Por que as estórias da Pixar são tão fascinantes?

Que atire a primeira pedra quem nunca assistiu e gostou de uma animação da Pixar. Se, antigamente, as comunidades tinham os contos-de-fada ...

Que atire a primeira pedra quem nunca assistiu e gostou de uma animação da Pixar. Se, antigamente, as comunidades tinham os contos-de-fada como folclore popular, hoje temos estas animações, que representam certos valores e contextos da nossa época. Mas, afinal, por que as estórias da Pixar fascinam tanto, independente de nossa idade, classe social, país onde moramos, etc?

Em termos de estrutura de estória, todas elas são parecidas e possuem elementos cruciais de escrita e narração, que nos envolvem e nos atraem. Aqui, tentei explicar um pouco sobre estes conceitos.


1) Porque admiramos as personagens pelos seus esforços, não necessariamente pelo seus sucessos.
Mike Wazowski, de Monstros S.A. e Universidade Monstros, é um ótimo exemplo deste elemento narrativo. Desde pequeno, quando aparece como uma criança em Universidade Monstros, nos simpatizamos com suas dificuldades em tornar-se um monstro assustador. Sua amizade com Sullivan ressalta ainda mais seus déficits e desafios, o que nos aproxima dele como espectadores: torcemos para que ele consiga ser um assustador, mesmo que saibamos que ele não tem as características certas.


2) Porque a combinação das personagens é melhor do que elas isoladamente.
Uma personagem, sozinha, não conta uma estória. Aliás, pode até contar, mas em algum momento a estória ficará unilateral e linear, mesmo que esta personagem seja carismática. A combinação de personagens traz riqueza, diversidade e pontos-de-vista diferentes à narrativa, tornando-a mais completa e mais interessante. Como no caso de Up!, por exemplo, onde Carl, Russel e Doug formam um trio que nos desperta empatia.


3) Porque as personagens saem de sua zona de conforto.
Sair da zona de conforto não é fácil. Algumas pessoas conseguem fazer isso de uma forma harmônica mas, na grande maioria dos casos, sair da zona de conforto provoca ansiedade, medo e aflição. Ir em direção ao desconhecido é angustiante, às vezes. Então, quando uma personagem consegue sair de sua bolha, nós tendemos a admirar e gostar dela. É o que acontece com Wall-E que, motivado pelo amor por Eva, larga sua rotina mecânica e repetitiva e se lança, literalmente, no espaço, em busca dela.


4) Porque a mensagem central da estória é algo digno de ser passado adiante.
Aqui as animações da Pixar se assemelham bastante aos contos-de-fada. Uma das premissas deste último é que a estória tenha uma moral, no final, e as animações pegaram este fio condutor e o modernizaram, para adequarem-se à nossa realidade. Remy é um ratinho que sonha em ser um chef de cozinha, em Ratatouille. Nós, espectadores, não nos importamos que ele seja um rato e sonhe grande: nós torcemos para que ele alcance seu sonho. Porque nós mesmos temos nossos sonhos, nos sentimos fracos e impotentes (somos ratinhos, às vezes) e desejamos que dê certo para nós. Então, Remy nos inspira e esta mensagem deve ser passada adiante.


5) Porque coincidências fazem as personagens encontrarem-se, mas não fazem elas resolverem os problemas.
Quando uma série de coincidências na narrativa trazem um problema ou um desafio a alguma personagem, nós como espectadores e leitores aceitamos. Afinal, a vida é assim mesmo, não é? Às vezes, nos vemos diante de situações que aconteceram por causalidade conosco. Porém, se este problema ou desafio, na estória, é resolvido por coincidências, nos sentimos traídos: as coisas não são assim. É preciso lutar e conquistar a solução para que a personagem seja digna de merecimento. Nemo se perde por uma série de eventualidades de seu pai; porém, eles se reencontram depois de uma jornada de busca, de estratégias, planos e dificuldades. Por isso, Procurando Nemo nos desperta boas sensações. Se eles se encontrassem por acaso, no meio do mar, sem esforço nenhum, nós não iríamos gostar da estória.

Acredito que estas dicas sejam válidas a qualquer estória. A propósito, minha animação da Pixar favorita é Wall-E. Qual é a sua?

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5 comentários

  1. Vish,... dificil de decidir.

    Adoro Valente e Ratatouille <3

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  2. AHHH, amo os filmes da Pixar, pois todos eles podem ser vistos por qualquer pessoa. Gosto do conceito de filmes deles, pois não é "para criança". E eles sempre funcionam para qualquer faixa etária. Meu pai era um grande apreciador desses filmes. Parava sempre para ver Monstros S.A. <3

    Love, Nina.
    http://ninaeuma.blogspot.com/

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  3. Up tem um lugar especial no meu coração, toda a história me encanta muito, a forma como os personagens se completam e se ajudam, tocam a vida um do outro mesmo que não a resolvam 100%, isso que você falou do inesperado mesmo. Pixar é amor demais! Ainda não assisti universidade de monstros, estou absurdamente loooouca para ver!

    www.livrosderomance.com.br

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  4. Eu AMO as animações da Pixar *--* elas nunca tem um ar 100% de conto de fadas e o fato de as coisas quase nunca saírem como a gente pensa (ou como seria o esperado) me atrai muito. Sobre qual ser a minha favorita não me vejo capaz de escolher entre UP e a dupla de Monstros SA (porque achei os dois filmes sensacionais!)
    Beeijo
    http://www.estoriasecafe.com/

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  5. Aaaaah, lindo post!!! É isso mesmo, sou fã da Pixar exatamente pelos motivos que você apontou. No entanto, a empresa me decepcionou em alguns momentos, principalmente em Carros. Eu DETESTO esses filmes, principalmente o segundo. Em alguns momentos, sinto que a Disney e os executivos têm receio de arriscar, se esquecendo de obras primas como Up e Wall-e, e acabam nos dando Carros e Valente... Eu até gosto de Valente, mas acho mais fraco...

    Minha favorita é Up, sem dúvida!!!

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