Desafio Livros pelo Mundo | Alemanha: O Lobo da Estepe, de Herman Hesse

O Desafio Livros pelo Mundo tem como objetivo divulgar a literatura de países fora do eixo EUA-Inglaterra, para mostrar a diversidade de...


O Desafio Livros pelo Mundo tem como objetivo divulgar a literatura de países fora do eixo EUA-Inglaterra, para mostrar a diversidade de culturas e de estórias que existem. Quinze países já passaram pelo Desafio e hoje é a vez da Alemanha.


Herman Hesse é um escritor alemão do início do século XX. Ele chegou a ganhar um prêmio Nobel de Literatura, pois representava ideais humanos e filosóficos em sua literatura, algo raro na época. Quando adolescente, rompeu com sua família extremamente religiosa e conservadora, que gostaria que ele se tornasse pastor. Viajou para a Índia para encontrar sua própria espiritualidade e, daí em diante, esta experiência foi marcante na sua escrita.

Hesse defendia que o homem deveria voltar-se a uma vida mais natural e simples, e ia na contramão dos avanços tecnológicos e industriais de sua geração, marcada pelas Primeira e Segunda Guerras Mundiais. Por isso, seus livros demoraram a ficar conhecidos no restante do mundo, e seu nome só chegou aos Estados Unidos perto de sua morte, nos anos 60.

"O Lobo da Estepe" foi publicado na Alemanha em 1927. O protagonista da estória é Harry Haller que, aos cinquenta anos, é alcoólatra e angustiado por causa da decadência da Humanidade, e é completamente avesso à natureza humana. Harry, em sua reclusão, aos poucos, começa a se identificar com o modo de vida dos lobos. Tal identificação leva Herman Hesse a escrever de forma psicológica, explicando os simbolismos e as analogias dos lobos com Harry.

Um dia, Harry recebe um folheto de um teatro mágico chamado "Tratado sobre o lobo estelar". O folheto estava destinado diretamente a ele, o que o surpreende e o intriga, fazendo com que Harry fosse assistir a tal peça. A peça fala de um homem que se vê preso entre duas essências: uma, elevada e espiritual e, outra, selvagem e animalesca, como um lobo da estepe. 

Depois da peça, Harry vai visitar um amigo e sua esposa. Porém, quando ambos começam a defender a literatura emocional e dramática de Goethe, Harry começa a brigar com ambos, pondo um fim em uma amizade que durava muitos anos. Este acontecimento ressalta como Harry é uma pessoa completamente diferente da sociedade burguesa de sua época e o deixa mais próximo da natureza dos lobos.

Assim, Harry decide suicidar-se mas, antes, adia o momento de voltar para casa perambulando pela cidade. Ele, então, conhece Hermione em um salão de dança, e Hermione se afeiçoa e simpatiza com os dilemas internos de Harry. Este, por sua vez, adora a companhia sarcástica e irônica de Hermione, que o convida para um segundo encontro. A promessa deste encontro faz Harry desistir temporariamente do suicídio.

Aos poucos, a presença de Hermione serve para tirar Harry de sua reclusão, Ela apresenta a ele a dança, a música, as drogas (lícitas e ilícitas), lhe dá uma amante, chamada Maria, e o apresenta ao saxofonista Pablo. Aos poucos, Harry percebe que nem todos os aspectos da "vida burguesa e ordinária" são negativos e começa a obter pequenos prazeres dela. Depois de um tempo de convívio, Harry descobre que Pablo é o dono da peça "Tratado sobre o lobo estelar".

Ao comparecer pela segunda vez à peça, Harry é colocado diante de cinco espelhos e cada um reflete uma versão dele próprio, dependendo das escolhas que ele fizer dali em diante. Esta parte do enredo torna-se a mais interessante, pois não é possível o leitor saber o que de fato aconteceu e o que foi alucinação de Harry, além das noções de espaço e tempo ficarem completamente malucas. É um toque surrealista da narrativa que a tira da monotonia anterior. Por causa deste componente fantástico, Hesse disse que nunca ninguém entendeu completamente a proposta de "O Lobo da Estepe", que fala de transcender a humanidade e cura espiritual.

Esta é uma leitura que recomendo muito, pois a batalha interna de Harry não é algo distante de nossa realidade. A alegoria com os cinco espelhos é genial, e faz o leitor refletir quais seriam suas próprias versões no Teatro Mágico. Apesar de profundo e denso, a leitura flui, principalmente pela influência de Hermione no ritmo dos acontecimentos.

Para quem gosta deste tipo de leitura, recomendo: "Walden ou A Vida nos Bosques, de Henry David Thoreau".

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