Desafio Livros pelo Mundo | Noruega: O Mundo de Sofia, de Jostein Gaarder

"O Mundo de Sofia" de Jostein Gaarder foi um dos primeiros livros que li quando criança. Depois de muitos anos, o reli e desc...


"O Mundo de Sofia" de Jostein Gaarder foi um dos primeiros livros que li quando criança. Depois de muitos anos, o reli e descobri uma experiência completamente nova. Por isso, ele veio parar no Desafio Livros pelo Mundo, representando a Noruega. Para quem não sabe, o objetivo deste desafio é divulgar livros de países fora do eixo EUA-Inglaterra, de forma que mais culturas e povos sejam representados através da literatura.

Jostein Gaarder é norueguês e sua principal característica como escritor é colocar estórias dentro de estórias, geralmente voltadas para o público infantojuvenil. Nascido e criado com pais professores, Gaarder desde cedo manifestou interesse em contar estórias para outras crianças e também sempre teve inclinação para a Filosofia, assunto que insere em suas obras de forma leve e descomplicada. Além da literatura, Gaarder se envolve em movimentos de ajuda aos refugiados palestinos e promove ações de sustentabilidade.


"O Mundo de Sofia", publicado em 1991, já foi traduzido para mais de 60 países. A protagonista da estória é Sofia Amundsen, uma adolescente de 14 anos norueguesa, e Alberto Knox, um filósofo de meia-idade que troca correspondências com a garota ensinando-lhe os princípios básicos da Filosofia.

A estória começa com Sofia recebendo uma série de misteriosas cartas pelo correio, endereçadas a uma senhora chamada Hilde Knag. Junto com as cartas, Sofia também recebeu uma apostila sobre Filosofia. Inclinada aos estudos e curiosa como era, Sofia logo começou a ler todo o material recebido. As duas primeiras cartas que ela recebe fazem perguntas interessantes: "Quem é você?" e "De onde vem o mundo?". Aos poucos, ela percebe que virou uma espécia de aluna à distância de um professor de Filosofia chamado Alberto Knox, até o dia em que resolve encontrá-lo em sua cabana na floresta.

Depois de um tempo, além das cartas endereçadas a Hilde Knag, começam a chegar cartões-postais endereçados a Albert Knag, aumentando o mistério que cerca as correspondências. Sofia descobre que Albert Knag é um major trabalhando no Líbano pela ONU, nas forças de paz. Os cartões-postais, vindos do Líbano, tinham exatamente as mesmas datas que Sofia os recebia, o que seria impossível, afinal, um cartão-postal não chegaria apenas em algumas horas. Além disso, Albert Knag começa a fazer perguntas sobre Sofia nos cartões.

Assim, uma parte do livro se alterna entre as aulas de Filosofia e as tentativas de descobrir quem são Hilde e Albert. Jostein Gaarder escreve sobre a História da Filosofia de um jeito bem descomplicado, e lembro que foi por causa deste livro que me interessei pelo assunto na época do colégio. Gaarder consegue deixar as teorias filosóficas acessíveis e nada maçantes. Sofia, com sua personalidade marcante, transforma as aulas em algo mais dinâmico, com seus questionamentos e críticas.

Em um dado momento do enredo, elementos surreais aparecem, dando a entender ao leitor que há algum mistério ainda maior na vida de Sofia. Um dia, ao se olhar no espelho, a garota vê sua própria imagem piscado para ela. Posteriormente, ela alega ter visto Sócrates e Platão pessoalmente.

Quando o enredo parecia que ficaria chato, chega um plot twist dos bons. Se você não deseja spoilers sobre o livro, sugiro pular o próximo parágrafo. 

Quando a aula de Filosofia de Sofia termina, chegando aos tempos atuais, descobrimos que, na realidade, Sofia e Alberto Knox eram personagens de um livro que Hilde e seu pai, Albert Knag, estavam escrevendo juntos. Hilde ficou tão apegada à personagem Sofia que falava dela como se fosse uma amiga sua, real. Seu pai, por outro lado, lhe passava os ensinamentos de Filosofia através da figura do professor, de forma que sua viagem para o Líbano não o distanciasse de sua filha.

Gaarder foi um pouco confuso ao escrever esta plot twist. Senti que, no início do fim (!), as informações estavam jogadas, ainda confusas e sem uma concatenação entre elas. Passado este momento de transição, quando entendemos qual era a realidade e qual era a fantasia, a leitura volta a fluir.

É uma leitura bastante agradável, mas que pode entediar quem não gosta de História ou de Filosofia. O enredo do livro é muito interessante, mesmo com seu conteúdo infantojuvenil da vida de Sofia. Recomendo bastante a leitura!

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