Já Li #42 - A Senhora do Trílio, de Marion Zimmer Bradley

Há algum tempo atrás, sugeri aqui no blog a leitura de "O Trílio Negro" , obra escrita pelas escritoras Marion Zimmer Bradle...



Há algum tempo atrás, sugeri aqui no blog a leitura de "O Trílio Negro", obra escrita pelas escritoras Marion Zimmer Bradley, Julian May e Andre Norton. Como gostei muito da obra, resolvi ler "A Senhora do Trílio", continuação escrita somente por Marion Zimmer Bradley. Apesar de ser uma continuação, o livro funciona muito bem como uma obra individual e este post é sobre ele.

Acredito que Marion Zimmer Bradley, a esta altura do campeonato, dispensa apresentações. Tenho falado bastante dela aqui no Perplexidade e Silêncio pois estou lendo as onze partes do Ciclo de Avalon.

No entanto, farei uma breve descrição do livro "O Trílio Negro" para contextualizar a estória.
Em um planeta fictício, dominado por pântanos e criaturas grotescas, os oddlings, três princesas precisam recuperar seu reino, Ruwenda, que foi atacado e dominado pelo Rei de Labornok e o arquimago Orogastus. Labornok é uma região afastada que quer usufruir do comércio e da economia gerada pelas criaturas do pântano. As princesas Haramis, Anigel e Kadiya fogem de Ruwenda deixando para trás seus pais, que foram brutalmente assassinados. A única coisa que elas levam consigo é uma profecia muito antiga, feita pela Arquimaga Binah, de que elas formariam o Trílio Negro e derrotariam o Arquimago Orogastus.
Cada uma destas princesas foi escrita por uma das três autoras mencionadas no início do post e elas são extremamente inspiradoras. Recomendo muito a leitura. A resenha completa deste livro pode ser lida aqui.

 "A Senhora do Trílio" começa mais de duzentos anos depois do término do livro anterior. Nele, o leitor acompanha apenas a jornada de Haramis, personagem escrita por Marion no primeiro livro. Portanto, se você pretende ler o livro anterior, tome cuidado com os spoilers.

Haramis está no posto de Arquimaga de Ruwenda desde a queda de Orogastus, ocorrida há mais de duzentos anos. Seu melhor amigo oddling, Uzum, morreu ha vários anos e foi transformado em uma harpa por Haramis, de forma que ela não ficasse completamente sozinha. Seu isolamento na torre de neve e seu envelhecimento a preocupam, pois Haramis sente que está perdendo seus poderes mágicos e precisa ser sucedida no posto, para que Ruwenda continue protegida.

Assim, ela começa a sonhar com a princesa Mikayla e seu amigo Fiolon e acredita que Mikayla deve ser sua sucessora como Arquimaga. Tanto Mikayla quanto Fiolon ainda são crianças, por volta dos doze anos de idade, e estão prometidos em casamento um ao outro. Eles passam o dia brincando pelos cômodos do Castelo de Ruwenda e nenhum adulto parece lhes dar atenção ou ao menos sentir a falta deles. Mikayla é a tatataraneta de Anigel, sua irmã, que faleceu há muitos anos, o que confirma as suspeitas de Haramis de que ela é sua sucessora.

Haramis decide sequestrar Mikayla e Fiolon em uma das expedições que eles faziam pelos pântanos. Haramis logo manda Fiolon embora de seu castelo, provocando uma dor de separação enorme entre ele e Mikayla. Haramis acredita que, quando um homem tem acesso a magia, ele torna-se mesquinho e perigoso como Orogastus e, por isso, não confia em Fiolon. Mikayla se propõe a fazer da vida de Haramis um inferno, pois não pediu para ser Arquimaga, tampouco ficar isolada do resto do mundo em uma torre de neve.

Haramis, que no livro anterior era inteligente, curiosa e sábia, neste livro está teimosa, amarga e enlouquecendo. Marion Z. Bradley soube construir muito bem esta personagem, dando-lhe um arco fora do lugar-comum. Haramis torna-se um contraponto essencial para a personalidade de Mikayla, que é flexível, exploradora e cheia de energia. No meio da estória, achei que a dinâmica entre elas ficou um pouco maçante, com as mesmas discussões e mesmos argumentos sendo repetidos à exaustão mas, excluindo-se isso, são duas personagens femininas que funcionaram muito bem juntas.

Fiolon e Uzum, ambos personagens masculinas, ficam em segundo plano. Esta é uma característica recorrente nas obras de Marion, que prefere deixar o protagonismo do enredo para as mulheres. No entanto, ambos são muito carismáticos e contribuem bastante para que a estória fique mais interessante e mais profunda.

Comparando com "O Trílio Negro", achei "A Senhora do Trílio" um livro inferior. A escrita de Marion está apressada, descrevendo pouco algumas partes que seriam relevantes para a estória e se estendendo em outras não tão importantes assim. Além disso, depois de ler tantas obras de Marion (onze, até o momento), posso dizer que ela é uma escritora inconstante, de altos e baixos: alguns livros dela são maravilhosos e, outros, extremamente tediosos. "A Senhora do Trílio" fica no meio do caminho, ora sendo uma leitura agradável, ora sendo repetitivo e superficial.

Por isso, se for para escolher um dos dois livros mencionados aqui, escolha "O Trílio Negro".


Avaliação do Perplexidade e Silêncio:

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