Já Li #60 - Cem Verões, de Beatriz Williams

Quando falamos em romances de época, normalmente, pensamos no século 18 ou 19, ao estilo Jane Austen. "Cem Verões", de Beatriz...


Quando falamos em romances de época, normalmente, pensamos no século 18 ou 19, ao estilo Jane Austen. "Cem Verões", de Beatriz Williams, é um romance de época do início do século 20, mostrando os relacionamentos amorosos de duas mulheres que, cada uma a seu jeito, lutam pela modernização dos costumes e pela expansão de suas possibilidades de escolha.

O livro narra a estória de Lily Dane e começa no ano de 1938. Nascida em uma família privilegiada, Lily passa seus verões na cidade à beira-mar de Seaview desde criança, quando sua melhor amiga era Budgie. A rotina tediosa das festas tradicionais do clube é perturbada com a chegada de Budgie, agora casada com Nick Greenwald. O desconforto de Lily logo é explicado, quando o livro volta no tempo, para o ano de 1931, e o leitor descobre que Nick é o primeiro amor de Lily.

Narrado em primeira pessoa, os capítulos do livro vem e voltam no tempo, intercalando os acontecimentos de 1931/1932 e 1938. Beatriz Williams criou uma excelente atmosfera com esta estrutura narrativa pois, conforme as duas estórias são contadas ao mesmo tempo, ambas chegam ao clímax no mesmo ponto da leitura.

Lily sempre foi uma garota tímida que vivia à sombra de sua melhor amiga, Budgie, impetuosa e voluntariosa. Através dela, em um jogo na faculdade de Darthmouth em 1931, Lily conhece o atual namorado de Budgie, Graham, e seu amigo e companheiro de time, Nick. Lily se apaixona por Nick naquela mesma noite, quando ele se mostrou refinado, sério, inteligente e reservado em um jantar. Como o livro começa com a narrativa do ano de 1938, o leitor já sabe, de antemão, que Nick e Lily não estão juntos e que Budgie não está mais com Graham; resta saber o que foi que aconteceu com eles nos sete anos entre uma estória e outra.

Aos poucos, também sabemos que o pai de Lily está internado em uma clínica para idosos e que sua tia Julie, depois do terceiro divórcio, está passando férias em Seaview com o restante da família. A personalidade de tia Julie é muito parecida com Budgie, o que rende bons momentos de humor sarcástico e piadas ácidas. Há também a figura de Kiki, uma garotinha de seis anos de idade muito simpática, e o leitor fica em dúvida se ela é irmã ou filha de Lily quase até o final do livro.

Lily é uma típica heroína romântica, que acredita no amor e na bondade das pessoas. Nos sete anos de separação de Nick, ela não teve mais nenhum relacionamento amoroso e sente ciúmes por ele ter passado cinco anos em Paris, com várias mulheres e prostitutas diferentes. Esta parte da vida de Nick a incomoda mais que o fato dele ter casado com sua melhor amiga de infância. Budgie, para compensar as coisas com Lily, permite que ela namore Graham, agora um famoso jogador de futebol americano, com quem Lily chega a se noivar, apenas para fazer desfeita a Nick.

Budgie é uma personagem mais interessante, na minha opinião. Desde o princípio do livro, quando ela chega em Seaview casada com Nick, o leitor que sente que há algum segredo que Budgie esconde. Suas tentativas de unir Graham e Lily soam estranhas e, no trecho final do livro, a reviravolta da estória se deve a ela. Budgie é uma anti-heroína, moderna para a década de 30, mal compreendida pela sociedade da sua época e com um passado dramático.

O leitor também pode esperar cenas de sexo e situações históricas verídicas. As cenas de sexo, também narradas por Lily, são delicadas como ela mas, ainda assim, bem escritas. E as situações históricas são derivadas de um furacão que passou pela Seaview da vida real em 1938, furacão este que faz parte do enredo.

Foi uma leitura bastante agradável, pois fiquei curiosa sobre o que aconteceu entre Nick, Lily, Budgie e Graham no passado. Beatriz Williams conta aos poucos, com mistério e suspense, e gostei bastante do ritmo da obra. É uma leitura que recomendo.

Se você gosta deste tipo de literatura, sugiro também:
Série Napolitana, vol 1: A Amiga Genial, de Elena Ferrante

Avaliação do Perplexidade e Silêncio: 

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