Já Li #24 - Trilogia de Merlin, vol 2: As Colinas Ocas, de Mary Stewart

Aqui no Perplexidade e Silêncio, sempre há espaço para falar de literatura sobre temas medievais. Já falei sobre "A Viajante do Tem...


Aqui no Perplexidade e Silêncio, sempre há espaço para falar de literatura sobre temas medievais. Já falei sobre "A Viajante do Tempo" de Diana Gabaldon,  sobre "O Rei do Inverno" de Bernard Cornwell, sobre o Ciclo de Avalon de Marion Zimmer Bradley e muitos outros posts sobre o tema ainda virão.

Falei sobre o primeiro volume da Trilogia Merlin, "A Caverna de Cristal", neste post. A premissa desta trilogia é contar a infância de Merlin e sua vida, suas origens, pais, experiências e passado, desde quando era ainda uma criança. Mary Stewart decidiu misturar elementos de ficção com fatos históricos para criar uma narrativa mais completa da vida de Merlin.

Recentemente, li o segundo volume desta trilogia, "As Colinas Ocas", e uma observação precisa ser feita: se você ainda não leu o primeiro volume, cuidado, pois como este livro é continuação do anterior, inevitavelmente aparacerão alguns spoilers.

A estória começa com um Merlin já conformado com a fama de mago que conquistou ao longo dos acontecimentos dos últimos anos. Filho bastardo do ex-rei Ambrosius, ele ajudou ao rival de seu pai, o Rei Uther, a chegar ao trono da Bretanha e ter um filho com a então esposa do rei Ambrosius, Ygraine. Valendo-se de magia e de subterfúgios, Merlin foi o responsável pela invasão do castelo do ex-rei, e esta estória logo de espalhou por todo o Reino. Embora ele esteja conformado com sua fama, ele não se acostuma com ela, pois continua vendo a si mesmo como um garoto bastardo que gosta de silêncio e reclusão.

Merlin, então, retorna aliviado para sua caverna (a tal Caverna de Cristal do primeiro volume), enquanto aguarda pelo nascimento do filho bastardo de Uther e Ygraine. O leitor logo percebe que este filho é Artur, por causa das profecias e da Visão que Merlin teve no momento de sua concepção. Merlin sabe que Artur será um grande líder e, da sua caverna, prepara os próximos passos da vida da criança, para que Artur realmente cumpra as profecias. Para que seu plano de ação dê certo, Merlin precisa mobilizar uma série de pessoas de confiança, que guardarão o segredo do Rei Uther, ou seja, que ele tem um filho bastardo pronto para sucedê-lo no trono.

Merlin logo se identifica com Artur, pois ambos são filhos bastardos de Reis. Merlin nunca almejou o trono nem o poder, mas entende que Artur será uma pessoa completamente diferente dele, destinado a liderar batalhas e ser um herói. Por isso, Merlin quer garantir a melhor infância possível a Artur, livrando-o dos sofrimentos e preconceitos que ele mesmo sofreu quando era um garoto (e que são descritos no primeiro volume da trilogia). Assim, o leitor percebe, logo no início do segundo volume, o amor e a devoção que Merlin tem por Artur, mesmo quando este último ainda era apenas um bebê. 

Grande parte do livro é centrada nos preparativos e arranjos de Merlin para manter Artur seguro. Fiquei ansiosa esperando pelo momento que Artur reapareceria na estória, quando já estivesse crescido e pronto para ser apresentado ao seu verdadeiro pai, o Rei Uther. A descrição de Mary Stewart de um Artur adolescente é impecável: ela criou uma personagem fantástica, carismática e forte exatamente como imaginamos Artur, de um modo bastante humano e possível. Acredito que este seja o grande mérito da escrita de Stewart, pois ela faz o mesmo na construção de Merlin. Portanto, se você já gosta de ambas as personagens, ao ler a Trilogia de Merlin vai amá-los ainda mais.

Também é interessante como Merlin vê a si mesmo, escutando as lendas e mitos sobre si mesmo com um distanciamento sarcástico e divertido. Ele não compreende como conquistou a aura de sábio mas usa-a a seu favor, intimidando aqueles que possam ameaçar Artur. 

É uma leitura que recomendo muito para quem gosta da Era Arturiana. Mary Stewart enriqueceu e aprofundou muito estas personagens, conferindo-lhes mais camadas sentimentais e subjetivas do que os outros livros costumam retratar. Este segundo volume, inclusive, achei muito melhor do que o primeiro, pois tem mais ação, surpresas e um enredo mais dinânico. Agora, estou pronta para começar o terceiro volume da trilogia, chamado "O Último Encantamento".

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