TOP 5 | Cinco Livros que Abandonei

Dizer que abandonamos um livro soa meio esquisito, na minha opinião. Parece preguiça do leitor, má vontade ou falta de gosto/capacidad...


Dizer que abandonamos um livro soa meio esquisito, na minha opinião. Parece preguiça do leitor, má vontade ou falta de gosto/capacidade de entender uma determinada estória, às vezes. Mas acho que, para alguns livros ou estilos de leitura, é preciso estar num ânimo especial para conseguir ler. Não sei dizer se, nos livros abaixo, eu não estava no humor correto na época, mas fato é que não consegui terminá-los. 

O Grande Gatsby - F. Scott Fitzgerald

Na época da faculdade, cinco anos de acesso irrestrito à biblioteca de Letras me fizeram mergulhar em quase todos os clássicos famosos. De Marcel Proust a Alexandre Dumas, posso dizer (com um certo orgulho) que li bastante nesta área. Porém, "O Grande Gatsby" não me fisgou, e o larguei na metade. Anos depois, dei uma segunda chance ao livro e tentei lê-lo de novo. Adivinhem? Abandonei outra vez.
O livro conta a estória de Gatsby, um milionário excêntrico que tenta reconquistar seu amor do passado, Daisy, que já está casada com outro homem. Tudo é contado pelo ponto-de-vista de Nicky Carraway, vizinho de Gatsby, e que olha tudo de fora, como um expectador de um teatro.
Não gostei do livro porque tudo é muito óbvio: os conflitos, o drama pessoal de cada personagem e o desenrolar das ações deles. Não há mistérios. Fiquei esperando a estória engrenar e, de repente, notei que ela não engrenaria: era aquilo mesmo e pronto.


Jogos Vorazes, Volume 2 - Suzanne Collins

Talvez minha opinião seja polêmica, mas vamos lá: Jogos Vorazes é um dos raros casos que prefiro os filmes aos livros. Li os três livros - ops, corrijo: li dois livros e meio, porque o segundo abandonei - e achei que os filmes conseguiram transmitir melhor a energia de Katniss, a atmosfera de desolação dos Distritos e a pantomina da Capital.
O primeiro e o terceiro livro eu gostei, mas o segundo não me fisgou. Por tratar-se da estória pós-conquista dos Jogos Vorazes, eu esperava uma Katniss mais ativa e construtiva (exatamente como ela ressurge no terceiro livro). Porém, por ela ser a personagem principal da trama, achei que Suzanne explorou pouco as qualidades dela e a deixou apática e, para falar um Português "bemdizido" (rs), mimizenta. Não gosto de personagem feminina fraca. Abandonei e pedi para me contarem como terminava a estória. #NoRegrets
Mas, que bom que Katniss volta com força total no último livro da saga!


As Intermitências da Morte - José Saramago

Em minha defesa, digo: 1) Adoro um Português intrincado e difícil de ler (mamãe Clarice Lispector não me deixa mentir); 2) Adoro estórias existenciais e profundas e 3) Sei que Saramago é um gênio da Literatura contemporânea. Isto posto, continuemos.
O livro é dividido em três partes: a primeira é uma divagação sobre "se não existisse a Morte, como a Vida seria?"; na segunda parte, a divagação começa aos poucos se concretizar em um enredo e; na terceira parte, aparece a estrutura clássica de personagens e narração. Até aí, tudo certo.
Porém, a transição de Saramago da parte um (divagação) para a parte três (narração), não me prendeu como leitora. Na minha opinião, a divagação e a estória poderiam vir juntas, lado a lado, sem divisões.
No entanto, ainda pretendo retomar a leitura deste livro e dar-lhe uma segunda chance.



Madame Bovary - Gustave Flaubert

De volta aos clássicos. Acho que meu problema com a Madame Bovary foi "expectativa vs. realidade". Eu esperava um livro mais subversivo para a época, com uma personagem feminina polêmica e uma narrativa revolucionária para os padrões vigentes. Uma mistura de Capitu com Moulin Rouge. E aí, me decepcionei.
Madame Bovary narra os adultérios cometidos pela Madame do título, em 1857, esposa de um médico respeitado, questionando os valores morais e sociais que existiam naquele momento. Porém, a narração de Flaubert fica mais focada nos eventos cotidianos da França, e não tanto nos movimentos e sentimentos de Madame Bovary - e foi aí que perdi o interesse pela obra.
E pensar que, mesmo com essa sutileza toda dele, ele foi parar no Tribunal tendo que responder por crimes de perjúria. Imaginem se ele tivesse narrado de fato os adultérios da Madame!
Ela tinha tudo para ser uma grande personagem da Literatura, mas achei que deixou a desejar.


O Tempo e o Vento - Erico Veríssimo

A palavra "trilogia" faz meu coração bater mais rápido: AMO ler trilogias. E, muito empolgada, quis ler a trilogia de Érico Veríssimo, chamada O Tempo e o Vento. O vol. 1 chama-se O Continente, seguido por O Retrato e O Arquipélago.
O primeiro volume narra a formação do Rio Grande do Sul a partir de três famílias principais. Eu sabia que a trilogia toda tratava-se da história do Brasil contada a partir do ponto-de-vista da Região Sul, mas eu esperava que a narração fosse ser mais intimista e personalizada. Eu esperava que a história fosse ser contada a partir de percepções, pensamentos e sentimentos de meia dúzia de personagens centrais de um enredo adjacente à formação do Estado. No meio do caminho, me senti lendo um livro de História - e aí abandonei.





Se tiver uma opinião diferente sobre estas obras, deixe aí nos comentários! Quem sabe não mudo de idéia e tento ler estes livros mais uma vez!

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3 comentários

  1. Oi, Ruh!
    Fico triste por saber dessa sua lista ): É claro que já abandonei muuuitos livros, mas fiquei triste por essa, pois tenho esperança de ler O Grande Gatsby (depois que assisti ao filme, fiquei com essa vontade, rs), acho Jogos Vorazes muito bom (mas realmente, acho que o segundo é meio que um repeteco do primeiro, mas adoro o filme!) e até acho que a Katniss não é tão fraca assim (acho o Harry mais) e Madame Bovary está no meu Desafio Clássicos. Quero muito lê-lo e fico triste por ler uma opinião negativa, pois sou do tipo de também ler muitas histórias com altas expectativas e me decepcionar depois.
    Gosto muito dessa coluna, é muito útil, entretanto! :)

    Love, Nina.
    http://ninaeuma.blogspot.com/

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  2. Olá!
    Fico com receio de saber que você abandonou O Grande Gatsby, pois este é um dos próximos livros da minha lista de leitura. Eu tenho uma admiração muito grande por Érico Veríssimo, pois assim como eu, ele é gaúcho e eu me sinto muito solidária a escritores da minha região. Eu comecei a ler O Continente há muitos anos, quando ainda estava lá pela sétima série, e acredito que não consegui absorver a história da forma adequada. De qualquer maneira, pretendo recomeçar a leitura de O Tempo e o Vento um dia e, aí sim, me dedicar de corpo e alma a essa magnífica história do meu estado.

    Leitores Forever

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  3. Olá, Ruh!

    Antes de comentar sobre os livros que você listou, gostaria de comentar sobre o seu primeiro parágrafo: depende. Algumas pessoas abandonam livros por preguiça ou má vontade, não posso generalizar, rs. Mas a maioria que conheço abandona pelo motivo que você listou: o momento não era certo. Lembro-me de quando peguei Harry Potter pela primeira vez. Finalizei o livro, mas achei tão diferente do que eu gostava de ler que não continuei a série. Uns 5 anos depois, voltei a ler e me apaixonei! haha. O momento muda tudo!

    Quanto aos livros: dos que você listou, acho que nenhum está fora das minhas listas, haha. Não os li, confesso, mas por falta de tempo: O Grande Gatsby é uma das minhas maiores curiosidades; tenho Em Chamas e já li Jogos Vorazes, preciso continuar; Madame Bovary também tenho, está na lista para este ano; Saramago e Veríssimo são meus autores mais desejados no momento. Lia muitas histórias infantis do Veríssimo e adoro sua escrita!

    Ah! E você não é a primeira pessoa a me dizer que prefere o filme ao livro, viu? Parece que é uma sina dos distópicos! Vi muitas opiniões semelhantes em relação a Divergente!

    Adoro seus TOP 5! Qual será o próximo? :) *-*

    Um grande abraço,

    Ana Carolina Nonato
    Blog Seis Milênios

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