Já Li #27 - O Ciclo de Avalon, parte 3: A Casa da Floresta, de Marion Zimmer Bradley

Muita gente não sabe que a série "As Brumas de Avalon", de Marion Zimmer Bradley, é, na realidade, a última parte do Ciclo de ...


Muita gente não sabe que a série "As Brumas de Avalon", de Marion Zimmer Bradley, é, na realidade, a última parte do Ciclo de Avalon. Este ciclo é composto de doze livros, sendo que os quatro últimos são "As Brumas de Avalon", e seu objetivo é contar a estória de Avalon, desde os seus primórdios. Todos os livros são contados pela perspectiva feminina e focam na contribuição das mulheres para a política, economia e religião da Bretanha.

Já falei sobre a duas primeiras partes deste Ciclo: A Queda de Atlântida e Os Corvos de Avalon. Agora, cheguei na terceira parte do Ciclo, "A Casa da Floresta".

No livro anterior, "Os Corvos de Avalon", o leitor acompanha a saga de Boudica, uma rainha destemida que combate a invasão romana e tenta, com todas as suas forças, impedir que Roma acabe com a religião pagã e com os templos pagãos ao sul da Bretanha. Assim, "A Casa da Floresta", o livro seguinte, mostra que Boudica não foi tão bem sucedida quanto gostaria, pois muitas sacerdotisas foram violadas e assassinadas pelos exército romano.

A narrativa começa mostrando Gaius, um soldado filho de um Governador romano muito famoso e perigoso, caído em um buraco com a perna quebrada. Ele voltava de seu período de férias e estava a caminho do acampamento militar de seu pai, onde continuaria as atividades de invasão da Bretanha. À beira da morte por causa da fome e do frio, ele é salvo por Eilan e sua família, todos pagãos. Ele não se apresenta como romano, pois sabe que a família não irá ajudá-lo se souberem que ele é o inimigo. 

Eilan, uma garota que almeja ser Grã-Sacerdotisa, logo se afeiçoa à figura de Gaius, e cuida dele dia e noite, garantindo que ele fique são e salvo. Gaius permanece na casa da família por quase duas semanas e, neste período, percebe que os costumes pagãos não são maléficos e perigosos como Roma diz. Além disso, ele é bem cuidado por todos e percebe que aquela família é muito esclarecida e culta, diferente da visão de brutos e ignorantes que o Império Romana transmite sobre os pagãos da Bretanha. Não demora muito até que Gaius comece a questionar tudo o que aprendeu ao longo da vida. Eilan e ele se apaixonam, consumando o amor deles no Festival do Beltane.

O leitor percebe logo no início da narrativa que o amor entre Eilan e Gaius é proibido, afinal, ele é romano e ela é bretã. Além desta questão política que impossibilita o relacionamento deles, Eilan não quer abdicar de seu sonho de ser sacerdotisa, nem Gaius quer deixar o exército para trás. Eles tentam, sem sucesso, obter a aprovação das respectivas famílias e, com muito pesar e angústia, decidem se separar. No entanto, Eilan espera um filho de Gaius e precisa manter a gravidez em segredo, pois sacerdotisas devem ser virgens e ela correria o risco de perder seu posto. Além disso, ela teme que os romanos matem seu filho e, por isso, guarda segredo até de Gaius.

Os arcos temporais nos livros do Ciclo de Avalon são longos. Muitos anos se passam entre um acontecimento e outro e o leitor precisa ficar atento, pois a passagem do tempo não é clara na narrativa. Gaius e Eilan se encontram e desencontram várias vezes ao longo da estória, como consequência das complicações políticas entre Roma e Bretanha. Gaius atinge níveis de poder dentro do Exército e Eilan torna-se sacerdotisa, e ambos ficam divididos entre o amor e as obrigações com seus respectivos povos.

Há ainda a estória paralela de Caillean, que será a protagonista do próximo livro do Ciclo, chamado "A Senhora de Avalon". Ela torna-se amiga e confidente de Eilan, protegendo-a ao longo da trama e ajudando-a a ficar com Gaius (o que nem sempre é bem sucedido).Tanto Eilan quanto Caillean parecem ser as reencarnações das irmãs da primeira parte do Ciclo, "A Queda de Atlântida", Deoris e Domaris.

Na minha opinião, este livro é melhor do que os dois anteriores. A estória de amor entre Gaius e Eilan foi escrita na medida certa: não é clichê nem "melosa", e sim, real e complexa, mostrando uma personagem feminina forte que não coloca o homem em primeiro plano. Eilan, antes de mais nada, se sente comprometida a manter a Ilha das Maçãs - ou seja, Avalon - a salvo dos romanos, e decide esconder a Ilha em brumas mágicas, para que o Império Romano não a encontre. Ela também tem um rápido encontro com um mago que parece ser Merlin, que a guia e a orienta nesta missão. Além disso, a trama política envolvendo Roma e Bretanha foi mais bem escrita do que nos volumes anteriores.

Embora os livros do Ciclo tenham uma ordem cronológica, eles podem ser lidos separadamente, pois não prejudica o entendimento. Por isso, caso alguém queira se inteirar um pouco sobre a história de Avalon, recomendo começar por este volume.

Avaliação do Perplexidade e Silêncio: 

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