Top 5 | Cinco livros proibidões (Index Librorum Prohibitorum)

Já houve épocas em que alguns livros eram queimados e censurados e, acredite, este tempo não está tão distante assim. Até 1966, existia ...


Já houve épocas em que alguns livros eram queimados e censurados e, acredite, este tempo não está tão distante assim. Até 1966, existia uma lista chamada Index Librorum Prohibitorum, que relacionava os livros e autores proibidos para a sociedade. Geralmente, os livros desta lista eram de cientistas refutando teorias religiosas sobre o mundo e a natureza ou estórias que iam contra as leis e os bons costumes. Ainda bem, esta lista foi banida pelo Papa Paulo VI e muitas das obras proibidas estão entre as melhores da Literatura. A lista é extensa e separei os meus preferidos.

Simone de Beauvoir: alguns escritores tiveram todas as suas obras proibidas, e foi o caso dela, juntamente com seu marido, Jean-Paul Sartre. Simone foi vetada no Index por ser assumidamente atéia, assim como defender o existencialismo - onde muitos princípios e conceitos vão na contramão do catolicismo - bem como por defender a igualdade da mulher na sociedade. 
Além disso, Simone e Sartre tinham uma relação conjugal aberta e não eram casados oficialmente, o que levantava questões sobre sua moralidade e ética. Ela também se envolvia em questões sociais polêmicas como aborto, maioridade legal, uso de drogas, dentro outros, e todo este conjunto de atos fizeram-na ter o nome no Index.

Alexandre Dumas também teve todas as suas obras incluídas no Index. Alexandre Dumas, além de escritor, também foi um reacionário francês bastante ativo em sua época. Ele costumava chefiar e comandar tumultos e greves entre os cidadãos franceses e chegou a fazer um compilado de crimes e assassinatos, em um ensaio de oito volumes. Além disso, ele ajudava seus amigos a escreverem livros sobre crimes cometidos pelo Governo em outros países além da França. Para tentar burlar a censura, ele escrevia sob os mais diversos pseudônimos. E, para completar o cenário, ele era mulherengo e gastava todo o seu dinheiro em bebidas e festas e seu nome foi parar direto no Index.
Por aqui, já falei sobre "O Conde de Monte Cristo".

Os Miseráveis, de Victor Hugo: Victor Hugo começou a escrever porque estava indignado com a situação econômica e social da França e, em suas estórias, relata as condições de vida inumanas nas quais a classe operária francesa vivia. "Os Miseráveis" é sua mais completa obra, neste sentido, pois fala da Batalha de Waterloo, dos motins, sobre a miséria e a pobreza dos trabalhadores. Antes disso, Victor Hugo já tinha sido banido do teatro, pois escreveu peças que ridicularizavam a aristocracia francesa. Sua ousadia e sinceridade conquistaram a classe pobre da França e ele tornou-se popular rapidamente, e suas idéias de revolução e mudanças se espalharam com facilidade. Por isso, o livro foi banido e ele entrou para o Index.


Madame Bovary, de Gustave Flaubert: Este livro, escrito em 1856, conta a estória de Madame Bovary, esposa de um renomado médico da sociedade aristocrática, e que relata sobre seus adultérios. Ela, entediada pela vida provinciana e vazia que leva, coleciona amantes e experiências com outros homens, na tentativa de escapar da mesmice. Acho que nem preciso explicar muito os motivos deste livro ter sido proibido, não é? Primeiro, porque ele vai contra os princípios do matrimônio católico. E, segundo, porque ele postula que a mulher deve ser livre na sua sexualidade, buscando o prazer, e também que ela tem o direito de ser feliz e buscar um estilo de vida não-ditado pela sociedade.  Só eu acho que, até hoje, lutamos pela mesma liberdade de pensamento?


Justine, de Marquês de Sade: Este livro foi escrito em 1791 e agora faz parte do domínio público, ou seja, qualquer um pode fazer o download gratuitamente do material e ler. O enredo se desenrola antes da Revolução Francesa e conta a vida de uma jovem mulher, que se auto-entitulava Therese mas se chamava Justine, e que cometeu uma série de crimes ao longo da vida. Quem narra a estória de Therese/Justine é Madame de Lorsagne, que defende os atos cometidos por ela. Nas versões atuais e editadas, o livro é narrado por Justine, num ajuste editorial feito ao longo dos anos para facilitar o entendimento do leitor. De prostituição infantil a assassinato, Justine pode dizer que fez de tudo na vida, e daí a proibição deste livro. 


Como eu adoro um espírito revolucionário, é claro que recomendo a leitura de todos estes livros e autores. 

Posts Relacionados

Comente com o Facebook

0 comentários