Caixa de lápis de cor

Hoje parece que o mundo acordou todo cinza. Não encontro alegria em lugar nenhum, tampouco dentro de mim mesma. Procurei em cada cantinh...


Hoje parece que o mundo acordou todo cinza. Não encontro alegria em lugar nenhum, tampouco dentro de mim mesma. Procurei em cada cantinho, mas parece que todos os pássaros estão mudos, todas as flores estão murchas e toda a música emudeceu. Até o céu está pesado e obscuro, opressor como os meus pensamentos. Hoje parece que o mundo esqueceu que é feito de cor, que o Sol esqueceu de fazer seu trabalho, que todos estão adormecidos e entristecidos.

Ou talvez eu que esteja muda, murcha, oprimida e entristecida. Cinza como um desenho mal acabado. Tem dias que acordo fraca, como se não fosse capaz de lidar com a falta de cor do meu coração. Este tom acinzentado pesa como chumbo, como ferro. 

Mas, em dias como hoje, acho que deve ser responsabilidade minha colocar alguma cor no mundo - ou pelo menos em mim mesma. Começo assim, meio atrapalhada e sem muita convicção, e aos poucos encontro a caixa de lápis de cor que carrego no meu coração para situações de emergência.

Pinto as gotinhas de água que caem do céu cinza (e como elas caem, neste dia chuvoso!) de azul clarinho. Azul cor de água, daquele que usamos para pintar os oceanos dos mapas das aulas de Geografia. Depois pego um lilás clarinho para as nuvens - porque eu gostaria que as nuvens de verdade fossem desta cor. O resto da paisagem continua pesado e cinza, mas já há alguma alegriazinha tentando escapulir por entre a chuva forte.

Deduzo que as plantas devem estar felizes com tanta água. Pinto suas folhas de verde, e as pétalas de vermelho - acho que o jeito que as flores tem de sorrir é ficarem floridas e bem coloridas. Espero que as minhas flores estejam muito sorridentes, então. Alguém precisa dar o primeiro sorriso entre tantas lágrimas que caem.

Aos poucos, tudo ao meu redor vai ganhando tons mais coloridos, mesmo que ainda muito suaves e discretos. Tons melancólicos. Sinto uma pequena ponta de esperança e calma forçando caminho entre as cortinas espessas de poeira que acumulei ao longo dos dias. Não são fortes como deveriam, mas conseguem o suficiente de espaço para que entre um pouco de amarelo e de laranja. 

Agora, fico no aguardo do cor-de-rosa. Cor de amor, de afeto, de carinho e de proteção. Meu coração está desbotado, como se tivesse sido lavado e ficasse meio gasto. Também um pouco murcho. Mas eu conheço um pouco da vida, e ela sempre traz tempos melhores depois de dias difíceis e chuvosos. 

Enquanto o cor-de-rosa não chega, estou aqui brincando com minha caixa de lápis de cor. 
Estou tentando deixar o mundo ao meu redor mais bonito. 

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