Além da Literatura | Todos os meses devem ser amarelos

Ao longo do mês de Setembro, vimos a campanha do #SetembroAmarelo circulando pelas redes sociais. O blog Nina é uma fez uma excelente ...


Ao longo do mês de Setembro, vimos a campanha do #SetembroAmarelo circulando pelas redes sociais. O blog Nina é uma fez uma excelente cobertura do assunto, o que me inspirou a também abordar este tema por aqui. Esta campanha tem como objetivo prevenir o suicídio, falando sobre o assunto de forma aberta, transparente e produtiva. Suicídio é um tema cheio de pré-conceitos e questões (religiosas, sociais, psicológicas) envolvidas. A campanha só existe há dois anos e sinto que precisaremos de muito mais tempo para sermos capazes de abordar o assunto de um jeito construtivo.

Sempre me apoiei na Literatura para superar as fases difíceis pelas quais passei, pois encontro nos livros e nos escritores uma afinidade e um suporte que, às vezes, me faltaram na "vida real". Pensando nisso, resolvi recomendar algumas obras que podem ajudar aqueles que estiverem com idéias suicidas e depressivas pairando sobre suas cabeças. 

As Vantagens de Ser Invisível, de Stephen Chbosky

Já falei sobre este livro tantas vezes por aqui, mas ele sempre se torna relevante para retornar ao blog. Neste contexto do #SetembroAmarelo, acho que a maior lição que extraí da obra é o fato de Charlie tentar participar da vida, mesmo tendo dificuldades em fazê-lo. Apesar de melancólico, introspectivo, com suas convulsões e sua pré-disposição à depressão, ele continua aprendendo a viver a vida. Sem perder sua alma ingênua e sua personalidade carismática, Charlie continua. E, por isso, gosto muito desta citação: “Já se sentiu muito mal, depois tudo passar e você não saber por quê? Eu tento me lembrar, quando me sinto ótimo como agora, que haverá outra semana terrível algum dia, então procuro guardar o maior número de detalhes que posso, e assim, na próxima semana terrível, vou poder lembrar esses detalhes e acreditar que vou me sentir bem novamente. Não funciona muito, mas acho muito importante tentar.”
Mais sobre este livro: Galeria de Fotos | O livro ou o filme? | Resenha

A Redoma de Vidro, de Sylvia Plath

O livro conta a estória de Esther, uma jovem do subúrbio que está fazendo um estágio de verão em uma revista feminina de Nova Iorque. Logo de cara, Esther sente o peso da sua inadequação na cidade grande e no universo que a cerca, com meninas ricas, conversas banais e relacionamentos superficiais. Desorientada, Esther narra suas experiências neste contexto, que às vezes são cômicas mas, na maioria dos casos, soam como tragédias para seu espírito introvertido e tímido. 
Ao retornar para sua casa no interior, ao fim do estágio, tais sentimentos de inadequação e de não-pertencimento voltam com ela, e são ainda mais intensificados quando ela recebe a notícia de que foi rejeitada para entrar na faculdade. Com isso, ela decide escrever um romance, até perceber que não tem experiências de vida o suficiente para tornar-se uma grande escritora.
Daí em diante, Esther tem seu estado emocional e psicológico agravado, e começa a fazer sucessivas tentativas de tratamento.
Esther é uma personagem que nos dá alívio, pois encontramos alguém igual a nós. Ela nos faz perceber que é natural sentir-se mal de vez em quando, afinal, vivemos em uma sociedade que valoriza atributos que nem sempre são os certos. Ela se torna uma amiga, daquelas que nos entendem nos nossos piores dias.

A Garota Dinamarquesa, de David Ebernhoff

Lili Elbe foi a primeira pessoa a passar por uma cirurgia de mudança de sexo, no início dos anos 30. (Há relatos de que ela não foi a primeira, e sim, uma das primeiras, mas acredito que isso não venha ao caso, neste momento). Sofreu diversos tipos de preconceito, tanto da sociedade quanto da medicina da época, e, mais ainda, sofreu a angústia de não se sentir normal, de achar que estava enlouquecendo e de tentar entender qual era seu lugar no mundo. É este sofrimento que nos conecta a Lili e nos torna empáticos a ela.
Além disso, acompanhamos a jornada de Gerda, que vê seu marido Einar tornando-se Lili e, ao contrário do que muitos poderiam esperar, lhe fornece todo o suporte, apoio e carinho, em um amor incondicional maravilhoso e inspirador. Gerda é forte, cheia de personalidade e muito autêntica, e gostei dela logo de cara.
O que mais aprendi com as adoráveis Lili e Gerda é: sempre dá tempo de se reinventar. Ninguém precisa aceitar, de cabeça baixa, o que a sociedade impõe como correto. Podemos sacudir as coisas, criar uma nova versão de nós mesmos, viver além das regras, transformar. Antes de desistir, podemos começar algo novo e ir além do que é estabelecido para nós. Sempre há um jeito, só precisamos encontrá-lo, mesmo que demore um pouco.
Mais sobre este livro: O livro ou o filme?

Quem está passando por uma fase difícil, difícil a ponto de pensar em suicídio, vive um inferno todos os dias, não apenas em Setembro. Por isso, acho extremamente importante que as reflexões geradas por esta campanha durem o ano todo, o tempo todo, pois quem precisa de ajuda não pode esperar ações uma vez por ano. Vamos semear empatia, solidariedade e coragem por aí, pois todos nós precisamos disso.

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