{desafio das cartas} 12/12 - Uma carta de despedida

E, um ano depois, o {desafio das cartas} chega ao fim. Tudo começou quando vi a idéia no Paperia  de enviar uma carta por mês, pelo Cor...


E, um ano depois, o {desafio das cartas} chega ao fim. Tudo começou quando vi a idéia no Paperia de enviar uma carta por mês, pelo Correio e à moda antiga, a pessoas importantes. Porém, adaptei esta idéia ao Perplexidade e Silêncio e, assim, as cartas tornaram-se textos e os temas variaram todo mês, escolhidos por mim.

12/12 - Uma carta de despedida

Detesto dar adeus.
Um adeus comporta em si mesmo tanto vazio: os lugares que não visitaremos juntos, as piadas internas que ficarão esquecidas, os planos jogados no lixo do banheiro, as fotos encarceradas em uma caixinha no fundo do armário. E fato é que não sei lidar com vazios, eles ecoam dentro dos meus próprios buracos e me machucam ainda mais.

Detesto fins.
Mesmo aqueles que eu escolho. Mesmo aqueles que sei que fazem bem a mim. Detesto todos eles.

Detesto despedidas.
Qualquer coisa que eu diga soa ridícula e melodramática, qualquer lágrima que escorra parece atriz de novela, qualquer abraço que é dado nunca é longo nem quente o suficiente. Nada preenche aquela lacuna - da pessoa, da situação, da época, de mim mesma - que está indo embora.

Esta carta poderia ser um grande e mudo papel em branco. 
Talvez, no silêncio das coisas partidas, fique mais fácil expressar um sentimento tão melancólico como a certeza de um nunca mais.
Esta carta será um bilhete, uma nota, um recado: não sei dizer adeus.

Prefiro que termine sem fim.

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Todas as cartas do Desafio podem ser lidas aqui:

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2 comentários

  1. Olá, Ruh!

    Sabe que eu gostei bastante da sua ideia? Eu envio cartas a várias pessoas, adoro o cheiro do papel, os envelopes... Mas ainda mais a ideia de que alguém parou um tempinho para me contar sobre si mesmo! Me deixa muito contente e me faz sentir super especial!

    Despedida. Adeus. Acho que são poucos os que gostam disso - a não ser dar tchau para algo que não lhe fazia bem (e mesmo assim, nem sempre). É difícil, é sofrido, é amargo! E ainda queremos voltar atrás, fingir que o tempo não passou... Mas passou. E a despedida está aqui para nos mostrar.

    Jura que esta é a última carta? Puxa, que pena! :/ Eu já gostei tanto do projeto, rs! Essa despedida servirá de oportunidade para outro projeto ainda mais legal!

    Um super abraço!!

    Ana Carolina Nonato
    Blog Seis Milênios

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  2. Ruth! Primeiramente, queria agradecer pelo seu comentário em meu blog. Interessante que você comentou em um post que eu, na verdade, publiquei querendo jogar fora. Terminei aquele texto desgostando do conteúdo, mas postei apenas por não querer perder o tempo que gastei. Isso me revelou, mais uma vez, que as palavras, quando impressas, se despedem do autor, pertencem agora ao imaginário coletivo que tratará de implementar novos sentidos para elas. Isso me deixa feliz, pois o diálogo salvou meu texto.

    Sobre sua carta, entendo o sentimento. Despedidas são difíceis pois nós, apesar de finitos, insistimos em esquecer essas limitações. Continuamos a adiar finais pois eles nos lembram nosso destino comum: o fim. Agora, espero que você possa dar mais uma chance aos términos, justamente pois eles permitem recomeços. Ao invés de pontos finais, poderemos concluir com pontos apenas etapas, tendo a frente um papel em branco imerso de possibilidades de novos começos. Talvez, aí, more a felicidade. Eu não gosto de finais, isso é certo, mas adoro começar. E por isso, insisto em terminar. Mais uma vez, obrigado!

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