Além da Literatura | As estórias incríveis de Christopher Nolan

Como o Perplexidade e Silêncio é um blog dedicado à Literatura, acabo evitando falar de Cinema - a não ser na sessão "O livro ou o ...


Como o Perplexidade e Silêncio é um blog dedicado à Literatura, acabo evitando falar de Cinema - a não ser na sessão "O livro ou o filme?". Porém, não são apenas os escritores que me inspiram. Hoje, resolvi falar do diretor de cinema Christopher Nolan e sua incrível habilidade de criar estórias fantásticas inesquecíveis.

Nolan é meu diretor de cinema preferido e, não à toa, seus filmes estão entre os meus favoritos. Além da produção dos filmes, o que realmente me fisgou são as estórias que Nolan conta e a forma como elas são narradas. Suas estórias são pautadas em noções filosóficas ou éticas, que exploram a moralidade dos seres humanos, a nossa noção de tempo e espaço e nossa identidade. Além das estórias em si serem profundas e imaginativas, Nolan também brinca com as perspectivas de imagem que estamos acostumados, mexendo não apenas com os nossos pensamentos, mas também com as nossas sensações.

Separei - com muita dificuldade - meus três filmes preferidos dele para exemplificar o grande contador de estórias que Nolan é.

O Grande Truque (2006): Nolan e seu irmão Jonathan - o gênio responsável pela maravilhosa série WestWorld, da HBO - adaptaram um livro de mesmo nome, do autor Christopher Priest.  Os irmãos Nolan foram responsáveis por criar uma atmosfera de mistério e suspense e elevaram a estória dos mágicos Robert Angier e Alfred Borden a outro nível. 
A rivalidade entre os dois mágicos permeia todo o filme e, em nenhum momento, a dinâmica entre eles torna-se cansativa ou repetitiva. Os mágicos - interpretados por Hugh Jackman e Christian Bale - são personagens extremamente interessantes, complexas e sombrias, uma das marcas registradas de Nolan. O diretor sabe, como poucos, criar um anti-herói.
A rivalidade dos mágicos é sobreposta pela rivalidade de Tesla - interpretado pelo Rei David Bowie - e Thomas Edson na descoberta da eletricidade. É uma subplot marcante e que reforça o ar de mistério do longa.
A estória explora os limites da moralidade dos envolvidos, destacando até onde uma pessoa se dispõe a ir em busca de vingança ou de fama. Embora muitas obras tenham tratado desta temática, Nolan traz uma visão soturna e íntima incríveis neste filme.

A Origem (2010): E, então, Nolan resolve explorar a ficção-científica, e meu coração quase explodiu de alegria na época do lançamento deste filme. O diretor levou dez anos para terminar de escrever o roteiro, pois queria garantir que todas as suas teorias sobre a memória, o sonho e o tempo estavam coesas, de forma a estória ficasse o mais completa possível. 
Cobb e Arthur (Leonardo di Caprio e Joseph Gordon-Lewitt) são extratores de sonho. Eles se infiltram nos sonhos dos alvos de seus clientes para fazer espionagem corporativa, ou seja, para descobrir as idéias e as decisões dos empresários e repassá-las aos seus contratantes. 
Saito contrata Cobb para invadir os sonhos de Robert Fischer. Mas, além de invadir os sonhos, Cobb deve induzir Fischer a tomar uma determinada decisão que favorecerá os negócios de Saito. Porém, Cobb é atormentado pela morte de sua esposa Mal (Marion Cotillard), o que atrapalha a operação de extração dos sonhos. 
Nolan leva o espectador a entrar em um sonho, dentro de um sonho, dentro de outro sonho, oferecendo explicações em cada camada e em cada aprofundamento da estória. Adoro a forma como Nolan conseguiu transformar teorias tão complexas de tempo e de memória em conceitos poéticos, sombrios e misteriosos.
"Sempre fui fascinado pela idéia de que a sua mente, quando você está dormindo, pode criar um mundo em um sonho que vocês percebem como se ele realmente existisse." (Christopher Nolan)

Interstellar (2014): Deixei este filme para o final pois ele é meu filme preferido de todos os tempos. Já comentei aqui no blog que sou fascinada pela noção de viagem no tempo. Mas acho que nunca comentei que, quando criança, meu sonho era ser astronauta (de certa forma, ainda é).
Este filme é o mais próximo do Universo que já cheguei e fiquei apaixonada pela exploração do espaço sideral e das teorias sobre tempo e espaço que Nolan aprofundou. Além disso, o filme também fala de viagens no tempo e da quinta dimensão, todos assuntos que tenho um interesse inesgotável.
Cooper (Matthew McConaughey) resolve deixar sua família para trás quando se vê diante da missão de salvar a Humanidade. Assim, ele parte em uma missão da Nasa sabendo que, quando (e se) retornar à Terra, seus filhos estarão bem mais velhos do que ele. O tempo na Terra passa diferente do tempo no Universo e Cooper precisará lidar com muitas perdas e questões pessoais pelo caminho.
Este filme mistura ficção-científica de altíssimo nível com dramas familiares, relacionamentos amorosos e reflexões sobre o tempo. É uma combinação perfeita e imbatível.

Como escritora, acho importante que qualquer trabalho criativo esteja aberto a ser influenciado por diversas mídias e referências. Por isso, Christopher Nolan tornou-se uma fonte destas referências para mim, pois sinto que posso aprender muito com a profundidade e a complexidade das estórias que ele cria, além das atmosferas que ele constrói. 

E você, gosta ou desgosta do Nolan? Deixa aí nos comentários que vou adorar saber!

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