Já Li #57 - Os Lobos de Mercy Falls, vol. 2: Espera, de Maggie Stiefvater

Recentemente, comecei a leitura descompromissada da quadrilogia "Os Lobos de Mercy Falls" , da escritora Maggie Stiefvater . E...


Recentemente, comecei a leitura descompromissada da quadrilogia "Os Lobos de Mercy Falls", da escritora Maggie Stiefvater. Ela conquistou minha atenção com seus enredos fantásticos originais e seu estilo fluido. Neste post, falarei sobre o segundo volume desta quadrilogia, chamado "Espera".

Se você prefere ler sobre o primeiro volume, "Calafrio", clique aqui.

"Os Lobos de Mercy Falls" é uma quadrilogia que começou a ser publicada em 2009. Os protagonistas são Grace Brisbane e Sam Roth, ambos jovens que alternam suas identidades entre humano e lobo. Maggie Stiefvater deixa claro, desde o início, que não se trata de uma história de lobisomens, portanto, não espere transformações com a lua cheia nem mortes causadas por balas de prata. A premissa desta série é uma lenda antiga onde os seres humanos ficam no meio do caminho entre pessoas e lobos, possuindo características de ambos e que, aos poucos, perdem completamente a humanidade e transformam-se definitivamente em animais.

Maggie Stiefvater tem o hábito de basear-se em lendas fantásticas antigas para criar seus universos fantásticos, o que torna seus livros uma fonte rica de folclore e estórias do passado. 

O segundo volume da quadrilogia começa pouco tempo depois do término do primeiro. Assim, Sam, aparentemente, está curado do que quer que o transformasse em lobo e se vê diante de duas grandes missões: a primeira, planejar seu futuro, agora que sabe que terá um como humano e descobrir qual faculdade fazer ou que profissão perseguir; a segunda é substituir o líder da matilha dos lobos, Beck, que transformou-se definitivamente em lobo. Como líder da matilha, Sam deve orientar os novos transformados, manter a casa que é o ponto de encontro da matilha e aconselhar os demais membros do grupo. 
Em paralelo, seu relacionamento com Grace se aprofunda. Os pais de Grace descobrem o namoro dos dois e os proíbem de se verem - o que, obviamente, faz com que Grace e Sam namorem escondido. 

A personagem de Isabel que, no primeiro volume teve um papel coadjuvante, ganha destaque no segundo volume e é "promovida" ao núcleo principal da estória. Isabel é a melhor personagem do enredo e fiquei contente que Stiefvater resolveu usar todo o potencial dela. Grace não me cativou como protagonista, sendo uma heroína muito clichê, romântica e plana. Isabel, por outro lado, tem uma personalidade mais complexa, cínica e profunda, o que tornou a leitura mais agradável. Neste volume, ela tem a responsabilidade de colocar Sam de volta aos trilhos quando Grace adoece misteriosamente.

Além de Grace, Sam e Isabel, uma nova personagem aparece, o novo transformado em lobo Cole. Beck o transformou em lobo em uma rápida passagem pelo Canadá, numa época em que acreditava que a matilha precisava ser aumentada e diversificada com pessoas de uma nova geração. Assim, Cole surge no enredo. Ele é um drogado e alcoólatra, líder de uma banda de rock famosa (e fictícia) chamada Narkotika. Imaginei Cole como um Pete Doherty. A grande diferença entre Cole e as demais personagens da trama é que ele quer ser lobo: infeliz com a vida vazia de rockstar, ele deseja esquecer de si mesmo e se transformar 100% em lobo.

A adição de Cole à trama estava super interessante até que Stiefvater decidiu que ele seria um bom par romântico para Isabel. Como um contraponto ao excesso de açúcar da relação entre Grace e Sam, Cole e Isabel fingem indiferença e frieza um pelo outro, quando é óbvio (para o leitor e para as próprias personagens) que eles ficarão juntos no final. Assim, Isabel lida com Sam - perdido e sem desempenhar o papel de líder - e Cole - com seus traumas do passado e seu jeito de menino rebelde. Santa Isabel.

Este excesso de amor na trama me fez perder o interesse pela mesma. Embora seja um livro categorizado como infanto-juvenil, acredito que este gênero possa ser escrito com originalidade e profundidade, como a própria Stiefvater o fez em outras obras. Mas, neste segundo volume, ela pecou. Os elementos fantásticos ficaram totalmente em segundo plano e não houve uma evolução da narrativa. O título do livro faz juz ao seu conteúdo: o leitor espera que algo aconteça, mas nada vem.

Perto do final do livro, Cole propõe uma teoria sobre a transformação dos lobos que traz um ligeiro fôlego para a leitura, mas não a ponto de fazer o restante do livro ser atrativo. Ainda não decidi se darei mais uma chance à quadrilogia e lerei o terceiro livro ou se desistirei.

Avaliação do Perplexidade e Silêncio: 

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1 comentários

  1. Oi, Rubia! Eu li o primeiro livro, Calafrio, há um bom tempo, logo que foi lançado. Na época, lembro de ter gostado, mas por alguma razão posterguei de ler o segundo e agora já perdi o interesse em ler toda a série. Mas lendo sua resenha fiquei aliviada em saber que não estou perdendo muito. Hehehe.

    Abraços.
    Daniela Tiemi
    www.leiturasecomidinhas.com.br

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