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Não costumo gostar de conversas que começam com "no meu tempo, era melho r". Não sou saudosista: por mais que eu guarde em um...


Não costumo gostar de conversas que começam com "no meu tempo, era melhor". Não sou saudosista: por mais que eu guarde em uma caixinha dentro de mim as boas memórias de tempos passados, não me iludo dando cores ao que era preto-e-branco, colocando filtros nas lembranças para se tornarem vívidas e melhores. O mundo segue adiante, e querendo ou não, eu sigo com ele.

Mas há uma coisa que sinto falta do "antigamente": o inesperado. Mais que o inesperado por si só, mas o inesperado que vem através da dificuldade, de não ter tudo à mão - o inesperado que vem da espera.
O inesperado momento que minha música preferida toca na rádio e preciso gravá-la na minha preciosa fita, antes que ela (a música, a oportunidade, a chance) desapareça. O inesperado momento de receber uma carta pelo correio, de uma pessoa há muito perdida da qual não se saberia mais notícias. O inesperado retrato mal tirado e desfocado de um momento que deve ser guardado pelo que ele é, e não pela foto que foi tirada dele.

Costumava saber lidar com a frustração. Porque a vida era composta de muitos nãos.  Eles, hoje, diminuíram. Escuto minha música preferida até que ela se torne enjoativa. Recebo notícias de pessoas antigas - e algumas eu gostaria que continuassem perdidas. Manejo a foto até que ela se torne a fantasia do que eu gostaria que tivesse sido.

Sim, quero máquina de filme. Porque quero não-saber. Quero ter a surpresa. Quero ser surpresa. Como se a vida me desse um presente a cada revelação, me dizendo que faz as coisas do seu jeito e pouco importa minha intenção - só me resta aproveitar seus esforços. Curtir a foto torta, desfocada, e que talvez seja revelada em um timing completamente diferente do meu. Do momento de tirar a foto ao momento de revelá-la, posso descobrir que muita coisa mudou - mas, bem, descobrirei isso de qualquer jeito.

Mas a lembrança estará lá, intacta. 
Eu estarei lá, lidando com a luz estourada, com o ângulo errado - com os nãos da vida.
E eu estarei lá, sorrindo com um registro lindo e totalmente inesperado - a vida também tem seus sim.

Estou aqui tentando resgatar aquela espontaneidade que o medo foi me tirando do coração. 
Vai ver no fundo sou uma pessoa à moda antiga.
Dessas que ainda acredita nas coisas simples.

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4 comentários

  1. Com certeza a Lana vai te proporcionar momentos incriveis! o mais legal das maquinas de filme eram as fotos que davam errado e ficavam mto engracadas! Hoje a gente nao tem mais essa oportunidade, ja que so as melhores permanecem.

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  2. Sentia falta dos seus textos.
    Bem vinda de volta!
    bjs

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  3. As vezes é bom perder o controle para se surpreender com o resultado.

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  4. Ruh, curti muito desde a URL do blog até a sua assinatura do post.
    Bem vinda de volta! [2]


    ps: primeira coisa que vi na foto foi o Estrelas. hahhaha
    bjs

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