Já Li #39 - As Crônicas Saxônicas, vol 1: O Último Reino, de Bernard Cornwell

Fiquei interessada em ler As Crônicas Saxônicas quando vi um artigo que dizia que Bernard Cornwell se diz descendente da família do pr...


Fiquei interessada em ler As Crônicas Saxônicas quando vi um artigo que dizia que Bernard Cornwell se diz descendente da família do protagonista, Uhtred. Talvez seja apenas uma jogada de marketing mas, de qualquer forma, este post é sobre o primeiro livro destas crônicas, "O Último Reino".

As Crônicas Saxônicas, atualmente no nono volume, é uma série de livros que trata da invasão da Grã-Bretanha, ocorrida entre os séculos IX e X pelos dinamarqueses (vikings). Na época, o Rei Alfredo era responsável por governar a Grã-Bretanha e, depois de perder uma batalha para os vikings, resolve aliar-se a eles. Esta mudança de lado do Rei para os inimigos acarreta mais uma série de consequências pelo país.

O primeiro volume desta série, "O Último Reino", foi publicado originalmente em 2004 na Inglaterra, mas só chegou ao Brasil em 2006. 

O protagonista do livro é Uthred. Ele foi inspirado na personagem histórica real Uthred, o Ousado, que foi o governante da Nortúmbria de 1006 a 1016. Consequentemente, outras personagens que aparecem ao longo do enredo também foram inspirados em pessoas daquela época, que conviveram direta ou indiretamente com Uthred.

Uthred é o filho mais novo de Uthred, o governante da fortaleza de Bamburgo (que tive o prazer de conhecer em minha última EuroTrip). Os dinamarqueses invadem esta fortaleza, assassinando todos ali presentes, incluindo o pai de Uthred. Por algum motivo, Ragner, o líder dos dinamarqueses, poupa a vida de Uthred e o sequestra. Uthred percebe que, com a morte do pai e dos irmãos, ele é o sucessor à fortaleza de Bamburgo, mas isso lhe parece uma realidade muito distante e muito improvável agora que faz parte da caravana dos vikings.

Uthred começa a fazer parte dos dinamarqueses e aprende sua cultura, idioma e costumes. Ragnar passa a tratá-lo como fosse um filho dele e Uthred se afeiçoa a Ragnar, já que este lhe provê atenção e ensinamentos que seu pai verdadeiro destinava apenas aos seus irmãos. Sua infância, assim, é focada em aprender diversos aspectos da cultura dinamarquesa, até que Uthred fica sabendo que a fortaleza de Bamburgo, sua por direito, foi invadida por um de seus parentes. Neste ponto da estória, ele fica dividido entre ser um inglês ou ser um dinamarquês.

A situação fica ainda mais complicada quando Uthred começa a ter que conviver com o Rei Alfredo. Como ele é o único que sabe falar inglês, Ragnar o designa a negociar com Alfredo. Eles tem muitas divergências, principalmente religiosas, mas começam a ter um relacionamento mais profundo, deixando Uthred ainda mais dividido sobre de que lado da guerra ele está.

Não sei quantos leitores deste post estarão familiarizados com a série Vikings, do History Channel. De qualquer forma, a personagem de Uthred me lembrou muito Athelstan (foto ao lado), que foi um monge poupado pela invasão viking que, depois, fica com a lealdade dividida entre o Rei Alfredo e Ragnar. Até mesmo a personalidade de ambas as personagens era muito parecida e, talvez por isso, a narrativa de Cornwell não tenha prendido minha atenção como eu esperava. Ao longo da leitura, a sensação de ter visto aqueles conflitos em outro lugar permaneceu, e a narrativa foi se tornando cansativa.

Além disso, por já ter lido O Rei do Inverno, de Bernard Cornwell, cheguei à conclusão de que o estilo de escrita dele não é o meu preferido, embora eu reconheça que ele é um excelente escritor. Paradoxal, não é? Mas, como leitora, sinto falta de mais emoções, fantasia e conflitos pessoais entre as personagens, e acho que toda a narrativa fica muito pautada em fatos, História e descrição de alianças políticas e lugares. Por isso, não posso dizer que ele figura na minha lista de escritores favoritos, embora admire o trabalho de pesquisa e não-ficção que ele faz.

Avaliação do Perplexidade e Silêncio: 

Posts Relacionados

Comente com o Facebook

0 comentários