O livro ou o filme? | A Guerra dos Mundos, de H. G. Wells

H. G. Wells , lá pela metade do século 19, começou a escrever romances científicos que, mais tarde, tornariam-se as ficções-científicas ...


H. G. Wells, lá pela metade do século 19, começou a escrever romances científicos que, mais tarde, tornariam-se as ficções-científicas que conhecemos hoje em dia. No debate de livro versus filme deste mês, escolhi sua obra "A Guerra dos Mundos", que foi adaptada duas vezes ao cinema. Neste post, falarei sobre o filme de 2005.

H. G. Wells já apareceu aqui no blog na resenha do livro "A Máquina do Tempo". Para quem gosta de pesquisar mais sobre autores, Wells é uma figura muito interessante. Ele fazia parte da Sociedade Fabiana, um braço do Socialismo que acreditava que a classe operária deveria ser educada e incitada a controlar os meios de produção. Era participante ativo da política de sua época e é considerado o pai da ficção-científica

"A Guerra dos Mundos" é um livro curto, com cerca de 140 páginas, publicado em 1897 numa revista inglesa. Assim como em "A Máquina do Tempo", o protagonista e narrador da estória não é nomeado nem identificado, e a narrativa se assemelha a um diário. Este protagonista presencia o que a Humanidade acredita ser uma invasão marciana na Inglaterra, com suas naves extraterrestres apoiadas em tripés e lançando raios carbonizadores.

No início, todos acreditam que houve a queda de um meteoro mas, posteriormente, ao se aproximarem do local do incidente, as pessoas vêem um cilindro metálico dentro de uma cratera e, dele, saem figuras alienígenas que destróem os seres humanos com um raio. Enquanto o protagonista fica às voltas com os preparativos da fuga de sua esposa (e dele mesmo), ele percebe que os tais marcianos usam os cilindros para locomoção, usando os tripés. Todos entram em pânico quando as armas militares não são capazes de destruí-los.

No meio da evacuação de Londres, o protagonista e a esposa se perdem um do outro, e a estória é narrada nos próximos capítulos pelo seu irmão. Quando o protagonista retorna ao enredo, ele está refugiado em uma casa em ruínas, chocado com a descoberta que fez: os marcianos estão se alimentando dos seres humanos para gerar energia. 

O filme de 2005 foi dirigido por Steven Spielberg, então, é claro, temos a adição de um núcleo familiar que lhe é característico: Tom Cruise é o protagonista Ray Ferrier, que precisa salvar seus dois filhos da invasão extraterrestre. O cenário mudou para os Estados Unidos pois, como sabemos, todas as tentativas de invasão extraterrestre do Cinema são lá. (Se fosse na Inglaterra, o Doctor conversaria com os ET's e tudo acabaria bem). Ray é divorciado e, além de precisar fugir dos alienígenas, precisa aturar uma filha insuportável e um filho na crise da adolescência.

Spielberg manteve a descrição física dos tais cilindros que aparecem no livro, lhe conferindo uma aura de perigo mortal e irreversível que faltou na escrita de Wells. Spielberg também fez o que sabe de melhor, ou seja, adicionou emoção e sentimentos à estória, tornando-a mais surpreendente e interessante que a obra original, escrita de forma muito sucinta e direta.

Se você não quer spoilers, pule este parágrafo. Como semelhanças, temos o final tanto do livro quanto do filme: os alienígenas começam a morrer ao entrarem em contato com a atmosfera da Terra, pois não estavam preparados para combater um determinado tipo de bactéria. O desfecho ressalta a ineficiência e a impotência da Humanidade em lidar com uma invasão extraterrestre, uma vez que nenhuma tentativa de enfrentamento surtiu efeito e foi necessário algo externo e imprevisto para exterminar os alienígenas.

O livro ou o filme? O filme. 

Ler o livro foi uma experiência maçante. Wells careceu de carisma e de força ao escrever sua estória, transformando o evento da invasão em algo impessoal. Fica claro que ele quis fazer uma crítica à fraqueza e à arrogância do ser humano, e também na nossa pequenez diante de tantos mistérios do Universo, mas, ao longo do livro, esta idéia central foi rapidamente esgotada e repetida à exaustão. A ausência de um protagonista forte e com personalidade definida também fez falta.
O filme completou todas estas lacunas. Nele, temos emoção, ação, vínculo afetivo com as personagens, terror, ficção-científica e aventura. Aliás, é um filme que gosto muito, e recomendo, para aqueles que gostam dele também, que nem cheguem perto do livro. 

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