Sugestão de Leitura | Pergunte ao Pó, de John Fante

Por mais que minha preferência seja pela literatura fantástica, graças à minha amiga-irmã-gêmea Deborah tomei gosto pelo movimento beat...

Por mais que minha preferência seja pela literatura fantástica, graças à minha amiga-irmã-gêmea Deborah tomei gosto pelo movimento beat. Comecei lendo On The Road, de Jack Kerouac por causa dela e, daí em diante, me encantei.

O movimento beat aconteceu entre as décadas de 50 e 60 e surgiu com escritores e poetas que fundavam comunidades que, nas décadas seguintes, dariam origem ao movimento hippie. Estes escritores tinham como foco um entendimento mais profundo sobre as coisas, a partir dos seus relacionamentos e experiências pessoais, acreditando que poderiam alcançar níveis mais elevados de consciência.
John Fante foi o precursor do movimento beat. Jack Kerouac, Allan Ginsberg e tantos outros escritores deste movimento se inspiraram nas obras de Fante e, por isso, ganhei este livro de aniversário da Deborah. Além disso, Fante também era o escritor preferido de Charles Bukowsky: em "Mulheres", o alterego de Bukowsky, chamado Henry Chinaski, diz que seu escritor preferido era "F-A-N-T-E!", com ênfase.
Fante criou um alterego, chamado Arturo Bandini, que foi o protagonista de quatro romances dele. Os quatro romances contam a vida de Arturo em ordem cronológica de acontecimentos e "Pergunte ao Pó" é o segundo livro.

Arturo Bandini é um ítalo-americano que tenta ser um escritor de renome nos Estados Unidos. Em uma destas tentativas, Bandini vai morar em Los Angeles, ambientada na década de 30. Ele se hospeda num quarto barato de hotel e vê-se diante de um estado de quase miséria, pois não trabalha e não consegue vender seus contos. Quando ganha algum dinheiro, Bandini não sabe privar-se dos prazeres da vida, e gasta o que recebe em pouquíssimo tempo, voltando à pobreza. Este ciclo se repete várias vezes ao longo da estória, e Bandini se reveza entre sentimentos de plenitude e uma culpa que o aflige e o angustia.
Neste meio tempo, ele conhece Camilla Lopez, uma garçonete com aspecto de mexicana de uma lanchonete que ele frequenta. Eles desenvolvem uma relação de amor e ódio e, até o término do livro, é difícil saber qual será o destino desta relação. Também é difícil compreender inteiramente as motivações de Camilla, mas Bandini se joga na relação com ela também sem a entender, o que nos deixa, como leitores, na mesma situação que ele. 
A inocência e juventude de Bandini ficam muito aparentes quando ele tenta relacionar-se com as mulheres - sejam elas prostitutas ou Camilla. Neste ponto, Bandini me lembrou muito o Holden Caulfield de "O Apanhador do Campo de Centeio", de J.D. Salinger. Outra semelhança com "O Apanhador do Campo de Centeio" , na minha opinião, é a estrutura onde o narrador em primeira pessoa se "perde" em reflexões, digressões e tentativas de compreender seus próprios sentimentos.

Bandini é cheio de falhas (morais, espirituais e psicológicas) e, exatamente por causa de todas elas, ele se torna encantador e carismático. Como leitora, torci para que ele conseguisse sua redenção: não só com Camilla, mas consigo mesmo. 

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