Já Li #28 - The 100 (Os Escolhidos), de Kass Morgan

O que me levou a ter interesse por esta obra foi a premissa da estória, com cara de ficção-científica: após 300 anos de um apocalipse nu...


O que me levou a ter interesse por esta obra foi a premissa da estória, com cara de ficção-científica: após 300 anos de um apocalipse nuclear, os seres humanos vivem em uma nave que vaga pela galáxia, esperando que a Terra volte a ser habitável para que eles retornem para o mundo de seus antepassados. Nesta nave, há uma estrutura governamental que zela pelas leis, costumes, regras, classes sociais e economia do lugar, assim como perpetua as memórias do que havia na Terra antes do seu aniquilamento. Ao contrário do que li por aí, esta obra não é uma distopia, e sim, uma ficção-científica YA e, com esta observação, vamos em frente.

A estória é narrada em terceira pessoa e os capítulos se alternam entre os pontos-de-vista das personagens centrais da trama: Clarke, Wells, Bellamy e Glass. Eles são quatro dos cem escolhidos para retornar à Terra e checar se ela pode ser habitada novamente. Estes escolhidos são, na verdade, presidiários da Nave, senteciados à morte por crimes cometidos antes dos 18 anos. Eles poderiam receber um perdão quando completassem a maioridade, mas o Governo precisava de seres humanos para testar a atmosfera da Terra e, uma vez que eles são considerados o lixo de sua sociedade, estes cem presidiários são colocados numa nave e forçados em direção àTerra.

Clarke era uma médica em treinamento antes de ser presa. Wells é filho do Chanceler da Nave, Chanceler este que exerce um papel semelhante a de um Presidente. Glass é uma garota rica (da parte chamada Phoenix da Nave) que se apaixonou por um rapaz da parte pobre (chamada Walden), Luke. Bellamy é o único que não deveria estar na Terra pois ele não estava confinado anteriormente, e sim, ele invade a missão para salvar sua irmã, Octavia. Glass se aproveita do tumulto que Bellamy causou para entrar na missão e foge para ficar ao lado de Luke.

Kass Morgan não nos conta, logo de cara, os crimes cometidos por cada uma das personagens. Ela alterna momentos do presente com flashbacks de suas experiências antes da Colônia (a prisão da Nave). Particularmente, achei que estes flashbacks foram mal posicionados ao longo do enredo, pois eles começam tão "de repente" nos capítulos que, se estamos um pouco desatentos na leitura, nos perdemos no que está acontecendo. Acredito que o editor pudesse ter sugerido algum tipo de diagramação para ressaltar os flashbacks e dividí-los dos momentos presentes. De qualquer forma, este clima de mistério e de segredo que permeia a leitura é bastante interessante, pois queremos saber o que aqueles adolescentes fizeram para merecerem a pena de morte.

Ao chegarem na Terra, Bellamy, Wells e Clarke enfrentam uma série de dificuldades, principalmente relacionadas à saúde e à ausência de medicamentos. Além disso, a missão lhes proveu suprimentos para apenas um mês e os cem escolhidos precisam encontrar maneiras de sobreviver na Terra que, então, descobriu-se estar habitável novamente. Glass, ao fugir, conta ao leitor o que está acontecendo na Nave, fornecendo a perspectiva complementar da obra.

A leitura, apesar de fluida e criativa, não me agradou. No fundo, este é um livro de amor, e não de ficção-científica e, por isso, me decepcionei. Digo que é uma estória de amor pois é este sentimento que move todas as personagens: Clarke e seu amor pelos seus pais, por Wells e pela amiga Thalia; Bellamy com seu amor por Octavia; Glass e Luke; Wells e seu amor por Clarke. Seria muito mais interessante se Morgan tivesse pensado em personagens mais heterogêneas, com motivações e objetivos diferentes entre si, o que também traria mais conflitos à obra. Desta forma, achei um livro meloso, que pecou por não aproveitar seu enorme potencial de aventuras, fantasia e scifi, desperdiçando uma excelente premissa.

Quando disse no início que este livro não se trata de uma distopia, é uma consequência desta falta de aprofundamento da estória. O Chanceler e o Governo não são explorados a ponto de tornarem-se totalitários e opressivos como uma (boa) distopia pede. Logo, em vez de escrever uma ficção-científica, Kass Morgan poderia ter caminhado na direção de uma distopia, o que também não o fez. Assim, minha sensação é de que este livro é mais uma estória de amor adolescente, apenas com um pano de fundo diferente.

Não é uma leitura que eu recomendo e não pretendo continuar a trilogia, que prossegue com 21 Dias e De Volta.

Avaliação do Perplexidade e Silêncio :

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