedições arqueológicas (não publicada no Brasil ainda).
Andre Norton é o pseudônimo de Alice Norton, escritora de ficção-científica e ficção-histórica. Ela recebeu os prêmios mais altos da comunidade destes gêneros literários e é a única mulher a ter recebido tantas condecorações neste segmento, usualmente dominado pelos homens. Sua bibliografia é enorme.

O universo de Trílio Negro é composto por cinco livros, todos escritos em conjunto pelas três autoras. Cada autora ficou responsável por uma das personagens principais e sua narrativa correspondente.

Em um planeta fictício, dominado por pântanos e criaturas grotescas, os oddlings, três princesas precisam recuperar seu reino, Ruwenda, que foi atacado e dominado pelo Rei de Labornok, uma região afastada que quer usufruir do comércio e da economia gerada pelas criaturas do pântano. As princesas fogem deixando para trás seus pais, que foram brutalmente assassinados. A única coisa que elas levam consigo é uma profecia muito antiga, feita ela Arquimaga Binah, quando elas ainda eram crianças: "Essas três pétalas do trílio Vivo, suas filhas, tem á sua espera um destino terrível e terríveis tarefas, mas o tempo para isso ainda não chegou."

O Rei de Labornok, Voltrik, se associou ao mago da região, chamado Orogastus. Em contraponto à Arquimaga Binah, Orogastus executa magias negras e promove a morte e a destruição.

Haramis é a filha mais velha, sendo, assim, a futura Rainha de Ruwenda, assim que conseguir resgatar a terra do poderio de Labornok. Ela é conhecida por ser estudiosa, inteligente, estrategista e introvertida, sendo a mais sábia e com mais maturidade emocional das três princesas. Ela foi criada por Marion Zimmer Bradley e as semelhanças com Viviane de "As Brumas de Avalon" não são poucas. Haramis se relaciona com Orogastus, provocando dúvidas se ela teria ido para o lado do Mal, e isso me lembrou a personagem Deoris de Marion.

A filha do meio é Kadiya. é a exploradora. Muito curiosa sobre os terrenos do pântano e sobre as criaturas que lá vivem, ela é a mais viajada da família. Além disso, tem um espírito muito combativo e prático e acha que tudo pode se resolver através de brigas e vingança. Esta princesa foi escrita por Andre Norton.

E a filha caçula é Anigel. No começo, Anigel é a típica princesa medieval, que sabe apenas bordar e tocar piano e sonha em encontrar o príncipe encantado. Embora doce e empática, ela é muito covarde e mimada. Porém, Anigel é a princesa que mais evolui ao longo da narrativa e torna-se uma mulher incrível e completamente diferente do estereótipo que representava no início. Ela foi brilhantemente escrita por Julian May.

Cada capítulo destina-se a uma princesa, que tem seus destinos separados durante a batalha no castelo de Ruwenda. As três visitam, em momentos diferentes, a Arquimaga Binah, que determina que cada uma encontre um artefato mágico: Haramis deve encontrar o Círculo de Três Asas, Kadiya o Olho Chamejante de Três Partes, e Anigel o Monstro de Três Cabeças. Juntos, estes artefatos formam o Cetro do Poder Triune, a única maneira de derrotar Orogastus.

As princesas também contam com a ajuda dos seres do pântano, que são diversos e podem fazer o leitor desatento se perder. As escritoras criaram um universo com jeitão de ficção-científica, com criaturas e tecnologias próprias e bastante imaginativas. Existem diversos povos que vivem nos pântanos e eles tem características bem distintas uns dos outros. Assim, os oddlings são subdivididos em wyvilos, skiriteks, glismaks, vispis, e assim por diante. Gostei muito desta parte do enredo, pois achei que trouxe aprofundamento e seriedade para a estória.

Há pouquíssimo sobre relacionamentos amorosos nesta estória, pois o foco não é esse. É um livro sobre a grandeza das mulheres, sua capacidade de evolução e de conquista, a resistência frente às ameaças e à frustração e sua vontade de seguir a própria vocação. Recomendo muito a leitura desta estória.

No meu canal do YouTube, falei sobre a presença e a magia do número três na Literatura. Se você gosta deste tipo de assunto, assista ao vídeo aqui.

Avaliação do Perplexidade e Silêncio:

Posts Relacionados

Comente com o Facebook

0 comentários