A minha voz (não a sua)

É tempo, enfim, de eu encontrar a minha própria voz e ouvi-la ressoando dentro de mim, pelo quatro cantos. De escutar a minha voz a...




É tempo, enfim, de eu encontrar a minha própria voz e ouvi-la ressoando dentro de mim, pelo quatro cantos. De escutar a minha voz alcançando cada centímetro empoeirado que sobrou por aqui, depois de tantas derrotas. De sentir minha voz derretendo defeitos e desfazendo supostos erros.

Uma mudança foi se produzindo ao longo dos dias amassados que vivi e, no fundo, sempre senti que havia algum tipo de conclusão ou resposta se formando em meio a tanta melancolia. Não era um sofrimento em vão porque eu não permitiria que fosse: já que às vezes sou assaltada pelas minhas angústias, ao menos elas terão a função de me transformar em uma versão melhor.

E desta sucessão de lágrimas e nós no coração, aos poucos fui encontrando o que eu tinha a dizer. E, mais que as minhas próprias palavras, aos poucos fui encontrando o "quando" deveria dizê-las e, sobretudo, "a quem". 

Se hoje fico silenciosa - mais do que antes - é porque minhas palavras são de ouro e não é sempre que tenho vontade de gastá-las. Prefiro ter uma certa economia dentro de mim, para situações de perigo e de tragédia. Minha tristeza e minha raiva dizem muito, mas minha felicidade e contentamento são extremamente quietas - são dóceis e amigáveis, como eu gostaria de ser por inteiro.

Não caio mais na armadilha de ouvir o que você tem a dizer sobre quem sou ou como deveria ser: estou surda. Durante tempo demais, permiti que você me definisse, estipulasse e me encerrasse em seus conceitos, como se suas opiniões fossem as Verdades Absolutas sobre mim.

Mas, espere um pouco: nem eu detenho a verdade sobre mim mesma, como você poderia tê-la, então? E esta minha verdade nunca será escrita ou dita a partir do que você pensa, desculpe decepcioná-lo, mas sou menina teimosa e já decidi que eu quero me construir sozinha. 

De hoje em diante, talvez minha postura te assuste: me tornei uma guerreira protetora da minha essência. Se antes eu recebia as invasões com silêncio, guarde esta lembrança no passado, porque agora sou barulhenta e falo alto, se preciso. Encontrei minha voz faz pouco tempo e estou ansiosa em usá-la.

É tempo, enfim, de escutar mais o que eu mesma tenho a dizer e menos o que você grita e atira em mim. Meus pontos-de-vista sobre a vida são mais interessantes que os seus.

Se você procura por alguém que seja muda, teu lugar não é aqui. 
Aqui tem som, muito som.

Post relacionado: Pelo direito de recomeçar

Posts Relacionados

Comente com o Facebook

0 comentários