O livro ou o filme? | Garota, interrompida; de Susanna Kaysen

Este é um daqueles posts que respiro fundo e me preparo psicologicamente para escrever. Falar sobre doenças psiquiátricas e temas relaci...


Este é um daqueles posts que respiro fundo e me preparo psicologicamente para escrever. Falar sobre doenças psiquiátricas e temas relacionados sempre mexe um pouco (bastante) comigo, mas é impossível não falar sobre "Garota, interrompida", que conta o caso real de Susanna Kaysen.

Este post também faz parte do Rory Gilmore Book Challenge.

Publicado em 1993, "Garota, interrompida" são as memórias de Susanna Kaysen do período de dois anos que ela ficou internada em um hospital psiquiátrico, o McLean Hospital, na década de 60. Na época com 18 anos de idade, Susanna foi diagnosticada com "transtorno de personalidade limítrofe".


O título faz referência a um quadro do pintor Vermeer, chamado "Garota interrompida em sua música", que pode ser visto aqui. Susanna descreve não só os acontecimentos pessoais que a levaram até o hospital, mas também fatos com suas amigas na época da internação. Seu relato não tem um tom de documentário e, sim, tem uma narrativa mais emocional e subjetiva, deixando a leitura fluida e sentimental. 

Susanna fala pouco de si mesma, o que é uma surpresa, tratando-se de um livro autobiográfico. E, quando ela fala, Susanna relata apenas fragmentos de sua história, explicando superficialmente os motivos que a levaram a ser internada. Na minha opinião, acho que ela escreveu desta forma porque ela mesma não entendia direito o que estava acontecendo naquela época. Há um aprofundamento maior apenas em um episódio seu de despersonalização, que me fez pensar em "A Menina Submersa" de Caitlín R. Kiernan.

O filme foi lançado em 1999, com Winona Ryder interpretando Susanna. Como no próprio livro Susanna parece ser uma personagem coadjuvante, e não a protagonista da estória, no filme esta característica permanece, pois quem rouba a cena é Angelina Jolie interpretando a colega de Susanna, Lisa Rowe. A atuação de Jolie, inclusive, lhe rendeu um Oscar.

Lisa - tanto no livro quanto no filme - é impetuosa, desbocada e muito extrovertida. Ela se destaca das outras pacientes, que normalmente são depressivas ou catatônicas, e é ela quem movimenta as coisas no hospital psiquiátrico. Ela provoca as enfermeiras e os médicos, é revoltada e causa uma série de conflitos. Susanna assiste ao comportamento de Lisa, numa mistura de admiração e medo.

O livro ou o filme? O livro.

Gosto muito do filme e acho que foi uma boa adaptação ao livro, mas sinto que a essência da reflexão de Susanna (e da própria Susanna) ficaram perdidas no filme. O livro tem um tom intimista e é um relato bastante subjetivo sobre a loucura. Susanna não entende direito porque a chamam de louca, sendo que ela se sente como uma pessoa normal e razoavelmente equilibrada e, a partir daí, ela coloca o leitor para pensar: por que algumas pessoas detém o direito de ditar o que é normal e o que não é? No filme, achei que a loucura ficou "estereotipada", principalmente com a atuação de Jolie e sua Lisa Rowe. Por isso, opto pelo livro, pois acho que ele aborda de um jeito mais delicado e mais poético um tema que é tão pesado e tão cheio de mal entendidos.


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1 comentários

  1. Seria uma alucinação eu estar aqui? Hahahaha. Me perdoe o desaparecimento, tá? Não tenho tido tempo de acompanhar meus blogs preferidos (quando muito administro o meu).

    Mas vim comentar justamente esse post, porque adoro o filme e nunca tinha visto uma resenha do livro, acredita? Além do mais, o fato de você ser ligada à psicologia me dá uma vontadezinha de sempre ficar aqui lendo suas resenhas ligadas ao tema. Nunca senti vontade de ler o livro, mas pelo caráter de memórias dele talvez fosse ler, apesar de que me irritaria com essa superficialidade da personagem ao tratar de si mesma e sua história. Sempre me perguntei o porquê do título e não sabia que era inspirado em um quadro. Adorei <333

    Love, Nina.
    http://ninaeuma.blogspot.com/

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