Já Li #35 - Série Firebird, vol 2: Dez Mil Céus Sobre Você, de Claudia Gray

Em um post recente, comentei sobre as 8 séries literárias que estou lendo no momento . Uma delas é a série Firebird , escrita por Claudia...


Em um post recente, comentei sobre as 8 séries literárias que estou lendo no momento. Uma delas é a série Firebird, escrita por Claudia Gray, conhecida por seus split-offs de Stars Wars. Falei sobre o primeiro volume desta série, "Mil Pedaços de Você", aqui. Este post é para falar do segundo volume da série, "Dez Mil Céus Sobre Você".

O firebird que dá nome à série é um aparelho criado pelos pais da personagem principal, Margarite Caine. Seus pais são físicos renomados e criaram um dispositivo que permite a viagem entre as dimensões paralelas que existem no Universo. Desta forma, quem estiver em posse de um firebird pode conhecer as versões de si mesmo em outras dimensões e esta premissa é uma excelente base para toda a estória, tanto do primeiro volume quanto deste segundo. 

Claudia Gray imagina dimensões paralelas de uma forma muito criativa, real e consistente e, por isso, fiquei muito envolvida com a série literária dela. Claudia deixa claro no enredo que não se trata de viagens no tempo, e sim, de viagens entre dimensões. Por isso, em algumas dimensões, ela defende que o avanço tecnológico não foi tão rápido como o nosso e Margarite é levada para sociedades ainda em atraso. Em outros casos, no entanto, a dimensão está à frente da nossa e Margarite precisa lidar com costumes e tecnologias que ainda não existem em nosso mundo.

Em "Dez Mil Céus Sobre Você", Margarite precisa resgatar quatro pedaços da alma de seu namorado, Paul. A alma dele foi propositalmente fragmentada em quatro pedaços e estes pedaços foram lançados em quatro dimensões diferentes. O responsável por esta fragmentação é Wyatt, o principal antagonista da série.

Neste segundo volume, as intenções de Wyatt ficam mais claras e, por isso, ele torna-se uma personagem mais interessante para o enredo. Desde o livro anterior, ele vem tentando dominar todas as dimensões e busca deter o poder e o conhecimento absolutos sobre o firebird. Em qualquer dimensão para onde Margarite viaje, Wyatt está sempre trabalhando lado a lado com seus pais na construção do mecanismo. Porém, ela fica surpresa quando se depara com versões bondosas e generosas de Wyatt, o que também causa estranhamento ao leitor, acostumado com as vilanias dele.

Desta forma, ainda em busca deste poder completo, o Wyatt da dimensão real de Margarite a chantageia com estas partes fragmentadas de Paul: em troca dos pedaços da alma de Paul, Wyatt exige que Margarite trabalhe para ele e o ajude a conquistar o firebird em todas as dimensões em que o aparelho já existe. Assim, os pedaços da alma de Paul foram enviados para dimensões específicas e estratégicas ao plano de Wyatt, e Margarite precisa viajar para todas elas, completando certas missões que Wyatt lhe dá.

O ponto principal do enredo deste volume não é o firebird nem o plano malévolo de Wyatt. Claudia Gray se concentrou mais nos relacionamentos e nas escolhas de Margarite. Conforme ela viaja pelas dimensões pré-determinadas por Wyatt, ela se depara com versões horrorosas de Paul: assassino, cruel, frio, indiferente, etc. Margarite, por causa disso, começa a questionar se o Paul que ela ama, de sua dimensão, realmente existe. Além disso, junta-se o fato dela conhecer algumas versões agradáveis de Wyatt e, em outras dimensões, ela ser a namorada de Theo, o melhor amigo de Paul em sua dimensão. Estas experiências a fazem repensar todo seu sistema de crenças.

O grande trunfo desta obra é o plot twist no meio do livro, envolvendo a participação dos pais de Margarite, até então retratados como perfeitos e intocáveis. E o final é surpreendente e excelente, um ótimo gancho para o terceiro e último livro. 

Em relação ao primeiro volume, notei uma diferença na narrativa. Como Margarite viaja por muitas dimensões, no primeiro livro, muitas vezes ficava confuso para o leitor onde ela estava, de onde ela tinha vindo e de qual dimensão ela estava falando. Neste livro, muito acertadamente Claudia Gray passou a dar nomes às dimensões, como se fossem lugares, e isso facilitou muito o entendimento e deixou a leitura ainda mais agradável.

Recomendo a leitura desta série, embora, para o meu gosto pessoal, eu não goste dos elementos de YA que existem nas relações de Margarite com Paul e Theo. Mas, excluindo-se isso, é uma ótima estória e o firebird foi uma ótima invenção da escritora.

Avaliação do Perplexidade e Silêncio: 

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