Sugestão de Leitura | A Crônica do Matador do Rei, de Patrick Rothfuss

Se existe uma coisa difícil, é falar sobre seu livro preferido, e eis-me aqui com esta missão: a de descrever os argumentos e razões...


Se existe uma coisa difícil, é falar sobre seu livro preferido, e eis-me aqui com esta missão: a de descrever os argumentos e razões pelos quais "A Crônica do Matador do Rei" conquistou meu coração definitivamente.

O autor
Patrick Rothfuss não tem a fama de George R. R. Martin (autor de Guerra dos Tronos) nem de J. K. Rowling. Pelo menos não até agora, mas imagino que, com o tempo, ele se torne o ícone da Literatura Fantástica que merece ser. Porém, arrisco dizer que ele é tão bom escritor quanto eles e, no quesito simpatia, compete bravamente com J. K. Rowling, pois nunca se recusa a dar maiores detalhes sobre suas personagens e nem a responder a curiosidade infinita de seus fãs. E sim, virei fã após ler as obras que aqui vou sugerir, pois Patrick mistura fantasia, ação e uma linguagem poética doce e impactante, com trechos tão bem escritos que me fizeram fechar o livro e digerir o que havia acabado de ler por alguns momentos. Ele sabe construir um mundo como poucos, dando-lhe formas, nomes, idiomas e costumes tão bem construídos que sempre - sempre! - esqueço que este mundo dele não é de verdade, e me pego pensando em ir para lá, como se fosse.

Por que escolhi estes livros?
A Crônica do Matador do Rei é uma triologia composta pelos seguintes títulos: 1. O Nome do Vento; 2. O Temor do Sábio e 3. As Portas de Pedra (título provisório, pois Patrick ainda está escrevendo o terceiro volume). Cada livro corresponde a um dia de "contação de estórias" de Kvothe, a personagem principal, a um cronista que o visita em sua hospedaria.

Esta série narra a trajetória de Kvothe que, como disse, é contada por ele mesmo a um Cronista que aparece em sua hospedaria, a Marco do Percurso. Kvothe é um arcanista, ou seja, estudou na Universidade onde aprendeu desde magias e simpatias até medicina e artificiaria. Aqui começam as dificuldades de falar sobre o livro: o Arcano é uma universidade, na minha opinião, mais complexa e mais bem estruturada do que Hogwarts, por exemplo, e só quando lemos a narrativa é que compreendemos a dimensão e a extensão desta Universidade na estória.


Por seu temperamento curioso e nômade - uma vez que Kvothe nasceu em uma trupe itinerante, chama Edena Ruh - ele decide percorrer os quatro cantos do mundo atrás das criaturas que mataram seus pais e sua trupe, os Chandrianos. Com isso, ele adquiriu uma fama cheia de mistérios e surrealismo e colecionou as mais diversas aventuras.
O mais legal desta série, como adiantei na descrição do autor, é o mundo que foi criado. A história tem idiomas próprios, moedas, leis e costumes de cada cultura que compõe este mundo, vocabulário e vida próprias. É uma imersão da qual não se sai o mesmo, depois que se termina a leitura.
E o Kvothe é extremamente apaixonante, assim como outras personagens, como sua amiga Auri (quem gostava da Luna Lovegood em Harry Potter vai simplesmente se derretar inteiro pela Auri, que é mais poética e melancólica que a Luna, mas tão doce e excêntrica quanto).



Uma das minhas partes preferidas é em relação aos Nomes. Tudo o que existe no mundo tem um nome que não pode ser revelado, mas que encerra a essência daquilo. Uma vez que você saiba o nome da coisa, você tem total e absoluto controle sobre ela. Esta noção não é original de Patrick Rothfuss, pois já havia sido escrita e criada por uma escritora de literatura fantástica chamada Ursula K. Le Guin - falei sobre ela aqui e aqui. Porém, tal conceito se encaixa perfeitamente na trajetória de Kvothe.
Assim, além de querer vingar-se dos Chandrianos, ele também busca encontrar o nome das coisas. Seus diálogos com o professor de Nomeação do Arcano, o Mestre Elodin, estão entre os mais interessantes da obra.




O livro também tem uma personagem secundária, o Bast, que é incrível. Ele tem sacadas sarcásticas e engraçadas que dão um contraste à personalidade mais sombria e amarga de Kvothe enquanto este narra suas aventuras ao Cronista. 

Se o objetivo da literatura é nos transportar para outros lugares, A Crônica do Matador do Rei cumpre este objetivo como poucas obras são capazes.

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