Sugestão de Leitura | Série A Roda do Tempo, de Robert Jordan

E aí você descobre uma saga literária maravilhosa, pouco conhecida, que já está no 14º volume e tem uma estrutura similar a "O Senhor...



E aí você descobre uma saga literária maravilhosa, pouco conhecida, que já está no 14º volume e tem uma estrutura similar a "O Senhor dos Anéis" de Tolkien. Como não amar? "A Roda do Tempo", de Robert Jordan, é uma leitura im-per-dí-vel para os fãs de Alta Fantasia e de Fantasia Épica.

James Oliver Rigney Jr, falecido em 2007, possuía diversos pseudônimos e cada um servia a um gênero literário que escrevia (faroeste, romances históricos, etc). Robert Jordan foi o pseudônimo escolhido para sua saga de fantasia épica, "A Roda do Tempo",  que começou a ser escrito em 1984. Atualmente, quem escreve a saga, após sua morte, é o Rei Brandon Sanderson, e já falei sobre ele aqui.
A minha empolgação com a saga foi tanta que resolvi fazer as fotos que ilustram este post.



A primeira coisa que notamos na série é que os livros são longos. O menor deles que li, até agora, tinha quase 700 páginas. Isso pode afugentar alguns leitores, mas garanto que cada página vale a pena ser lida, pois Jordan criou um mundo extremamente detalhado, complexo e criativo - e daí surgem as comparações com Tolkien. Há um grande número de personagens, mas, ao contrário do que acontece normalmente, não as confundimos e nem nos perdemos nas referências, pois há muita coesão entre as estórias, as personagens e os capítulos.
A estrutura do sistema mágico da saga também é excelente, desde saidin/saidar, que são poderes masculinos e femininos que controlam o mundo (para o Bem e para o Mal), até a figura de um Demônio assustador, chamado Shai'tan.
Há diversos povos e culturas ao longo dos livros, que são apresentados ao leitor conforme as personagens percorrem o mundo em busca de completar suas próprias missões. As missões são interligadas, pois fazem parte da Roda do Tempo, um elemento análogo ao Destino, que tece um padrão que ninguém pode alterar.
Das diversas personagens, três delas são ta'veren, ou seja, são imprescindíveis e fundamentais para a teia da Roda do Tempo e não podem, por mais que tentem, fugir de seus destinos: Rand al'Thor, Mat Cauthom e Perrin Aybara. No entanto, a narrativa dos livros é mais focada em Rand por motivos de... não posso dizer, pois seria um enorme spoiler.

É bastante complicado sintetizar uma obra deste tamanho, portanto, vou me concentrar no primeiro livro da saga, chamado "O Olho do Mundo".
Rand, Mat e Perrin viviam em uma comunidade bastante pacífica e isolada do resto do mundo, chamada Campo de Elmond. O leitor é apresentado a eles e também a Eugene, uma garota amiga dos meninos, e Nynaeve, a Sabedoria da aldeia (uma espécie de curandeira/sacerdotisa). Nas vésperas do Festival da Primavera, uma mulher misteriosa, chamada Moiraine, e um rapaz que é seu Guardião, Lan, aparecem sem grandes explicações em Campo de Elmond, levantando uma série de boatos entre a população. Esta fica com medo, pois percebem que Moiraine é uma Aes Sedai, uma figura poderosa que pode canalizar saidin (como disse antes, este poder pode ser usado para o Bem ou para o Mal).
Na noite do Festival, a aldeia é incendiada e destruída por trollocs (similares aos orcs de Tolkien) e comandados por Myrddrall, um homem sem olhos que é personificação do Mal e de Shai'tan. Depois deste incidente, Moiraine foge da aldeira levando Rand, Mat e Perrin com ela, pois ela alega que o Myrddrall estava procurando por eles. Assim, ela quer levá-los a Tar Valon, sua cidade e onde, em tese, eles estarão seguros.
A partir daí, eles começam a descobrir uma série de mistérios e segredos que Moiraine tentou esconder dos três garotos e, aos poucos, eles percebem que fazem parte de uma trama muito maior e mais perigosa da Roda do Tempo. Também acompanhamos as dúvidas e dificuldades que cada um dos três garotos tem em cumprir sua parte da teia do Tempo, pois eles nem sequer imaginavam que seriam parte de algo tão modificador da existência do mundo inteiro.


Outro aspecto que gosto muito nesta obra é a construção das personagens, principalmente das mulheres. Jordan realmente deu vida e identidade a cada uma delas ao longo da narrativa, e é fácil - muito fácil - criar vínculos afetivos. As mulheres são inteligentes, corajosas, determinadas e poderosas, daquelas personagens que admiramos e nos fazem querer ser melhores do que somos. É muito inspirador. Além disso, nenhuma personagem é binária, ou seja, 100% boa ou 100% má, elas transitam entre diversos valores e moral o tempo todo, o que torna a estória rica e interessante.
Minha personagem favorita, até agora, é Lan, o Guardião. No início do livro, ele é muito fechado e ninguém sabe sobre suas origens. Com o desenvolvimento da trama, é revelado que ele tem um papel maior e mais importante, assim como mostram-se as renúncias e perdas que ele teve ao longo da vida. 
Poderia ficar dias falando sobre esta saga e, ainda assim, não conseguiria descrever os vários aspectos incríveis dela. Quer um conselho? Apenas leia! E depois venha conversar comigo e me ajudar a criar um fã-clube. 

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1 comentários

  1. Oie!

    Totalmente não conhecia essa série e o tamanho me lembrou As Crônicas de Fogo e Gelo haha. Não que eu tenha medo de livros grandes, mas esses parecem intermináveis haha. A história me cativou mais ou menos, acho que porque não tô muito no clima desse tipo de literatura. Aliás, me sinto bem culpada, porque gostaria de ler mais fantasia, só que acabo deixando de lado :/ Mas adorei a recomendação, acho bom disseminar esses livros pouco conhecidos! E achei super legal o autor criar um pseudônimo para cada gênero que escreveu! Me lembrou bastante o Pessoa. Nunca tinha ouvido falar de algum escritor estrangeiro que tivesse feito algo semelhante ao Pessoa.

    Love, Nina.
    http://ninaeuma.blogspot.com/

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