TOP 5 | Cinco personagens femininas fortes da Literatura

As mulheres sofrem preconceito de gênero todos os dias. Temos nossa personalidade, nossos sonhos, nossos corpos e nossos pensamentos ...



As mulheres sofrem preconceito de gênero todos os dias. Temos nossa personalidade, nossos sonhos, nossos corpos e nossos pensamentos sendo ditados, definidos e estereotipados por séculos. Tento fazer minha parte contra a sociedade patriarcal que vivemos no meu espaço na Obvious Magazine e ADORO quando surge uma personagem feminina da Literatura que vai contra os padrões que são impostos a nós. E este TOP 5 é sobre elas.

1) Joana, de "Perto do Coração Selvagem" (Clarice Lispector)

Ah, mamãe Clarice! Como gosto de falar sobre ela. Parecem ecos de um passado que é meu e não é ao mesmo tempo.
"Perto do Coração Selvagem" foi o primeiro livro publicado de Clarice e fala da estória de Joana, sua infância e o início da sua vida adulta.
Joana é uma personagem forte não porque ela enfrente batalhas, tragédias ou guerras, e sim, porque ela enfrenta a ela mesma, seus piores sentimentos e pensamentos, e sai ilesa do outro lado. Joana é livre e independente, desde criança, fazendo perguntas que os adultos não sabiam responder e que ela mesma não encontra as respostas, mesmo depois de crescida. E ela vive em um mundo que, o tempo todo, tenta castrar sua personalidade e vencê-la, numa luta constante e sem fim para ela ser quem quiser.
Além de tudo, é orfã e viveu sob os maus cuidados dos tios. Mas nunca perdeu a poesia.


2) A Esposa, de "Ensaio sobre a Cegueira" (José Saramago)

O livro trata de uma cegueira que acomete, aos poucos, toda a população, como se fosse um vírus se espalhando pela sociedade. A epidemia de cegueira se alastra rapidamente e o governo não tem tempo hábil de pensar numa nova ordem das coisas para contemplar esta situação, e então, o caos se instala completamente. Porém, somente uma pessoa não perde a visão, misteriosamente, e esta pessoa é a esposa de um médico. (No livro, nenhum personagem tem nome próprio e adoro isso!)
Muitos dizem que esta estória de Saramago é uma metáfora para a cegueira da nossa sociedade, que finge não ver os problemas e as maldades que ela mesma cria. Acho que faz sentido.
Escolhi esta personagem porque a Esposa vê todas as atrocidades que os indivíduos cometem (como a famosa e aterrorizante cena do estupro coletivo) e cuida de todos ao seu redor, tentando espalhar paz e esperança em um mundo quase totalmente perdido. Ela presencia de cabeça erguida a deterioração da sociedade e das pessoas, ciente de sua importância como a única pessoa que ainda vê (literal e metaforicamente).



3) Éowyn, de "O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei" (J. R. R. Tolkien)

Para quem não se recorda: Éowyn se disfarça de homem para poder lutar ao lado dos cavaleiros de Rohan como uma igual, sob o nome de Dernhelm. Apaixona-se por Aragorn, mas uma vez que ele ama Arwen (afinal, competir com uma elfa é impossível), casa-se com Faramir, regente de Gondor.
O que mais admiro em Éowyn é a quebra dos paradigmas que ela propicia para as mulheres. Na era medieval - e infelizmente, até hoje - espera-se que a mulher desempenhe certas funções: casar, cuidar da casa e da famíla, ter filhos. Podemos dizer que a sociedade atual é mais livre, neste sentido, mas sinto que não somos livres o suficiente ainda.
Éowyn, então, desafia todos os padrões e quer ser guerreira, lutando de igual para igual com os homens pelos ideais que ela acredita, pela sobrevivência de sua família e de seu reino.
Acho incrível, digno e inspirador!


4) Clarissa Dalloway, de "Mrs. Dalloway" (Virginia Woolf)

Já falei da sinopse deste livro aqui, pois ele foi minha Sugestão de Leitura. E, quem me conhece um pouquinho (nem precisa ser muito) sabe que Virginia Woolf é mais do que minha escritora preferida ao lado de Clarice: ela é uma extensão de mim. Me vejo nela, em cada palavra e em cada pensamento.
Acho Clarissa Dalloway uma personagem forte porque ela luta, o tempo todo, com uma angústia poderosa e avassaladora. Ela sente em seus ombros o peso de ter que desempenhar seu papel de mulher exemplar e perfeita, e sofre ao perceber que sua vida tem um roteiro pré-estabelecido e entediante.
Ela é sútil na forma como luta contra tudo isso, afinal, não é uma guerreira como Éowyn. Porém, no dia-a-dia, em pequenas atitudes, comentários e mudanças de plano, ela começa a se estabelecer e se posicionar como quem realmente é.
É uma força melancólica, eu diria.


5) Tereza, de "A Insustentável Leveza do Ser" (Milan Kundera)


Este livro também já foi Sugestão de Leitura, que pode ser lida (ou relida) aqui. Lá tem a sinopse da estória.
O ambiente familiar onde fomos criados determina, em muitos aspectos, quem somos e, principalmente, quem não queremos ser. Tereza foi criada por uma mãe repulsiva, suja fisica e emocionalmente. O ambiente onde ela foi criada era de pura miséria, degradação e violência. Depois, adulta, relaciona-se com homens tão asquerosos quanto sua mãe, até que encontra Tomas - a personagem central do livro.
Mesmo com toda a experiência negativa de amor e de família, Tereza torna-se uma pessoa que busca a leveza acima de tudo, e tenta encontrar em cada coisa e em cada pessoa o que a vida tem de bonito e de limpo.
E isso exige muita, muita força.




Alguma sugestão de personagem feminina forte? Deixe nos comentários, que vou adorar ler!
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1 comentários

  1. Oi, Ruh! :D

    Adorei o assunto da postagem! Uma amiga já fez um post com a mesma temática, embora as respostas dela tenham sido totalmente diferentes.
    Fiquei muito curiosa para saber sobre a vida de Joana! Ainda bem que faltam menos de uma semana para eu retornar à faculdade, assim poderei começar meu Desafio Literário e ler os livros que você recomenda! (Eu anoto todos!). Acho que o primeiro livro da Clarice que lerei será Perto do Coração Selvagem mesmo. Minha avó está com uma mania de falar da Clarice toda hora e ficar dizendo que eu e ela (eu e a Clarice) temos muito em comum, e sempre que pode, minha avó fica falando desse livro HAHAHA. Vai saber, vai ver é uma intervenção para eu começar a ler logo esse livro!
    Éowyn me lembrou demais o Diadorim, de Grande Sertão: Veredas.
    Ainda quero ler algo da Virgínia, acredita que nunca li? Outro livro que vou deixar anotado para ler! :) Já ouvi falar dele, mas nunca fui atrás. Espero que a biblioteca o tenha (na verdade, há bastantes livros dessa autora lá - sim, eu passeio pelas estantes para conferir os autores haha).
    Fiquei MUITO a fim de ler A Insustentável Leveza do Ser. Lembro-me, remotamente, de ter ouvido falar nele, mas, mais uma vez, nunca fui atrás. Outro livro a ser anotado, haha. Desse jeito, vou precisar de um Desafio só para ler as leituras que você recomenda HAHAH.

    Enfim, adorei suas escolhas, especialmente porque não conhecia quase nenhuma das personagens! - ah, eu comecei a ler Ensaio Sobre a Cegueira, mas nunca consegui terminar, me deu um surto por causa do modo de escrever do Saramago </3 Eu ficava muito confusa, precisava ler a mesma página toda hora, um fiasco D:

    Love, Nina.
    http://ninaeuma.blogspot.com/

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