O livro ou a série? | Pequenos Incêndios por Toda a Parte, de Celeste Ng

Qualquer coisa que tenha um dedo da Reese Whiterspoon vai despertar minha atenção, principalmente depois que comecei a acompanhar seu cl...


Qualquer coisa que tenha um dedo da Reese Whiterspoon vai despertar minha atenção, principalmente depois que comecei a acompanhar seu clube do livro chamado Hello Sunshine. E quando ela anunciou que iria produzir e atuar na adaptação de "Pequenos Incêndios por Toda a Parte", de Celeste Ng, fiquei super ansiosa. Neste post, falarei sobre as duas obras e farei uma breve comparação entre o livro e a série.

Vamos começar falando do livro. 
Em Shaker Heights, um subúrbio calmo e super conservador de Cleveland, tudo está planejado - desde o traçado das estradas sinuosas, as cores das casas, a altura que a grama do jardim deve ter e, em analogia, as vidas bem-sucedidas que seus moradores terão. E ninguém encarna esse espírito mais do que Elena Richardson, cujo princípio norteador da própria existência está sem seguir todas as regras. 
É então que aparece Mia Warren, uma artista enigmática e mãe solteira, que chega a essa bolha idílica com sua filha adolescente Pearl e aluga uma casa dos Richardsons. Logo Mia e Pearl se tornam mais do que inquilinos: todos os quatro filhos de Richardson são atraídos pelo par mãe-filha. Mas Mia carrega consigo um passado misterioso e um desrespeito ao status quo que ameaça derrubar essa comunidade cuidadosamente ordenada.
Para ler a resenha completa do livro, sugiro que veja este post.

Na minissérie de oito espisódios produzida pelo Hulu, Reese Whiterspoon interpreta (perfeitamente, como sempre) Elena Richardson, em um papel que me lembrou muito a Madeline de "Pequenas Grandes Mentiras". Ao lado dela temos Kerry Washington como Mia Warren.
Separei algumas diferenças principais entre o livro e a série:

No livro, a raça de Mia e Pearl não é especificada. Quando li o livro, lembro de ter imaginado que elas eram chinesas por causa da própria Celeste Ng, mas em nenhum momento a autora deixa isso claro. Na série, acho que terem colocado uma família negra como escolha foi excelente, pois realmente ressalta o abismo que existe entre Elena e Mia. Achei uma ótima idéia.
Uma outra adição ao conflito das duas é que, na série, Elena se mete muito mais na vida de Pearl que no livro, com o ápice dela própria contar para Pearl quem são seus pais biológicos, sendo que Mia é quem conta isso no livro.

Bebe não aparece na festa de aniversário de May Ling / Mirabelle no livro. A principal subplot da história envolve a adoção de uma bebê chamada May Ling, filha da colega de trabalho de Mia e adotada pela melhor amiga de Madeline. Esta adoção não só amplia a noção de privilégio branco como piora o conflito entre as duas protagonistas. Na série, Bebe invade a festa de aniversário da filha, agora já adotada, numa cena de cortar o coração.
E numa segunda alteração desta subplot, na série, Elena oferece dinheiro para Bebe desistir da filha, enquanto esta cena não acontece no livro.

A sexualidade de Izzy. Esta alteração do livro não me agradou muito, porque achei que teve zero relevância na construção da personagem. Izzy, em ambas as obras, é vista como a "ovelha negra" da família Richardson e, rapidamente, se apega ao estilo de vida de Mia e Pearl. No livro, seu conflito fica mais profundo, pois Izzy discorda do posicionamento (político e humanitário) da família, daí ser rebelde. Na série, fica parecendo que Izzy é assim por ser lésbica e vítima de bullying da escola.
E ainda neste mesmo tema de sexualidade, na série eles mostram que Mia teve um romance com Pauline, sua professora de arte da faculdade, mas isso não é verdade pois, no livro, Pauline é casada e nunca se interessou por Mia desta forma.

Lexie Richardson, a filha mais velha, é muito mais escrota com Pearl na série. No livro, embora Lexxie não seja uma personagem cativante, ela não rouba o ensaio de Pearl e nem faz o aborto usando o nome dela sem autorização. Acho que os produtores tentaram replicar o conflito entre Elena e Mia para suas filhas, de forma a mostrar que a sociedade perpetua este abismo racial geração após geração.

O livro ou a série?
Demorei um pouco para escrever este post, quando terminei de assistir a série, porque fiquei bastante dividida nesta decisão. A série é bem feita, tem bastante drama, as atuações são excelentes e eu gostei da maior parte das alterações que eles fizeram. Porém, ainda assim, percebi que não fiquei tão entretida com a série como fiquei com o livro - lembro que li o livro praticamente de uma vez só, mas a série eu ficava adiando assistir ao próximo capítulo.
Depois percebi que, no livro, o foco maior é no suspense de quem botou fogo na casa dos Richardson e, ao longo da leitura, todos - sem exceção - são suspeitos do crime e tem motivos para fazê-lo, inclusive a própria Elena, dona da casa. Já na série, o foco é nos dramas familiares e na relação de preconceito entre as famílias e todo este clima de mistério sumiu.
E é só por isso que escolho o livro, mas também super recomendo a série, é ótima!

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1 comentários

  1. Gostei da série mas nao cheguei a ler o livro, acho q na grande maioria das vezes temos essa sensação de que o livro foi melhor.

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