Depois de 5 anos, 1 mês e 18 dias

Moments of Surrender - Stephanie Pearl Cinco anos, um mês e dezoito dias depois, enfim, me senti forte para retornar àquele livro. A ...


Moments of Surrender - Stephanie Pearl
Cinco anos, um mês e dezoito dias depois, enfim, me senti forte para retornar àquele livro. A primeira tentativa doeu, doeu tanto, que fechei-o correndo, com estrondo, com medo de que a angústia das palavras me engolisse. Me vi demais na dor de (des)amor e de separação que havia ali. Fugi não do livro, mas de mim.

Pedi desculpas ao autor - Caio, tua angústia é linda, mas hoje não posso com ela - e fui embora daquele universo. Havia muito de mim para organizar, limpar e costurar. Estou ocupada agora, querido, mas um dia eu volto ao teu livro, prometo.

Há cinco anos, um mês e dezoito dias, essa volta prometida parecia impossível. Estava sendo educada com o autor quando a fiz - não queria que ele pensasse que eu não gostara da sua poesia -  mas me sentia tão fraca, tão em frangalhos, que coloquei o livro no fundo da estante, salvando meu coração de mais aquela angústia. Ali ele ficou, acumulando poeira, enquanto eu tratava de dar um jeito em mim.

Enquanto o livro descansava e Caio me perdoava, a reforma da minha vida começou, sem pausas. Remendei buracos na parede, joguei memórias envelhecidas no lixo, renovei meu guarda-roupa e meu espírito. Conheci um amor, destes que nascem de bases mais sólidas e maduras, quando parecia que não haveria mais nenhum para mim. Meus cabelos voltaram a ser ruivos, minhas mãos escreveram mais do que nunca, meus sonhos eram nítidos e meus pesadelos mais ainda. Estava viva, apesar de tudo.

Demorou cinco anos, um mês e dezoito dias, mas a força veio. Não de uma vez só, como se fosse um presente milagroso dos deuses, e sim como resultado de um esforço que quase levou minha vida. Quase levou minha essência mas recuperei-a de volta, a tempo de ainda ser eu mesma. E, com a força, também veio a lembrança daquele livro esquecido, que agora eu estava pronta para receber em meu lar.

Desculpe a demora, Caio, mas cumpri a minha promessa. Confesso que achei, muitas vezes, que não seria capaz, mas fui. O (des)amor é assassino, mas a alma se ressuscita. Você acharia minha estória linda, se eu pudesse contá-la a você, pois tem a exata dose de angústia, sofrimento e entrega que você tanto gosta.

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1 comentários

  1. Orgulho dessa história q acompanhei de perto, tijolo por tijolo a reconstrução.
    Qdo começou a andar sozinha me causou uma estranheza, como uma mãe qdo o filho sai de casa, um misto de traição com aceitação, mas hj olho e tenho muito orgulho de vc.
    Me sinto felizarda, diria ate supervalorizada rs*, por ter vc de gêmea

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